quinta-feira, 23 de dezembro de 2010


PERFORM’ARTE
I  ENCONTRO NACIONAL
DE PERFORMANCE

Não quero terminar o ano sem assinalar o 25º Aniversário da realização de PERFORM’ARTE – I ENCONTRO NACIONAL DE PERFORMANCE, que ocorreu de 13 a 28 de Abril de 1985, nos Claustros do Convento da Graça, na Galeria Nova, na Galeria Municipal e no Salão dos Bombeiros Voluntários, em Torres Vedras.

Na sequência das Alternativas - Festivais Internacionais de Arte Viva, organizados pelo crítico sediado em Paris Egídio Álvaro, realizadas entre 1981 e 1985, primeiro em Almada e a última em Cascais, eu e o Manoel Barbosa decidimos avançar com a organização de um Encontro que reunisse todos os performers portugueses activos nessa altura, na qual tivemos o apoio da Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, através do professor (e meu ex-colega na E.S.B.A.L. Aurelindo Ceia), autor do magnífico cartaz e do catálogo do Encontro. E devo dizer que em 1985, uma estrutura independente editar um catálogo de 84 páginas, impresso num bom papel e com um design profissional, era extremamente complicado, ainda que para isso a C.C.C.T.V. tivesse conseguido o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

Mas a nossa preocupação não foi apenas a de organizar um Encontro de performers, com toda a difícil logística por falta de meios, mas o de dar uma visão mais alargada do que tinha sido a performance em Portugal até esse momento, assim como o de apresentar artistas que apesar de não serem performers, criavam obras em áreas afins.

E a par da apresentação de performances durante 3 dias, foi feita uma exposição bibliográfica com fotografias, recortes de imprensa, e toda a espécie de documentos produzidos pelos artistas participantes, e uma exposição foto-documental de homenagem a José Conduto, isto na Galeria Nova, onde o Manoel Barbosa apresentou também uma conferência sobre esta temática.

Na Galeria Municipal foram expostas obras de Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes, Fernando Aguiar, Gerardo Burmester, Helena Almeida, Joana Rosa, Manuel Casimiro, Silvestre Pestana, e exibiram-se vídeos de António Barros, António Palolo, Ção Pestana, Grupo VideOporto, Manoel Barbosa, Rui Castelo Lopes, Rui Órfão, Silvestre Pestana e de Vitor Rua.

Para além de objecto estético e de conter os textos de apresentação dos organizadores, o catálogo inseriu uma componente mais teórica com o meu texto “Performance: a Intervenção Viva”, e uma “Cronologia Essencial”, de 1961 a 1985, de Manoel Barbosa, onde pela primeira vez se apresentou uma recolha mais ou menos exaustiva das apresentações no campo performático em Portugal. Isto para além das biografias, das fotografias de performances e de alguns textos dos restantes participantes.

Segundo o programa que editámos na altura (e a esta distância não garanto que não tenha havido alguma alteração) no dia 26 de Abril apresentaram os seus trabalhos Albuquerque Mendes, António Barros, António Melo, Grupoartitude 01 (António Barros, Rui Orfão, Isabel Carlos, Isabel Pinto, João Torres e José Louro), Ção Pestana, Gerardo Burmester e Rui Órfão, no dia 27 de Abril Armando Azevedo, Elisabete Mileu, Manoel Barbosa, Telectu, Pedro Tudela e Silvestre Pestana e, no dia 28 de Abril, António Olaio, Ícaro, Carlos Gordilho, Fernando Aguiar, Joana Rosa, Miguel Yeco e D. W. Art.

É claro que cada um destes dias merecia uma postagem independente, até para poder incluir fotografias das performances de todos os participantes, mas por falta de tempo isso ficará para uma outra oportunidade.

