quarta-feira, 8 de abril de 2009

ART MADRID 09
Ainda não tinha tido a oportunidade de informar que também participei na 4ª Edição da Feira de Arte Contemporânea ART MADRID que se realizou de 12 a 16 de Fevereiro no Pabellón de Cristal de la Casa de Campo de Madrid, com a participação de 74 galerias europeias e latino-americanas, incluindo algumas portuguesas.
A decorrer em simultâneo com a AR.CO, a ART MADRID é considerada a segunda maior Feira ibérica dedicada à arte contemporânea internacional.
Participo nesta edição da ART MADRID no stand da Perve Galeria, juntamente com obras de Chirico, Dieter Roth, Leonor Fini, Picasso, Sónia Delaunay, Victor Brauner, Wilfredo Lam, Cruzeiro Seixas, Mário Cesariny, Artur Bual, Feito, Pedro Wrede, Gabriel Garcia, Joanna Concejo, Glenda Sburlin e Penk.
Fernando Aguiar, "We Love Visual Poetry", 1997

sexta-feira, 3 de abril de 2009

RAMPIKE
RAMPIKE é uma das revistas que mais vezes têm publicado material meu. Esta colaboração vem de 1988, e se é certo que desde há alguns anos faço parte do corpo de correspondentes internacionais desta importante revista de literatura e arte canadiana, a verdade é que Karl Jirgens, o editor da revista, vem desde o final dos anos 80 publicando regularmente os meus textos, fotografias de performances, poemas visuais ou então, como foi o caso destes dois últimos números, deu um especial destaque ao meu trabalho.
No número anterior a capa e a contracapa de RAMPIKE foram feitas com poemas visuais meus, e desta vez, no Vol. 18 / Nº1, o editor dedicou 6 páginas ao Soneto Ecológico, plantado em Matosinhos em 2005 e agora revisitado.
Para além do meu texto sobre o Soneto, com tradução de John Matias, são publicados 3 dos projectos que realizei na altura, fotografias do happening que constituiu a plantação do soneto no Dia da Árvore por cerca de 140 pessoas, e fotografias tiradas em Março de 2007, quando do arranjo paisagístico do Parque do Soneto e da construção do “Recanto da Poesia”.
Finalmente apresenta uma vista aérea do Soneto Ecológico, tirada do Google Maps, que dá a verdadeira dimensão deste Soneto vivo em relação ao Bairro da Seara, cujo comprimento abarca a largura de 7 dos edifícios deste novo bairro residencial.
Outras colaborações na RAMPIKE estão a cargo de Brenda Saunders, Brian Henderson, Noni boyle, Roy Miki, Judith Copithorne, Rita Wong, Paul Huebner e Christine Sy com textos, poemas, ilustração e fotografia.
Para uma espreitadela aérea (antes do arranjo paisagísitico) clicar em http://maps.google.pt/maps?hl=pt-PT&ie=UTF8&ll=41.187578,-8.673151&spn=0.000955,0.00176&t=h&z=19
Um dos projectos do Soneto Ecológico, 1985
Happening realizado no dia 21 de Março de 2005
Vista aérea do Google Maps

