quinta-feira, 6 de novembro de 2008

THE LETTER AS WORK OF ART
Inaugurou no dia 1 de Novembro na Galeria Pedro Serrenho – Arte Contemporânea, a minha instalação “THE LETTER AS WORK OF ART”, constituída por 50 poemas visuais e por duas esculturas em aço inoxidável, realizadas este ano.
Passo a transcrever excertos do texto que escrevi para o desdobrável da instalação: “Essas obras foram produzidas em cerca de 2 meses, entre o final de 1991 e o princípio de 1992, com o objectivo de criar poemas visuais com um número mínimo de elementos, valorizando a componente formal desses “poemas” que, em muitos casos, se resumiam apenas a uma letra trabalhada estética e criativamente no pequeno espaço de uma folha.
Foram realizadas cerca de 100 pequenas obras sob o conceito “a letra é o poema”, onde a letra, a pontuação ou a acentuação, enfim todo e qualquer sinal gráfico que pudesse ser utilizado na comunicação no âmbito da cultura ocidental, resultasse na obra de arte. O que obviamente não foi fácil. A partir dos resultados obtidos, foram posteriormente desenvolvidos esboços para pinturas, esculturas em pedra, esculturas em metal, obras em metal para parede e instalações, que continuam ainda em projecto.
É uma selecção desse trabalho de pesquisa/produção que agora se apresenta, resultando os elementos expostos num ambiente onde a temática são as letras, a forma e o corpo destas, dando origem a obras que perderam a força da semântica para privilegiarem uma comunicação que se efectua pela(s) forma(s) e pelos materiais em que esses grafemas são apresentados.”
…
“Várias destas obras foram, ao longo dos anos, publicadas em revistas e em jornais culturais em Portugal, Espanha, Brasil, Itália, Canadá, Holanda, Austrália, U.S.A., França, Hungria e na Jugoslávia, em antologias literárias em Espanha e no Canadá e em catálogos de exposições na Polónia, Brasil, França, Espanha e em Portugal. Em 1994 a editora da Universidade de Siegen, na Alemanha, publicou na sua colecção “experimentelle texte”, o livro “Minimal Poems”, com 35 dessas obras minimalistas.”
Simultaneamente inaugurou a exposição de pintura do Vitor Pinhão, um dos melhores desenhadores que existem neste país.
A Galeria Pedro Serrenho fica na Rua Almeida e Sousa Nº 21, em Campo de Ourique, e está aberta de Terça a Sábado das 11.00 às 13.00 e das 14.00 às 20.00 horas. Tel. 21.393.07.14

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

LA HOJA M
Da cidade de Chajarí, na Argentina, chegou-me o Nº 4 da pequena revista LA HOJA M, com um texto introdutório de Clemente Padin e uma colagem original na contracapa feita por Sílvia Lissa, a editora da revista.
A participação é internacional, maioritariamente poetas visuais, e entre os autores estão António Cares, José Manuel Figueiredo, Walter Pennachi, Nadia Poltos, Vittore Baroni, Manuel Sainz Serrano, Lancilloto Bellini, Fernando Aguiar, Tiziana Baracchi, Antoni Miró e Artemio Iglesias.
O trabalho do Artemio é um poema visual que ele teve a amabilidade de me oferecer e do qual eu gosto muitíssimo. Aí vai:
Artemio Iglesias