Devo no entanto referir que, ao contrário de agora acontece, em que a imprensa dispensa apenas uma ínfima parte da sua atenção às iniciativas culturais e, ainda assim, apenas a alguns (sempre os mesmos) nomes e espaços culturais, em 1985 conseguimos uma ampla cobertura da imprensa, com inúmeros artigos, a maior parte dos quais com fotografias, com muitos jornais a referirem-se a PERFORM’ARTE mais do que uma vez e a dedicarem-nos páginas inteiras. Refiro os principais: Diário de Notícias, O Dia, Primeiro de Janeiro, O Globo, TV Guia, Badaladas, Jornal de Notícias, Correio da Manhã, Jornal de Letras, Artes e Ideias, Êxito, A Capital, O Diário, O Jornal, Grande Reportagem, Comércio do Porto, Se7e, Diário Popular, Tempo e o Diário de Lisboa.


António Olaio

 Elisabete Mileu

Gerardo Burmester

 Miguel Yeco

 Manoel Barbosa + Telectu

Carlos Gordilho

António Melo

Silvestre Pestana

domingo, 19 de dezembro de 2010


FRANTICHAM’S
ASSEMBLING BOX 8

Francis Van Maele editou mais um número da sua já emblemática FRANTICHAM’S – ASSEMBLING BOX, que neste momento será das mais importantes revistas de artista internacionais, pela regularidade dos números já editados, pelo nome dos participantes mas, principalmente, pela qualidade das obras incluídas.

A temática é o movimento Fluxus e a poesia visual entendida num âmbito alargado, mas o tema é apenas o ponto de partida para cada um dar largas à imaginação.

E o resultado vai surpreendendo a cada edição. Os 23 colaboradores de cada número enviam 40 múltiplos com um carácter original, numerados e assinados, o Francis coloca-os numa caixa feita artesanalmente com a tampa serigrafada por si próprio e, depois de distribuídos pelos autores e organizador, ficam apenas 15 exemplares para serem vendidos a 75 € cada.

Este número 8 tem a participação de Demosthenes Agrafiotis, Fernando Aguiar, Hartmut Andryczuk, Vittore Baroni, John M. Bennett, J. M. Calleja, György Galántai, António Goméz, Klaus Groh, Richard Kostelanetz, Serse Luigetti, Emílio Morandi, Pete Spence e Francis Van Maele, entre outros.



Fernando Aguiar, "Consecução ou o Efeito", 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010



VISUELLE POESIE AUS PORTUGAL


No final dos anos 80 recebi do Prof. Karl Riha, da Universidade de Siegen, o convite para publicar um livro com poemas visuais meus na prestigiosa (pelo menos para os poetas visuais de todo mundo) colecção “experimentelle texte” que, na altura, editava obras de relevantes poetas internacionais (Klaus Peter Dencker, Pierre Garnier, Valeri Schestjanoi, Rea Nikonova/Serge Segay, Uwe Warnke, Hartmut Andryczuk, Hansjörg Zauner, Ernst Jandl…).

Como na altura andava mais entusiasmado com a organização e a divulgação da Poesia Experimental Portuguesa (tinha organizado nos anos anteriores o 1º Festival Internacional de Poesia Viva (1987), o número da revista francesa “DOC(K)S” dedicada a Portugal (1987), a exposição e o catálogo/antologia “MAPPE DELL’IMAGINARIO, em Itália, a exposição e o catálogo “POESIA: OUTRAS ESCRITAS, NOVOS SUPORTES”, no Museu de Setúbal (1988), a exposição e o catálogo “CONCRETA. EXPERIMENTAL. VISUAL – Poesia Portuguesa 1959-1989, com o Gabriel Rui Silva, em Bolonha, (1989), a revista norte-americana “SCORE” Nº 10, dedicada a Portugal (1989), e a série de textos e de poemas visuais publicados em 6 números da revista “ENCONTRO”, suplemento do “Jornal de Notícias”, também em 1989, para além de outras exposições e Performances, no Atelier 15, em Lisboa, na Casa de Serralves, no Porto, na Galeria Municipal da Amadora, tudo isto entre 1987 e 1989), propus editar, em vez de um livro meu, uma antologia de Poesia Visual Portuguesa, que acabou por ser publicada já em 1990, o que perfaz agora 20 anos sobre a sua publicação.

