domingo, 28 de fevereiro de 2010

INTER
O número 103 da revista canadiana INTER – Art Actuel é dedicado à comemoração dos 100 anos dos Futurismo com diversos textos e fotografias da época, assim como a reprodução de obras visuais e poéticas deste movimento italiano.
Ao que se segue as habituais referências à arte de acção, como um artigo sobre as próteses utilizadas na performance como extensões do corpo, uma visão sobre a arte actual no Québec, e textos sobre instalação, vídeo e arte digital.
Os escritos, são assinados, entre outros, por Serge Pey, Filipo Tomaso Marinetti, Nathalie Bachand, Guy Sioui Durand, Alain-Martin Richard, Charles Dreyfus, Elisabeth Jappe e Richard martel, o director da INTER.
Termina com uma reportagem sobre “La Caravane de la Parole”, um Festival itinerante por várias cidades canadianas, com a participação de alguns amigos meus, como Esther Ferrer e Giovanni Fontana.
Este número, que inclui como separata o cartaz do festival “Espace[im]media” realizado também no Canadá, tem o meu nome entre os membros do comité de redacção internacional.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

HAAKS OP…
Termina esta sexta-feira a exposição HAAKS OP…, que foi inaugurada a 28 de Janeiro na Zeeuwse Bibliotheek, em Middelburg, na Holanda.
A exposição esteve integrada no Dia Nacional de Poesia e foi agora apresentada na Biblioteca de Middelburg, depois de um “tour” de 5 anos por outros espaços culturais holandeses.
Organizada por Ko de Jonge, HAAks OP… (ou AT RIGHT ANGELS TO…) tem a participação de vários autores, entre eles Rod Summers, Pedro Bericat, Guy Bleus, Jürgen O. Olbrich, Günther Ruch, Fernando Aguiar, Clemente Padin, Luc Fierens, Keith Bates, Ruggero Maggi, Klaus Groh, Andrzej Dudek-Dürer, Vittore Baroni, Emílio Morandi, Ryosuke Cohen, Bruno Chiarlone, John M. Bennet e Serge Segay.
A maior parte das obras foi sendo reproduzida na revista Ballustrada, também dirigida pelo Ko de Jonge, entre os vol. 19 e 23.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

FORMA & MAGIA: POESIA
Faz hoje 3 anos que se deu início a esta aventura. Na altura nunca me passou pela cabeça que “O CONTRÁRIO DO TEMPO” se mantivesse por tanto tempo e com informações praticamente semanais. Principalmente porque o objectivo do mesmo é divulgar os eventos aos quais, de uma forma ou de outra, eu estou ligado.
Às vezes é cansativo; é quase sempre feito “em cima da hora” por manifesta falta de tempo, mas não deixa de ser divertido, e acabo por ter uma perspectiva diferente daquilo que ando a fazer.
Para comemorar este terceiro aniversário nada melhor do que falar da exposição de um querido amigo cubano, cuja obra sempre admirei pela criatividade e qualidade da mesma, pela fortíssima poética quer do ponto de vista formal como cromático, o que torna as suas pinturas/poemas visuais extremamente expressivos.
“FORMA & MAGIA: POESIA” é o título que o Artemio Iglesias escolheu para a exposição que lhe organizei no Centro Cultural Malaposta, e que inaugurou no dia 5 de Fevereiro.
Nascido em Havana em 1941, o Artemio Iglesias foi professor de gráfica aplicada, e apesar de ter ganho em 2005 o Prémio Nacional de Artes Gráficas de Cuba, a sua obra poético-visual é ignorada nesse país e praticamente desconhecida internacionalmente. Em Portugal realizou uma exposição no ano passado na Biblioteca Municipal D. Dinis, em Odivelas.
“FORMA & MAGIA: POESIA” vai estar na Malaposta, em Olival Basto até ao dia 28 de Fevereiro e, para quem tiver essa possibilidade, vale a pena ir vê-la. Está aberta de segunda a sábado das 11h00 às 23h00 e aos domingos das 14h00 às 19h00.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