domingo, 26 de outubro de 2008

POÉSIE MARSEILLE
Entre os dias 20 e 22 de Outubro decorreu em Marselha o 5ème FESTIVAL POÉSIE MARSEILLE, organizado por Julien Blaine e por Jean-François Meyer.
As acções realizaram-se em vários locais desta simpática cidade com apresentações mais “literárias”, como as que foram apresentadas nas livrarias, e outras mais “performáticas”, como as que tiveram lugar nos outros espaços.
Os participantes e os locais foram, pela ordem de apresentação, os seguintes: Marina Mars, Fernando Aguiar, Bartolomé Ferrando e Giovanni Fontana, na Chapelle de la Vielle Charité. Nessa noite inaugurou a exposição de poesia visual de Sarenco, onde interveio um músico que teve uma “mãozinha” dos poetas presentes.
Na Librairie la Touriale leram os seus poemas Jean-François Bory, Olivier Domerg e Fréderic Ohlen, e à noite, na Librairie L’Odeur du Temps, Florence Pazzottu, Démosthène Agrafiotis e Arno Calleja.
No último dia houve leituras na Librairie Histoire de l’Oeil, com Cécile Mainardi e Jean-Michel Espitalier; à tarde, na Galerie Où, as performances de Jacqueline Cahen, Nathalie Thibat e de Didier Calleja.
Para terminar houve no restaurante-bar La Caravelle, uma “noite mediterrânica” com leituras de Démosthène Agrafiotis, Fernando Aguiar, Giovanni Fontana e Julien Blaine.
Será editado um catálogo do Festival a ser lançado durante a próxima edição, tal como aconteceu agora com o catálogo do 4ème Festival POÉSIE MARSEILLE.
Bartolomé Ferrando
Jean-François Bory
Juliene Blaine
Démosthène Agrafiotis
Giovanni Fontana
Frédéric Ohlen
Fernando Aguiar
Fernando Aguiar, Sarenco, Démosthène Agrafiotis, Giovanni Fontana, Julien Blaine, Jean-François Bory, Bartolomé Ferrando

sábado, 18 de outubro de 2008

LA MÁS BELLA
De Pega
LA MÁS BELLA é uma curiosa revista-objecto dirigida por Diego Ortiz e por Pepe Murciego, cujos números têm suportes completamente diferentes. Desta vez com uma edição de 1.000 exemplares, porque as tiragens nem sempre são iguais.
Este número “De Pega”, vem numa caixa que contém um tabuleiro com uma trincha e um barrete (desenhados por Nuria Mora), cola em pó para papel de parede e fita-cola com a marca “La Más Bella”.
Depois tem selos de artista (María Marticorena, Merz Mail, Cuco Suárez, Los Torreznos, Clemente Padin…) auto-colantes (António Goméz, Francesc Vidal, Natalía Pastor…), um cartaz colectivo, papel pintado para parede (Carlos Pazos), e um estreito catálogo da “La Más Bella na Zé dos Bois”, uma sessão e performances realizada em Dezembro de 2007 na Galeria ZDB, com Yolanda Pérez Herreras, Hilário Alvarez, Fernando Aguiar, Joan Casellas, Nieves Correa, Pepe Murciego & Roxana Popelka e Carlos Llavata.
Publicada pela primeira vez em 1993, LA MÁS BELLA já editou 30 números com um total de cerca de 500 colaboradores.
Diego Ortiz e Pepe Murciego são igualmente os autores da Bellamátic, uma máquina de venda automática, onde se pode adquirir catálogos, revistas, CD’s, livros, vídeos, e que tem sido apresentada em galerias, Festivais de poesia e de performance, sempre com sucesso artístico (porque também é um objecto de arte) e de vendas.

domingo, 12 de outubro de 2008

DEZFACES
DEZFACES foi o título de um jornal cultural do qual saíram dez edições entre 2006 e 2007, que incluiu sobretudo poesia contemporânea a primar pela qualidade de cerca de 150 colaboradores, maioritariamente de Belo Horizonte.
O jornal foi estruturado de modo a serem publicados apenas esses 10 números, sendo 8 deles dirigidos especificamente por cada um dos coordenadores, que se juntaram agora para editar esta antologia com a sua própria obra.
Como tenho o prazer de conhecer pessoalmente metade dos editores e de me corresponder com alguns dos restantes, tive o privilégio de ir recebendo todos os números publicados, e agora esta belíssima DEZFACES, em forma de livro, que reflecte na obra dos coordenadores a qualidade literária patente no jornal.
São eles: Rogério Barbosa da Silva (que escreveu o prefácio), Adriana Versiani, Álvaro Andrade Garcia, Ana Caetano, Camilo Lara, Carlos Augusto Novais, Luciana Tonelli, Marcelo Dolabela, Vera Casa Nova e Marcelo Kraiser, com quem gravei, juntamente com Paola Rettore, alguns vídeo-poemas durante o Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina, 2006.
No texto-poema “à moda de manifesto: as poéticas experimentais e outros que tais”, de Vera Casa Nova é referido o meu nome, que constitui o “link” para esta breve apresentação. Vera Casa Nova é uma professora/poeta “de mão cheia” como diriam no Brasil, da qual recebi os seus livros “Elipses” (poesia), “Fricções – traço, olho e letras” (Ensaios) e “Corpos Seriais” (poesia, com micro-paisagens de Marcelo Kraiser.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