Mais tarde receberia um novo convite de Karl Riha (que, em conjunto com o Prof. Siegfried J. Schmidt foram os impulsionadores da colecção) e, em 1994, foi editado pela “experimentelle texte” o meu livro “MINIMAL POEMS”.
Voltando a “VISUELLE POESIE AUS PORTUGAL”, título da antologia, integrou um texto introdutório de minha autoria, publicado em português, inglês e em alemão, e obras de César Figueiredo, Armando Macatrão, Ana Hatherly, Emerenciano, Salette Tavares, Fernando Aguiar, José-Alberto Marques, Antero de Alda, António Barros, Abílio-José Santos, Alberto Pimenta, Rui Zink, António Aragão, António Dantas e António Nelos.

Após a reforma do Prof. Karl Riha, a Universidade alemã de Siegen, resolveu não dar continuidade à colecção e os livros editados esgotaram-se rapidamente. Há uns anos contactei a Universidade para me venderem exemplares dos meus dois livros, mas a resposta foi que há muito que ambos estavam esgotados (penso que as edições eram de apenas 300 exemplares…)


António Aragão, "Attention", 1984

Ana Hatherly, "Letter Full of Hope", 1975

José-Alberto Marques, "Ex-Escritas", 1983

Fernando Aguiar, "Variação sobre Ditongo", 1978

Abílio-José Santos, "Escrita"

 António Nelos, "De-vo-ta"

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010


 ENCONTRE INTERNACIONAL DE
PERFORMANCE I POESÍA FONÈTICA

A Homenagem ao poeta Miguel Hernández – Encontre Internacional de Performance i Poesía Fonènica – decorreu nos dias 19 e 20 de Novembro no Centre de Cultura Contemporània d’Elx L’Escorxador, em Elche, promovido pela Universitas Miguel Hernández.

L’Escorxador é um antigo matador transformado em Centro Cultural, com auditório, ateliers, salas de exposição, etc. e, pelos vistos, está a ser um (bom) hábito das autarquias castelhanas transformarem os matadores em espaços culturais, como aconteceu, por exemplo em Madrid, onde no ano passado também apresentei uma intervenção poética no Matadero Madrid que, actualmente, é um dos mais importantes locais da cultura vanguardista da capital espanhola.

Tive a oportunidade de encontrar neste Festival, organizado por Bartolomé Ferrando, amigos antigos e recentes, considerando que apenas não conhecia pessoalmente Montserrat Palacios e Josep Sou, poeta cuja obra visual admiro desde o final dos anos 80.

Os participantes foram Nelo Vilar, Esther Ferrer, Bartolomé Ferrando e Montserrat Palácios na sexta-feira e, no dia seguinte, Eduard Escoffet, Julien Blaine e Josep Sou, cabendo-me a mim encerrar o Encontro.

O Festival foi de alto nível, com um conjunto de muito boas intervenções estéticas, sonoras e fonéticas. De referir a excelência com que fomos tratados durante a nossa estadia em Elche, uma tranquila e simpática cidade com os jardins repletos de Palmeiras, a cerca de 20 km de Alicante. Aliás, quando cheguei, na quinta-feira à noite, a sensação que tive foi que o centro de Elche estava dentro de um imenso Palmeiral…


Esther Ferrer

 Josep Sou

 Mercedes Palacios

 Nelo Vilar

 Bartolomé Ferrando

 Eduard Escofet

 Fernando Aguiar

 Julien Blaine

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010


POESIA VISUAL:
É PRECISO MEXER COM A PALAVRA

Em Abril de 1985, eu e o Luiz Fagundes Duarte organizámos para o “Jornal de Letras, Artes e Ideias” Nº 145 um dossier sobre  poesia visual, que teve continuidade no número seguinte, com um texto do Silvestre Pestana sobre poesia informacional.

O dossier, para além do artigo de Luiz Fagundes Duarte “Para a história do futuro”, integrou os textos “Experimentalismo e investigação” de Ana Hatherly, “Electrografia e comunicação estética”, de António Aragão, o meu texto “A in(ter)venção poética”, e uma página inteira dedicada a poemas visuais de António Barros, Antero de Alda, José-Alberto Marques, Abílio-José Santos, E. M. de Melo e Castro, Silvestre Pestana e Fernando Aguiar.