ANARTISTE
A revista francesa ANARTISTE – Les Nouvelles Libertaires Nº 14 foi publicada em Paris no passado mês de Dezembro, mas só agora é que me chegou às mãos.
Editada pelo grupo “Anartiste de la Fédération Anarchiste”, coordenado por Patrick Muller e André Robèr, tem um formato A-4, 40 páginas e este número inclui um CD com poemas de Sébastien Lespinasse.
Os textos, poemas, desenhos e fotografias têm como autores (por ordem de entrada em cena) o mesmo Sébastien Lespinasse, Fernando Aguiar, Marie Jacobowicz, Willy, Alzhar, Tony Pessoa, Sophie Diaz, Gérard Camoin, Jorge Manrique, Nathalie McGrath, Guillaume Loizillon, François Bazzoli, Patrício Salcedo e Juan Hermanos.
A minha participação consistiu em dois fotopoemas inéditos realizados em Hong-Kong, no ano da graça de 2006. Os originais são a cores, mas como foram publicados a preto & branco vou respeitar a opção.
Fernando Aguiar, Hong-Kong, 2006
Fernando Aguiar, Hong-Kong, 2006

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

DOMADOR DE SONHOS
Foi editado recentemente o primeiro número de DOMADOR DE SONHOS, uma revista publicada no site abaixo indicado e em PDF, sob a direcção de Manuel Almeida e Sousa e de Bruno Vilão do grupo Mandrágora, com quem colaboro há vários anos.
Esteticamente bem concebida como é, aliás, hábito das produções Mandrágora, esta primeira edição tem dezena e meia de colaboradores com projectos, poemas, textos, receitas, entrevista e poesia visual.
São eles: Bárbara Coutinho, Luísa Coder, José Russell, Manuel Almeida e Sousa, José Luís Campal, António Goméz, Abdul Affi, Victor Belém, Alberto Augusto, Nicolau Saião, Renato Suttana, Fernando Esteves Pinto, Fernando Aguiar, Virgílio Alberto Vieira, Javier Seco, João Daniel e Bruno Vilão.
Da minha lavra estão 4 fotopoemas inéditos que apresento a seguir. Quem quiser meter o nariz na coisa, é só clicar: http://domadordesonhos.000space.com/boletim_1.html
"Soneto para Esperar Sentado", 2006
"Poema da Sorte Forjada", 2006
"Ensaio para uma nova Expressão da Escrita", 2006
"Ensaio para uma nova Expressão da Escrita", 2006

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

RAMPIKE
Saiu mais um número da revista canadiana RAMPIKE editada por Karl E. Jirgens, da qual faço parte do comité de redacção internacional conforme já aqui referi, assim como também já foi referido que em 2009 a RAMPIKE comemorou 30 anos de existência, um feito notável para uma revista de literatura e arte (mais ou menos) alternativa.
Este Vol. 18/Nº2 tem como tema “Re-sent Histories /L’Histoire Renvoyé” e poemas, críticas, reportagem, ficção e imagens de Richard Truhlar, John Barlow, Brian Edwards, Richard Kostelanetz, Xavier Sabater, Jean-Claude Gagnon e Derek Beaulieu, entre muitos outros, com uma excelente capa que revisita Pieter Bruegel’s numa pintura de 1562, desta vez em linguagem digital.
Para além do Canadá e dos Estados Unidos, não sei exactamente em que países esta revista com 80 páginas e um formato próximo do A-4 é distribuída, mas o preço de capa para a Europa é de apenas 3 €…
Para contactos ou pedidos de exemplares, é favor escreverem para: jirgens@uwindsor.ca