BRAIN CELL Nº 719
Não sei exactamente como hei-de classificar esta originalíssima publicação, se é que se pode considerar, sequer, uma publicação. Habituados que estamos às classificações e a colocar tudo em cacifos pré-organizados, esta obra (pelo menos acho que a posso designar assim) escapa a tudo o que tenho visto ao longo destes 35 anos de actividade criativa.
BRAIN CELL é editada com intervalos de 8 a 12 dias, vai na edição 719 e é constituída por uma folha A-3 impressa por um processo que à primeira vista parece serigráfico, mas será certamente uma electrografia (embora não seja uma tradicional fotocópia a cores), com uma tiragem de 130/150 exemplares normalmente numerados e assinados.
É constituída por endereços, fotografias, logótipos, desenhos, carimbos e por colagens de pequenas tiragens em papel enviadas pelos colaboradores. Este material é trabalhado criativamente pelo Ryosuke Cohen, o autor da façanha, e é depois enviado aos participantes (cerca de 50 por cada edição), publicações em vários países e até para exposições internacionais.
Quando em 1987 organizei o 1º Festival Internacional de Poesia Viva no Museu Municipal Dr. Santos Rocha, na Figueira da Foz, a participação do Ryosuke Cohen (artista de Osaka) consistiu numa instalação com mais de duas dezenas de edições de BRAIN CELL.
Daí para cá tenho participado em vários números desta aventura, que é igualmente de louvar pela longevidade e regularidade com que o artista/editor a produz.
Na imagem, um pormenor da edição Nº 719.

sábado, 27 de setembro de 2008

LUMINĂ LINĂ
LUMINĂ LINĂ / GRACIOUS LIGHT – Ano XIII Nº 1 é uma revista de cultura romena publicada em New York, escrita praticamente toda em romeno (excepto a peça de teatro de Gheorghe Ciprian).
Tem 160 páginas e apresenta para além da peça referida, teoria, história, prosa, crónica literária, reportagens, textos de opinião, críticas de livros, estudos sobre a cultura romena, e a secção “Universalia” onde apresenta poemas de 4 autores estrangeiros: Wislawa Szymborska (Polónia), vaghea Mihani-Steryu (Macedónia), Alex Amália Câlin (?) e dois poemas meus traduzidos pela professora Elena Liliana Popescu a partir da versão espanhola do poeta Manuel Moya e do tradutor colombiano Carlos Ciro.
Elena Liliana Popescu publicou o ano passado o livro de poemas “Cât de Aproape…/Lo Cerca que Estabas…”, em romeno e em castelhano pela Editura Pelerin, de Bucareste.
Como a língua romena tem algumas semelhanças com a nossa, não resisto a transcrever aqui um dos poemas publicados - “O Dedo”.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

SULSCRITO Nº 2
Editada pelo Círculo Literário do Algarve, em Faro, sob a direcção de Fernando Esteves Pinto, João Bentes e de Pedro Afonso, saiu o segundo número da revista de literatura Sulscrito.
Constituída pelo dossier “Palavra Ibérica” com Diana Almeida, António Orihuela, Miguel Godinho, Cármen Camacho e Luís Filipe Cristóvão, entre outros, e dando destaque aos vencedores do “Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2008”, Amadeu Baptista e Rafael Camarasa, a revista publica essencialmente poesia, um ensaio de Miguel Real e alguns contos.
Entre os restantes participantes estão Eduardo Halfon, Rui Dias Simão, Agustín Calvo Galán, Rodrigo Miragaia (com dois excelentes textos), Fernando Aguiar, José Emílio-Nelson, Rui Costa, José Luís Tavares e Maria do Rosário Pedreira. De destacar a bonita foto da contracapa de Paula Ferro. Para contactos: sulscrito@yahoo.com
O POSSÍVEL DA MEDIDA
Retocar
a seiva
do verbo.

Reflectir
no oculto
da face.

Retirar
o sentido
da rima.

Reservar
o rebordo
da espera

Remeter
à farsa
da fala.
Recear
o toque
no seio.
Reportar
ao trauma
do signo.

Restringir
na proporção
do medo.