Depois do suplemento Especial do “Jornal do Fundão”, organizado em 1965 por António Aragão e por E. M. de Melo e Castro, e deste dossier no “Jornal de Letras”, saído vinte anos depois, apenas em 1993 (1/10/93) foi publicado num jornal - “Gazeta das Caldas” - um suplemento dedicado à poesia experimental portuguesa. Se não contarmos com os artigos publicados na revista “Encontro”, que integrava ao fim de semana o “Jornal de Notícias”, e que em 1989 publicou durante seis números, textos e poemas sobre a experimentalidade poética em Portugal, também coordenados por mim.

Antero de Alda, "Repetições acentuadas / Poema sintomático III"

Abílio-José Santos, "Homenagem ao Polaco ateu e anticlerical desconhacido"

E. M. de Melo e Castro, "Projecto de silêncio"

José-Alberto Marques, "Geopoema"

Fernando Aguiar, "Ensaio para uma nova expressão da escrita Nº155"

Silvestre Pestana, (sem título)

sábado, 27 de novembro de 2010

PROJECTO EDITORIAL
BANDA LUSÓFONA

O incansável Floriano Martins criou este ano o Projecto Editorial Banda Lusófona como complemento ao Projecto Editorial Banda Hispânica, um imenso laboratório de escritores sul-americanos e espanhóis.

A Banda Lusófona pretende seguir o mesmo caminho e conta já com escritores de Angola, Brasil, Cabo-verde, Guiné, Moçambique, Portugal e de São Tomé e Príncipe.

Os poetas portugueses representados são Alberto Pimenta, José do Carmo Francisco, Ana Hatherly, Luiza Neto Jorge, Ana Marques Gastão, Manuel António Pina, António Barahona, Manuel Gusmão, Armando Silva Carvalho, Maria Estela Guedes, Maria Teresa Horta, Cruzeiro Seixas, Nicolau Saião, Dalila Teles Veras, Nuno Júdice, Fernando Aguiar, Pedro Tamen, Rosa Alice Branco, José-Alberto Marques e Sylvia Beirute, entre outros.


Como ilustração fica o poema “A Força Daquele Fogo” do meu livro “TUDO POR TUDO”, publicado o ano passado pela Escrituras Editora de S. Paulo, numa colecção dirigida precisamente pelo Floriano Martins.


A FORÇA DAQUELE FOGO



prendo a prenda com que aprendo

repreendo a presa e digo logo

reforço a força com que defendo

a frase maior daquele fogo.



a face firo e na forca enformo

a fístula ínfima insofismada

do facto tiro mas não retorno

à frase feita que não diz nada.



trago o esforço com que traço

retraço o espaço no retrocesso

meço a laço enquanto refaço

o processo escasso e adormeço.



na larga corda com que medeio

me dou e leio o lírico lado

se ladro louco lá fico no meio

do lodo do lago logo afogado.



terça-feira, 23 de novembro de 2010


POEMOGRAFIAS
EXPOSIÇÃO ITINERANTE DE POESIA VISUAL

Com a aproximação do final do ano, começa a ficar pouco tempo para lembrar alguns projectos que fazem agora 25 anos, como é o caso de PERFORM’ARTE – I Encontro Nacional de Performance, que co-organizei com o Manoel Barbosa e com a Cooperativa de Comunicação e Cultura de Torres Vedras, do livro POEMOGRAFIAS – Perspectivas da Poesia Visual Portuguesa, e da exposição que lhe esteve associada, ambos organizados por mim e pelo Silvestre Pestana (factos recordados no mês passado quando, curiosamente, nos encontrámos os três, juntamente com outros performers que participaram em PERFORM’ARTE, durante o Encontro LINE UP, que decorreu no final de Outubro em Coimbra, e que também será objecto de uma postagem, assim que me forem enviadas fotografias das performances realizadas).

Considerando que em Setembro do ano passado recordei o livro POEMOGRAFIAS, a propósito de ter feito nesse mês 26 anos que conheci a quase totalidade dos poetas “históricos” da Poesia Experimental Portuguesa, falemos então de “POEMOGRAFIAS – Exposição Itinerante de Poesia Visual”, que foi organizada na sequência da publicação do livro, que considerámos desde logo ser uma componente importante do projecto POEMOGRAFIAS, atendendo ao facto do nosso trabalho não se reduzir à bidimensionalidade da página do livro, mas igualmente para ser exposto e apresentado noutros suportes, como a instalação, objecto ou a performance.