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

EN LOS OJOS DE LA POÉTICA
A minha 41ª exposição individual foi feita em Madrid, no Centro de Arte Moderno, uma galeria gerida pelo Raul Manrique e pelo Cláudio Pérez, também directores do Del Centro Editores, que se dedica a publicar livros de artista e outros com um carácter manual e sempre com tiragens reduzidas.
As obras que lá apresentei não são recentes e têm sido divulgadas neste blog, mas acontece que o convite para a exposição veio na sequência da organização do livro “IMAGINANDO LA POÉTICA”, precisamente com trabalhos dessa série.
De qualquer modo, existe uma certa autonomia entre a exposição e o livro porque, apesar de terem as mesmas características, existem trabalhos na exposição que não estão no livro e vice-versa.
Na inauguração, no dia 18 de Dezembro, sob o gélido frio de um princípio de noite em Madrid, eu e o Ángel Marcos, um actor e excelente intérprete de poesia, realizámos uma leitura de alguns dos meus poemas experimentais, uns em português, outros em castelhano. Infelizmente ainda não me chegaram as fotos dessa leitura. Mas ficam algumas da exposição, que está patente até ao dia 23 de Janeiro.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

CONFRARIA
Depois de 24 edições digitais a revista CONFRARIA sai pela primeira vez em edição impressa no Rio de Janeiro sob a direcção de Márcio-André, com Ronaldo Ferrito e Victor Pães como editores no Brasil, e João Miguel Henriques com as mesmas funções em Portugal.
Com uma entrevista a Nei Lopes e dedicando um dossier à poesia finlandesa contemporânea, a CONFRARIA apresenta críticas, pensamentos, contos, poesia verbal e também visual.
Os autores são Octávio Paz, Maria Irene Ramalho, E. M. de Melo e Castro, Ortega y Grasset, Maria do Rosário Pedreira, António Almada Guerra, Francisco Serra Lopes, Rita Dahl, valter hugo mãe, Arnaldo Antunes, Fernando Aguiar, Gonçalo M. Tavares e Bruno Santos, entre alguns outros. E o material é muito bom.
Márcio-André, de quem recebi recentemente os livros “Intradoxos” (poesia de grande inventividade) e “Ensaios Radioativos” (que reúne ensaios que o autor publicou nos últimos anos) é conhecido como “o poeta radioativo”, por ter realizado um recital de poesia na cidade fantasma de Pripyat, em Chernobyl.
Como a revista é brasileira, fica aqui um dos meus poemas publicados na mesma, dedicado a Álvaro de Sá, um dos iniciadores do Poema-Processo.
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POEMA-PROCESSO
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(Para o Álvaro de Sá)
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Escreveu os versos na folha
mas não gostou.
Amachucou
e pôs de lado.
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Tentou outra versão
que também não agradou.
Amachucou
e pôs de lado.
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Insistiu, sem conseguir
o efeito desejado.
Amachucou
e pôs de lado.
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Repisou de novo
sem resultado.
Amachucou
e pôs de lado.
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O poema teimava
em não o ser. Desanimado,
amachucou
e pôs de lado.

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Ficou sem folhas para escrever.
Mas o poema estava pronto.
Terminado.
Mesmo ali ao lado.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

IMAGINANDO LA POÉTICA
Na inauguração da minha exposição no Centro de Arte Moderno em Madrid, de que falarei mais adiante, foi feito o lançamento do livro IMAGINANDO LA POÉTICA publicado por Del Centro Editores, na colecção de poesia visual “Un Golpe de Dados”.
Nesta colecção foram anteriormente publicados os livros de Javier Seco, Emilio Morandi e de Yolanda Pérez Herreras, três amigos de longa data e companheiros destas andanças pela poética experimental.
O livro tem uma edição limitadíssima de 100 exemplares, numerados e assinados, e destina-se sobretudo a apreciadores da temática e a coleccionadores já que não tem uma distribuição “comercial”. Pelo que sei, é apenas vendido na livraria da editora e por solicitação.
É constituído por 30 poemas visuais da mesma série das obras que estão em exposição na galeria do Centro de Arte Moderno, apesar de nem todos os trabalhos que estão em exposição estarem representados no livro.
Os poemas foram realizados em 1996 e 1997 e têm como característica a interacção entre gravuras do séc. XIX, letrasset e letras em vinil desenhadas e recortadas em computador, confrontando duas linguagens estéticas com mais de 100 anos de distância entre si.
Deixo aqui alguns dos poemas visuais incluídos em IMAGINANDO LA POÉTICA. Para contactos com a editora: libreriadelcentro@telefonica.net
"A Poética Dentro da Poesia no Interior do Poema"
"Sound Sonnet"
"O Descanso do Guerreiro"
"Descobertas"
"Recusando as Novas Poéticas"
"Soneto Acerca do Erotismo"