Inauguração da sinalética, 21 de Março de 2007

sábado, 28 de março de 2009

POESIA EXPERIMENTAL PORTUGUESA

NA COLECÇÃO DA FUNDAÇÃO DE SERRALVES
Nos Paços da Cultura de S. João da Madeira inaugurou no dia 22 a exposição POESIA EXPERIMENTAL PORTUGUESA - COLECÇÃO DA FUNDAÇÃO DE SERRALVES, que vai estar nesta cidade até ao dia 10 de Maio.
São apresentadas obras dos anos 60 até 1984 de Ana Hatherly, António Aragão, António Barros, E. M. de Melo e Castro, Fernando Aguiar, Salette Tavares e Silvestre Pestana.
João Fernandes, o comissário da exposição, diz na folha de sala: “Referenciada como concreta, visual e espacial noutros lugares, esta poesia vai em Portugal autonomear-se como experimental, manifestando assim uma relação com a análise científica do texto e da linguagem, assim como a manifestação do desejo de uma liberdade de experimentação que em Portugal se encontrava condicionada pelas regras da censura e da repressão política. Nos seus eventos, exposições, objectos e edições, os poetas experimentais surgem em Portugal como precursores das linguagens conceptuais e da arte processual, usando materiais pobres redefinindo o objecto de arte e insistindo na revelação do próprio fazer inerente à criação artística.
Vanguardistas em relação ao contexto literário e artístico português, sofrerão por outro lado uma marginalização consequente da radicalidade de muitas rupturas em relação a estes dois campos. Nos dias de hoje a Poesia Experimental Portuguesa é uma desconhecida de grande parte dos públicos literários e artísticos portugueses, apesar de representar um daqueles raros momentos em que no século XX, um conjunto de criadores foi em Portugal completamente contemporâneo do seu tempo, participando assiduamente em todas as exposições e publicações internacionais das mais significativas neste contexto.”
Mais informações podem ser disponibilizadas em http://www.pacosdacultura.blogspot.com/
Ana Hathertly e Salette Tavares
E. M. de Melo e Castro e Silvestre Pestana
António Aragão
Fernando Aguiar e António Barros
E. M. de Melo e Castro
A.Barros, S. Tavares, F. Aguiar e E. M. de Melo e Castro

terça-feira, 24 de março de 2009

PEQUENAS NAVEGAÇÕES
Cartas de Amor
Quem ler o subtítulo deste livro pensará inevitavelmente que vai ler a correspondência íntima entre dois (ou mais) apaixonados, mas está bem enganado.
As (pequenas) cartas escritas por Alckmar Santos, Frank Baez e por Paola Rettore, a autora do livro, revelam muita ironia, muita agressividade e algum ódio. Que contrastam com as colagens e as micropaisagens da autora e do Marcelo Kraiser.
Graficamente, PEQUENAS NAVEGAÇÕES é uma preciosidade, com um belíssimo design e uma muito boa impressão, a fazer sobressair um delicioso conteúdo.
A edição é da própria Paola Rettore, a directora e argumentista do livro, que conta com uma longa lista de colaboradores sobretudo na realização de “Graphonoptik”, o DVD que acompanha o PEQUENAS NAVEGAÇÕES, com uma dezena e meia de vídeos que podemos considerar igualmente como videocartas (ou videocartas de amor) de Marcelo Kraiser, com a participação de dançarinas, músicos, poetas e declamadores, entre os quais Alckmar Santos, Fernando Aguiar, Josie Cáceres, Marcelo Kraiser, e Vera Casa Nova.
Os dois vídeos nos quais participo com poemas e leitura dos mesmos, foram gravados em Diamantina, em 2006, durante o Festival de Inverno da U.F.M.G., onde nos intervalos dos cursos que fomos ministrar, aproveitámos para dar largas à imaginação e criar diversas obras em video, dança, instalação e fotografia.
Aliás, foi desse ambiente de criatividade colectiva que saíram os fotopoemas que constituem o meu livro CALLIGRAPHIES, publicado em 2007 pela Redfox Press, na Irlanda. Na altura comentei com o Marcelo que tínhamos criado obras para os próximos anos, e parece que não me enganei. Inesquecíveis, esses dias em Diamantina!
P. Rettore, M. Kraiser, F. Aguiar, "Outro Ensaio", 2006

quinta-feira, 19 de março de 2009

LATITUDES

Cahiers Lusophones
A revista LATITUDES, editada em Paris e dedicada à cultura de expressão portuguesa, dedica este Nº 34 à sexualidade (Sexualité: littérature et societé).
Ao longo das suas 120 páginas, apresenta textos críticos, entrevistas, poemas, artes plásticas, fotografia, e reportagens sobre exposições, música, teatro e críticas de livros, apresentando na capa uma ilustração de Vasco.
Entre os participantes neste número encontram-se Hélder Costa, Aníbal Frias, Filomena Embaló, Nuno Júdice, Júlio Conrado, António Garcia e Liberto Cruz, entre muitos outros.
Do comité de redacção fazem parte personalidades como Egídio Álvaro, Maria Graciete Besse, Alfredo Margarido ou Dominique Stoenesco, liderados por Daniel Lacerda.
De acordo com a temática abordada, Dominique Stoenesco seleccionou o meu visual “Soneto Acerca do Erotismo”, que vai aqui reproduzido.