Com um catálogo de 24 páginas patrocinado pela Fundação Calouste Gulbenkian, a exposição foi apresentada durante 1985 na Galeria Diferença, em Lisboa (21 de Janeiro a 8 de Fevereiro), na Galeria Nova, em Torres Vedras (2 a 16 de Março),na Galeria Municipal de Arte, em Évora (5 a 26 de Maio) e na Galeria C.A.P.C, em Coimbra (16 a 30 de Novembro). Esteve também prevista uma apresentação na Galeria Mercado de Escravos, em Lagos, durante o mês de Julho, mas como a direcção da galeria não assegurava o acompanhamento da exposição, e eu não tive possibilidade de ficar 15 dias em Lagos, optei por não a apresentar nessa cidade.

Seria interessante falar separadamente de cada uma das 4 apresentações, porque todas elas tiveram características diferentes relacionadas com os espaços e com a disponibilidade dos poetas para participarem e realizarem leituras ou performances. Mas por manifesta falta de tempo, deixarei isso para uma outra oportunidade.

Talvez para quando se comemorar os 30 anos sobre a sua apresentação…

Participaram na exposição todos os poetas representados no livro, isto é, Abílio-José Santos, Alberto Pimenta, Ana Hatherly, Antero de Alda, António Aragão, António Barros, E. M. de Melo e Castro, Fernando Aguiar, José-Alberto Marques, Salette Tavares e Silvestre Pestana.

Nas inaugurações foram apresentadas leituras ou performances por Salette Tavares, Alberto Pimenta e E. M. de Melo e Castro, na Galeria Diferença, Alberto Pimenta na Galeria Nova em Torres Vedras e na Galeria Municipal de Évora, e de E. M. de Melo e Castro e Fernando Aguiar, na Galeria C.A.P.C.


 Salette Tavares, Gal. Diferença

Alberto Pimenta, Gal. Diferença

  E. M. de Melo e Castro, Gal. Diferença

 Alberto Pimenta, Gal. Nova

 Alberto Pimenta, Gal. Mun. de Évora

 Alberto Pimenta, Gal. Mun. de Évora

 E. M. de Melo e Castro, Gal. CAPC

 Fernando Aguiar, Gal. CAPC

sexta-feira, 19 de novembro de 2010


DELTA

A revista japonesa DELTA – Revue Internationale pour la poésie expérimentale, é uma publicação dirigida por Shin Tanabe, na qual já participei algumas vezes.

Nesta DELTA Nº 28, e para além dos poemas ideográficos japoneses, os quais, obviamente, não entendo, participam na secção dedicada à poesia visual internacional, que é uma característica desta revista, Bartolomé Ferrando, Ryosuke Cohen, Demosthenes Agrafiotis, Fernando Aguiar, Franco de Bernardi, Guy R. Beining, Hans Brög, John M. Bennet, Julien Blaine, Scott Helmes e o próprio editor.

Junto com a DELTA, chegou-me um pequeno livro de poemas visuais intitulado “Inscribed Poem”, de autoria de Shin Tanabe, com uma cuidada impressão, como é comum nas publicações japonesas.



Fernando Aguiar, "Ser + ou - Poemas", 2004

domingo, 14 de novembro de 2010


VOIX DE LA MÉDITERRANÉE


O 13º Festival de Poésie – VOIX DE LA MÉDITERRANÉE decorreu em Lodève, entre os dias 17 e 25 de Julho, numa série de locais desta pequena cidade francesa, desde os mais usuais e lógicos aos mais inusitados como, por exemplo, dentro de um riacho, conforme demonstra a capa do programa.

Foram convidados cerca de uma centena de poetas dos países banhados pelo mediterrâneo, e cada um faz uma série de leituras em diversos espaços pelo que, durante os nove dias que decorre o Festival, há leituras ininterruptas desde as 10.00 até às 21.00 horas, ao que se seguem os espectáculos musicais, entre os quais o da fadista Cristina Branco. Paralelamente decorre o Marché de la Poésie, com a presença de mais de uma centena de pequenos editores, muitos dos quais com um catálogo de livros-objecto e de revistas alternativas.