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

POEMAS + OU - HISTÓ(É)RICOS
Já que estamos em maré de efemérides, aproveito para terminar o ano com mais uma: em 2009 fez 35 anos que publiquei o (meu primeiro) livro, “POEMAS + OU – HISTÓ(É)RICOS”, uma edição de autor feita aos 18 anos e paga com os meus primeiros ordenados. Na altura trabalhava numa agência de publicidade e, meses depois, comecei a dar aulas numa escola em Lisboa. Nesse tempo o dinheiro chegava para tudo…
São poemas de adolescência, pré-experimentalistas, bastante influenciados pelo surrealismo que estava a estudar nas Belas-Artes e do qual gostava bastante, a par das primeiras experiências de poesia visual.
Desse livro não há muito a dizer: tem 26 poemas, 64 páginas, a capa é desenhada por mim e, apesar de tudo, há um dos poemas que ainda digo com alguma frequência nas minhas performances mais “poéticas”: “O Tal Dedo”. Que vai reproduzido em baixo, junto a outros dois, para dar um cheirinho daquilo que são os “POEMAS + OU - HISTÓ(É)RICOS”…
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“O TAL DEDO”
o acto de metermos o dedo no nariz
pode ser simultâneo e coincidente
como aconteceu agora ao suicidarmos
os dois o tal dedo.
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“UM PÊLO NA GARGANTA”
ela
mostrou-me
um
pêlo
que
lhe
tinha
crescido
dentro
da
garganta
e
eu
sofregamente
mordi-o
e
cortei-o
com
os
dentes.
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“O CICLO DA PEDRA”
uma pedra rola deitada
numa cama.
em seguida rola por baixo dela
e novamente
torna a rolar-lhe
por cima.
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quer acreditem ou não
é isto o ciclo da pedra.

domingo, 27 de dezembro de 2009

POESI AV ISUAL
Depois da exposição em Madrid, do livro publicado em S. Paulo e de outro livro editado também em Madrid, dá para terminar o ano com uma efeméride: Faz 30 anos que realizei a minha primeira exposição individual.
Foi na galeria da Escola Superior de Belas-Artes, de 7 (estava quase a fazer 23 anos) a 21 de Maio de 1979, e apresentei 47 poemas visuais criados entre 1972 e 1978, conforme a lista que está em baixo.
Muitos poemas, sobretudo os primeiros, foram bastante influenciados pela obra do António Aragão, o primeiro poeta experimental que descobri e cujo trabalho me fascinou ao ponto de aos 16 anos começar a criar também poemas “visuais”. Porque na realidade comecei logo a utilizar imagens nos meus poemas, coisa que ainda não era habitual entre os poetas experimentais em meados dos anos 70.
Expor 47 trabalhos nessa altura foi uma verdadeira aventura, e apresentei a minha primeira (pequena) instalação intitulada “Socorro”, que pertence agora ao Museu de Serralves, e que era parte de um projecto mais ambicioso que nunca chegou a ser realizado. (A maqueta desse projecto pertence também ao Museu).
Fez parte da exposição aquele que é o meu trabalho mais divulgado: “Dois Dedos de Conversa”. Para além do livro “O DEDO”, já foi publicado mais de 40 vezes em revistas, catálogos e em antologias de 16 países, e foi capa das revistas “Poetry Halifax Dartmouth” (Canadá), “Axle” (Austrália) e do jornal cultural “Garatuja” (Brasil).
Em 1999 incluí a maior parte destes poemas no livro “OS OLHOS QUE O NOSSO OLHAR NÃO VÊ”, depois de serem apresentados na exposição “PO.EX: O EXPERIMENTALISMO ENTRE 1964 E 1984”, em Novembro desse ano, no Museu de Serralves.
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"A Espoleta do Último Nada", 1972
"A Cor da Cortiça", 1977
"Ensaio para uma Nova Expressão da Escrita", 1978
"Paz na Terra", 1978
"Dois dedos de Conversa", 1978