Fernando Aguiar, "Soneto Acerca do Erotismo", 1997

domingo, 15 de março de 2009

19ª BIENAL DE ZAMORA

Ciudad Arte Pensamiento

A primeira parte desta 19ª Edição da Bienal de Zamora decorreu de 12 de Dezembro a 31 de Janeiro em vários locais da cidade, e terá continuidade durante o verão, com mais exposições e apresentação de obras em espaços públicos.
As que se realizaram até ao final de Janeiro foram “Tirando do Hilo”, uma retrospectiva com as obras premiadas nas anteriores edições da Bienal, “Pianofortíssimo”, uma excelente mostra de pianos intervencionados por 16 artistas Fluxus, entre os quais John Cage, Juan Hidalgo, La Monte Young, George Maciunas, Bem Vautier, Bem Patterson e Wolf Vostell, “Momento Arte y Revolución Fluxus”, apresentada no Centro Cultural “La Alhóndiga”, constituída por uma selecção da colecção Fluxus do Museo Vostell Malpartida, e pela exposição “Registos Conceptuales - Outra Mirada al Mundo del Arte”, que teve lugar na Sala de Exposiciones de Caja Duero, que reuniu algumas dezenas de obras de Arte Conceptual espanhola, mas cujos organizadores decidiram incluir uma pintura minha que foi adquirida em 1996 pelo Museo Vostell Malpartida.
O cartaz da Bienal foi realizado precisamente com a imagem dessa pintura, juntamente com uma obra de Rafael Canogar e um trabalho de Esther Ferrer, mais ao fundo.
Durante o período das exposições foram ainda realizadas actividades paralelas como concertos de música concreta, conferências (por José António Agúndez, António Bentivengna e José Alberto Conderana) e a apresentação de performances, aspecto que será tratado posteriormente, quando me forem enviadas as fotografias das intervenções.
Ao lado da pintura está uma obra colectiva criada nos anos 70 por 18 artistas, como Albert Ràfols-Casamada, Joan Rabascall, Pere Noguera, Wolf Vostell, Muntadas ou Equipo Crónica.

terça-feira, 10 de março de 2009

FESTA

(DIA DA COISA)
João Garcia Miguel estreou-se como director artístico do Teatro-Cine de Torres Vedras com esta Festa (Dia da Coisa) realizada no dia 7, e que foi realmente uma festa, com múltiplas actividades apresentadas em vários espaços do Teatro-Cine, no espaço “Transforma” e na Cooperativa de Comunicação e Cultura, com quem juntamente com o Manoel Barbosa, organizei PERFORM’ARTE – I Encontro Nacional de Performance, em 1985.
Curiosamente, ainda hoje muita gente em Torres Vedras se lembra desse Encontro que, na altura, foi bastante polémico, com os mais jovens a favor, mas também muita gente contra. Interessante foi verificar que estudantes do ciclo e do secundário da altura, hoje adultos, referem-se ao encontro de Performance como algo que os marcou pela positiva e que recordam com satisfação.
“Transforma” tem sido um dos espaços culturais que em Torres Vedras tem apresentado performances com uma certa regularidade, e esse espírito mais vanguardista renasceu agora nesta Festa “da Coisa”. E que continuará, com certeza.
Com espaços dedicados ao video e três palcos em permanente actividade e muita animação, foram apresentadas leituras de poesia, música, dança, e teatro por vários autores, entre os quais Diogo Dória e Regina Gaspar, Sara Ribeiro e Isa Araújo, Telma Santos, João Pedro Santos, Fernando Aguiar, Ana Rosa e Daniel Coimbra e Bárbara Fonseca.
Parabéns ao João Garcia Miguel pelas novas funções, e também à sua equipa pelo profissionalismo demonstrado.