Participei no VOIX DE LA MÉDITERRANÉE em 1999 e em 2007. Este ano fui novamente convidado para participar e para fazer parte do Comité Internacional, juntamente com Bartolomé Ferrando, Henri Deluy, Bernard Nöel, Démosthène Agrafiotis, Nani Balestrini, Giovanni Fontana, entre outros poetas da Palestina, Roménia, Turquia, Líbano, Croácia e da Argélia.

Aceitei o convite para o Comité Internacional, mas como já me tinha comprometido com o Belô Poético – 6º Encontro Nacional de Poesia de Belo Horizonte, que se realizou na mesma altura, não foi possível estar este ano em Lodève.

Edição que deve ter sido de grande qualidade pelo número de poetas envolvidos e pela qualidade dos mesmos. Foi publicada uma antologia com obras de todos os participantes e vou registar algumas das presenças, a começar pela participação portuguesa, Rosa Alice Branco (que, curiosamente, conheci em Lodève, em 1999, na companhia de Egito Gonçalves – penso que nesse ano fomos os únicos portugueses participantes. Em 2007 estive com o Américo Rodrigues e o Casimiro de Brito).

Mas, prosseguindo com os participantes, temos Joan Casellas, Edith Azam, Julien Blaine, Michel Collet, Marc Delouze, Liliane Giraudon, Michèle Métail, Serge Pey, poetas de Marrocos, Sérvia, Síria, Tunísia, Iraque, Israel, Jordânia, Kosovo, Líbia, Macedónia, Malta e muitos dos poetas que fazem parte do Comité Internacional.

Resta dizer que Jean-François Bory, um dos mais conceituados poetas experimentais franceses, com quem estive em Junho, na Sardenha, a participar no Festival “Poesia Azioni e Parole”, organizou uma exposição de poesia visual que vai dos futuristas italianos, e dos dadaístas, aos poetas Fluxus, concretistas e visuais, na qual também estive representado, juntamente com os outros autores que participaram no Festival da Sardenha, onde realizámos uma obra especificamente para esta exposição, e que vão ser editadas em serigrafia, pela Editorial Al Dante, de Paris, com uma tiragem de apenas 28 exemplares.

terça-feira, 9 de novembro de 2010


ART & ANARCHIE

André Robèr organizou para as Editions K’A a antologia ART & ANARCHIE com vários dos autores que colaboram regularmente na revista parisiense “ANARTISTE”, que publicou até agora 14 números.

A antologia, de 226 páginas, é constituída sobretudo por textos (teóricos, críticos e filosóficos) alguma poesia verbal e visual, fotografia e banda desenhada (pouca de ambas).

Dos 20 autores refiro Serge Pey, Luc Fierens, Julien Blaine, Camilo Capolongo, Patrício Salcedo, André Robèr e Cathy Heyden.

De minha autoria foram incluídos 4 poemas visuais de 2006 e 2007, três deles da série “Alfabeto”.



Fernando Aguiar, "Hh", 2007

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

FERNANDO AGUIAR
Poesia Visual 1972 - 2005

Integrada igualmente no XVIII Congresso Brasileiro de Poesia, realizou-se uma exposição com cerca de 60 dos meus poemas visuais, criados entre 1972 (data dos primeiros poemas experimentais que escrevi), até 2005, revelando as diversas fases do meu trabalho.

Esta exposição foi apresentada na Galeria do S.E.S.C., juntamente com a XV Mostra Internacional de Poesia Visual, este ano intitulada “Linguagens Internacionais da Poética Visual”, que organizei a convite de Ademir A. Bacca, o organizador do Congresso.

O Congresso Brasileiro de Poesia decorre na cidade de Bento Gonçalves, no Brasil, sempre durante o mês de Outubro.

Mas o melhor é ficarmos com alguns dos poemas que estiveram expostos.



NO, 1998

Ensaio Deste Tamanho, 1980

Ensaio para uma Nova Expressão da Escrita, 1984

Soneto Ecológico, 2005

Soneto de Lixo com Moldura de Luxo, 1989
(Homenagem a Augusto de Campos)

Paz na Terra, 1978