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

TUDO POR TUDO
Posso dizer que este ano termina em beleza do ponto de vista artístico: nesta última semana foi publicado o livro “TUDO POR TUDO” no Brasil, inaugurou a exposição “EN LOS OJOS DE LA POÉTICA”, em Madrid, no mesmo dia em que foi lançado o livro “IMAGINANDO LA POÉTICA”, com alguns dos trabalhos expostos e outros inéditos.
Mais tarde falarei da exposição e do livro de Madrid (e também da leitura durante a inauguração), mas por enquanto fiquemos no “TUDO POR TUDO”.
O convite partiu do poeta e agitador cultural Floriano Martins que dirige a colecção “Ponte Velha” da editora Escrituras de S. Paulo, colecção fundada por António Osório e por Carlos Nejar, um simpatiquíssimo poeta que conheci em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, em 1996. A colecção tem por objectivo divulgar escritores portugueses no Brasil, conta com o apoio da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, e já publicou obras de Ana Hatherly, Nicolau Saião, Maria Estela Guedes, Pedro Tamen, Casimiro de Brito, João Barrento, Luís Carlos Patraquim, Luiz Pacheco, Nuno Júdice, Dalila Teles Veras, Rosa Alice Branco, António Teixeira e Castro, António Ramos Rosa e Luiza Neto Jorge, entre outros.
A sugestão do Floriano é que o livro incluísse poesia verbo-experimental, poesia visual, uma entrevista e pequenos textos de outros autores sobre o meu trabalho, ao que eu acrescentei fotografias de instalações, livro-objecto, performance, escultura e fotopoesia, o que permite uma visão mais alargada daquilo que tenho feito.
A entrevista foi realizada pelo Wilmar Silva e a “fortuna crítica” é de autoria de Luís Fagundes Duarte, Paulo Cheida Sans, Natacha Narciso, J. Seafree, Alberto Pimenta, J. Medeiros, Augusto Corvacho, Carlos Mendes de Sousa e Eunice Ribeiro.
O livro tem 176 páginas, a quase totalidade dos poemas verbo-experimentais são inéditos, enquanto que muitos dos visuais já foram publicados em catálogos e em revistas. Curiosamente, e isto porque foram organizados em alturas diferentes, os poemas visuais deste livro, da exposição em Madrid e do livro com os trabalhos da exposição, pertencem à mesma série, embora nos três casos existam obras diferentes e inéditas.
Para contactos: escrituras@escrituras.com.br
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CONTRADICÇÕES
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se retraço / se refaço / se prossigo e mais não digo /
se repasso e não trespasso / se redigo e não consigo /
se me engraço e no compasso / ameaço e lá religo /
porque o faço ?/ porque traço?/
porque maço ?/ porque sigo ?
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se espero e desespero / se não quero e me redimo /
se não esmero / pois não quero / se fero, firo e afirmo /
se refiro e não confiro / largo, tiro e animo /
porque opero ?/ que tolero ?/
porque gero ?/ o que estimo ?
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se ocupo e não me culpo / se desculpo e não consinto /
se exulto e em vão oculto / se permuto e não me minto /
se não esqueço e enlouqueço / se mereço o labirinto /
porque expresso ?/ porque acesso?/
se regresso e lá repinto ?
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se envolvo e não resolvo / se promovo e mal não passo /
se osculo e sim discorro / se ocorre e não me escasso /
se parece e transparece / se na prece não me enlaço /
quem esquece ?/ que acontece ?/
porque aquece ?/ que desfaço ?
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se acorro e lá percorro / se do pranto faço encanto/
se aprovo e não recorro / e o recanto é sacrossanto /
se escorro e subo o morro / adianto e entretanto /
porque incorro ?/ porque morro ?/
se socorro e faço tanto ?