sexta-feira, 6 de março de 2009

LETRA, SÍMBOLO CÚMPLICE
Este é o título da primeira exposição em Portugal do artista cubano Artemio Iglesias, inaugurada ontem na Biblioteca Municipal D. Dinis, em Odivelas, e que vai estar patente ao público até ao dia 28 de Março.
Conheci o Artemio em 2003 no Brasil, quando fiz parte do júri de premiação do Congresso Internacional de Artes Plásticas, em Bento Gonçalves, e depois voltei a encontrá-lo nesse mesmo ano em Cuba, durante a minha participação na 8ª Bienal de Havana, e mais tarde, em 2006, quando participei no XI Festival Internacional de Poesia de La Habana.
No pequeno texto incluído no desdobrável da exposição, escrevi o seguinte: “ARTEMIO IGLESIAS, designer e gravador nascido em Havana, para além de exímio desenhador, é autor de uma personalizada obra poético-visual onde associa as letras e as palavras às técnicas próprias da pintura e à correspondente expressividade cromática, criando obras de uma grande densidade visual.
À força da cor, Artemio adiciona, por vezes, os relevos próprios da gravura, utilizando objectos comuns como chaves, clips, botões, compassos, agulhas, escantilhões, etc., e outros nem tanto como, por exemplo, uma espinha de peixe, o que dá uma especial energia às suas obras, com um cunho vincadamente pessoal.
Praticamente desconhecido em Cuba como poeta visual, Artemio Iglesias tem visto os seus trabalhos divulgados no exterior, nomeadamente em revistas internacionais como “Rampike” e “Steak Haché” (Canadá), “EL Tejedor de Palabras” e “Veneno”(Espanha), “Palavra em Mutação”, “Bíblia”, “Big Ode” e “Bicicleta” (Portugal), “Blackbird” e “Indefinite Space” (Estados Unidos da América), “La Hoja M” (Argentina), “Anartiste” (França), “Delta” (Japão), e na antologia espanhola “Gramma Visual”, assim como em exposições internacionais, principalmente no Brasil.
O seu trabalho é reconhecido sobretudo como gravador e designer, sendo autor do livro “Algunas Experiencias Sobre DISEÑO GRÁFICO”, publicado pela Universidad Autónoma de Guerrero, no México, em 2004. Em 2005 recebeu o Prémio Nacional de Artes Gráficas de Cuba”.
A exposição está aberta de 3ª a Sábado, das 10.30 até às 18.30 horas, na Rua Guilherme Gomes Fernandes em Odivelas. Para mais informações, consultar o site http://www.cm-odivelas.pt/

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

VENENO
Estranho nome para uma pequena mas muito bonita revista, editada por Francisco Aliseda numa povoação espanhola com um nome não menos estranho – Peñarroya-Pueblonuevo, na província de Córdoba, e onde se encontra o Centro de Poesia Visual, coordenado também pelo Paco Aliseda.
A VENENO, com apenas 8 páginas mas impressa a cores num papel de grande qualidade, apresenta 7 poemas visuais de Wilmar Silva, Marta Bellés, Fernando Aguiar, Artemio Iglesias, Antoni Albalat, Mikel Jáuregui e de Paulo Bruscky, que faz a capa da publicação.
Este número da VENENO, editado em Janeiro, é já o 164, e ao longo principalmente das últimas dezenas de revistas tem publicado obras de inúmeros poetas visuais internacionais.
Para além do meu poema, incluo as obras de Paulo Bruscky, Artemio Iglesias e Wilmar Silva, três excelentes poetas e amigos.
Artemio Iglesias, 2004
Wilmar Silva, "Cristopreto", 2008