Requerer
o oposto
da questão.
E repesar
o possível
da medida.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

OUSTE Nº 16
CRÉATION ET EXAGÉRATION
Editado pelas associações Féroce Marquise e Dernier Télégramme sob a direcção de Hervé Brunaux, saiu o último número da revista francesa OUSTE, de Périgueux, com uma bonita capa de Robert Combas.
São 100 páginas repletas de poemas, contos, fotografias e inúmeros poemas visuais, de autores como Clemente Padin, Alexandra Sá, Julien Blaine, Giovanni Fontana, Démosthène Agrafiotis, Lucien Suel, Quentin Pérochon, Jean-Luc Parant, Jean-Jacques Lebel, Michèle Métail, Thierry Tillier e Arianne Dreyfus, entre muitos outros.
A minha participação nesta OUSTE é com um poema visual feito em colaboração com Pete Spence, e que foi publicado pela primeira vez no livro “INSPISSATIONS”, editado em 1996 pelo Pete em Victoria, na Austrália, numa pequena tiragem, onde incluímos uma dezena de trabalhos feitos em conjunto.
Hervé Bruneaux é igualmente o organizador do Festival EXPOÉSIE, que se tem realizado nos últimos 7 anos na bonita e acolhedora cidade de Périgueux (participei na 1ª edição em 2002), no qual durante uma semana mais de 50 poetas e artistas apresentaram leituras e performances poéticas, música, vídeos, exposições e onde se realizou também uma feira do livro de revistas literárias e de arte.

Pete Spencer & Fernando Aguiar, "Inspissations", 1996

terça-feira, 26 de agosto de 2008

ANTÓNIO ARAGÃO
Falecido no dia 11 de Agosto no Funchal, António Aragão foi um dos precursores da Poesia Experimental em Portugal no início dos anos 60, e da electrografia durante os anos 80, seguido por um grupo de artistas como António Nelos, António Dantas e César Figueiredo, entre outros, que realizaram um importante trabalho nessa área, tendo sido o seu principal teorizador.
Como poeta experimental António Aragão teve uma importância fundamental na criação deste movimento, juntamente com Ana Hatherly, E.M. de Melo e Castro, Salette Tavares, e José-Alberto Marques, estando na origem das revistas “Poesia Experimental 1 e 2” (1964 e 1966), “Operação” (1967), Suplemento do “Jornal do Fundão” (1965) e da “Hidra 2” (1969).
Foi igualmente um dos autores do primeiro happening realizado em Portugal, “Concerto e Audição Pictórica”, juntamente com E. M. de Melo e Castro, Jorge Peixinho, Salette Tavares, Manuel Baptista, Clotilde Rosa e Mário Falcão, em 1965.
Como escritor, António Aragão publicou “Um Buraco na Boca” (1971), o primeiro romance experimental editado em Portugal, e alguns livros de poesia como “Folhema 1” e “Folhema 2”, ambos de 1966, “Os Bancos” (1975) e “Metanemas” (1981).
Em 1968 publicou “mais exacta mente p(r)o(bl)emas”, que foi o livro que fez despertar o interesse pela poesia experimental, e é um dos livros fundamentais na minha formação como poeta visual conforme referi várias vezes, incluindo num Congresso na Cidade do México em que ambos participámos. Transcrevo o final do prefácio do meu livro “Os olhos que o nosso olhar não vê” : “Para o António Aragão uma saudação muito especial porque, com o livro “MAIS EXACTA MENTE P(R)O(BL)EMAS”, comprado num alfarrabista aos 16 anos (juntamente com “POEMAS POSSÍVEIS” de um poeta então desconhecido e hoje Nobel da literatura) me levou irremediavelmente para esta forma de expressão poética.”
A obra do António Aragão ainda não foi estudada convenientemente para que lhe seja dado o destaque que merece na poesia contemporânea em Portugal.
Sempre tive uma enorme admiração e amizade pelo Aragão que participou em mais de três dezenas de actividades organizadas por mim entre Exposições, Festivais, Antologias poéticas e colectâneas de poesia experimental portuguesa publicadas em várias revistas internacionais, e prefiro deixar aqui algumas imagens inéditas deste importante criador e amigo.
Fernando Aguiar, António Aragão e Alberto Pimenta antes (ou depois) da realização de um poema visual conjunto, que esteve exposto na Galeria Diferença, 1985
António Aragão, Março de 1992
António Aragão, Março de 1992
César Espinosa, Fernando Aguiar e António Aragão, Cidade do México, 1990
Poema Visual de António Aragão, sem data
Capa do catálogo-antologia "Concreta. Experimental. Visual" (1989), com um poema visual de António Aragão de 1963

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

BIG ODE #5
POESIA & IMAGEM
“Pesadelo” é o tema do #5 da quadrimestral BIG ODE, com design e edição do Rodrigo Miragaia e coordenação da Maria João Lopes Fernandes.
Desta vez o formato é original: 5 folhas dobradas em 9 partes, resultando em 45 “páginas” num formato próximo do A-5. O design é muito bom (o índice originalíssimo), e a impressão de grande qualidade.
O conteúdo da revista mantém-se fiel ao publicado em números anteriores, o que quer dizer: textos, poesia verbal, poesia visual, bd e fotografia.
De Ângelo Mazzuchelli, António Orihuela, Constança Lucas, Fernando Aguiar, Fernando Esteves Pinto, Hilda Paz, João Samões, Miguel Jimenez, Serge Luigetti, Rute Mota, Francisco Carrola, João Concha, Rui Costa, Maria Calado Pedro, Margem d’Arte e Helen White, para além dos editores e outros autores.
A BIG ODE #5 contou com o apoio da Direcção-Geral das Artes, pode ser consultada no http://www.big-ode.blogspot.com/, e pedida através de bigodemagazine@gmail.com .

Fernando Aguiar, "Naufrágio", 1997

sábado, 9 de agosto de 2008

TERÇAS POÉTICAS
AO INTERIOR DE MINAS GERAIS
A segunda edição das “Terças Poéticas” fora de Belo Horizonte aconteceu no dia 18 de Julho em Cataguases, uma tranquila e bonita cidade no sul de Minas Gerais.
Cataguases aposta forte na cultura. Para além de ser a terra de grandes escritores como Ronaldo Werneck, Joaquim Branco ou P. J. Ribeiro e da lendária revista “Verde”, tem dois bonitos Centros Culturais e um Museu onde decorriam exposições temporárias, fora outros equipamentos similares que não tive oportunidade de conhecer nos dois (meios) dias que lá passei.
Ouvi falar de Cataguases pela primeira vez em 1996, quando a revista “Pensaminto” dirigida pela poetisa Idalina de Carvalho dedicou uma página aos meus poemas visuais, e depois, em 2002, quando colaborei no “Suplemento de Cataguases” pela mão (penso) do Joaquim Branco.
Por dificuldades financeiras, a “Pensaminto” terminou (assim como dezenas de publicações alternativas no Brasil) mas Idalina de Carvalho continua como activista cultural (para além de tomar conta de 90! crianças) e mantém, todos os domingos, na feira que se realiza na Praça Central, uma banca onde divulga vários livros de poesia, onde oferece alguns, e também jornais e outras publicações culturais. Nada é para vender: tudo é para consultar ou oferecer!!!
Regressando às “Terças Poéticas” organizadas pelo Wilmar Silva no Museu Chácara Dona Catarina com o apoio local do Ronaldo Werneck, foi uma noite bem agradável que se iniciou com a leitura de poemas de Guilhermino César (o poeta homenageado) por Renatta Barbosa, a que se seguiu uma leitura do poeta histórico Ronaldo Werneck, autor entre outros de 2 excelentes livros “Selva Selvaggia” e “Noite Americana Doris: Day by Night”, cujo trabalho já conhecia há vários anos e que tive agora o prazer de conhecer pessoalmente, pela simpatia com que nos recebeu e acompanhou durante a nossa estadia.
Depois foi a performance poética de Joaquim Palmeira e de Milton César Pontes, com a energia que caracteriza estes dois poetas mineiros, terminando a sessão de leituras com a minha intervenção.
A seguir foi a vez do artista Anand Rao, que musicou na hora poemas que lhe foram entregues na altura por alguns poetas que estavam a assistir ao evento. Quando o Wilmar me contou esta façanha do Anand, pensei que a qualidade do resultado não seria grande, mas enganei-me: Anand Rao é um muito bom improvisador e a sessão terminou animada com as suas canções.
Museu Chácara Dona Catarina
Ronaldo Werneck
Wilmar Silva e Milton César Pontes
Anand Rao