Fernando Aguiar, "Hh", 2007

sábado, 21 de fevereiro de 2009

CHÁMALLE X
V XORNADAS DE ARTE DE ACCIÓN
Carlos Tejo organizou na Sala X da Universidade de Belas Artes, em Pontevedra, a 5ª edição das Xornadas de Arte de Acción, dedicada este ano a Portugal, sendo a primeira vez que CHÁMALLE X dedica uma edição a um país estrangeiro, já que até agora o Festival apresentou apenas obras de artistas espanhóis.
Realizadas durante os dias 25, 26 e 27 de Novembro, as Xornadas tiveram início com uma conferência de Daniel Pires intitulada “A Desaparición do Centro na Vida dos Artistas: Unha visión sobre Portugal”, seguindo-se as performances de João Samões com a colaboração de Nuno Rebelo, e de José Iges, com a colaboração de Sandra Santana.
No dia 26 de manhã, foram passados vídeos sobre um Ciclo de Acções apresentado no Centro Galego de Arte Contemporânea, e a seguir a performance de Ana Gesto. À noite, as performances foram da autoria de Pepe Murciego, do grupo Ad-Hoc e de Fernando Aguiar.
No último dia tiveram lugar as intervenções de David Crespo, Nuno Oliveira e Margarida Chambel, Victor Bonet, do duo Velvet & Crochet, encerrando com a performance interactiva de Zaida Gómez e Júlio Fernández Peláez.
Pepe Murciego
Nuno Oliveira e Guida Chambel
Fernando Aguiar

sábado, 14 de fevereiro de 2009

OS DIAS DO AMOR

Um poema para cada dia do ano
O que salta logo à vista quando se pega nesta antologia é a capa, chamativa, e o “volume” deste volume: 436 páginas (a contrastar, já agora, com o baixo preço pedido por esta obra).
Depois, aquilo que me admirou (e nunca esteve em causa a capacidade crítica de Inês Ramos, a organizadora do livro) foi a grande qualidade da (quase) totalidade dos 365 poemas antologiados que, admita-se, não é fácil de conseguir, sobretudo porque a temática se presta a “lamechices” menos interessantes…
Esta não é a minha temática preferida, e muito sinceramente pensei apenas em folhear o livro para ter uma ideia do que lá estava (e também por respeito ao trabalho que, imagino, a Inês terá tido), mas a verdade é que fiquei encantado com os primeiros poemas que li, escritos alguns séculos antes de Cristo e com os outros que se lhe seguem, com mais de 500 anos de idade, mas que revelam uma alegria, uma frescura e uma paixão que faz com que se mantenham até hoje perfeitamente actuais. Parece que o amor nos torna mesmo eternas crianças, joviais, alegres e com a paixão à flor da pele. Pelo menos é o que se deduz deste livro.
Mesmo os poemas que todos conhecemos, como o soneto de Luís de Camões, a “Cantiga, Partindo-se” de João Ruiz de Castelo Branco, ou a “Cantiga D’Amigo” de D. Sancho I, fora do contexto dos compêndios escolares, ganham uma outra dignidade, e revelam-se como verdadeiras obras-primas da poesia portuguesa.
Por falar em Luís de Camões (e também de Gil Vicente), é de (re)constatar a estrutura, o rigor, as rimas internas, a sonoridade, e a imagética dos seus poemas, que lhes confere um grau de pesquisa estética que a grande maioria dos poetas que se lhes seguiram não conseguiram atingir. Arrisco-me a dizer que se fossem vivos, tanto Camões como Gil Vicente seriam, muito provavelmente, poetas experimentais…
A Inês Ramos, com toda a abertura com que enfrentou este desafio (“Não segui “correntes”, nem estilos, nem tendências, apenas pretendi reunir poemas com a temática do amor, numa proposta o mais diversificada possível, desde a antiguidade até aos dias de hoje.”), não se coibiu de incluir uma obra de poesia experimental (E. M. de Melo e Castro), e um poema visual (Fernando Aguiar).
Deixei também esta referência a’ “OS DIAS DO AMOR”, não apenas por hoje ser o dia dos namorados, mas principalmente por fazer hoje dois anos que “O CONTRÁRIO DO TEMPO” teve início, o qual tem sido feito com muito carinho, muito trabalho e algum esforço à mistura, devido ao pouco tempo disponível (afinal tinha que haver uma nota “lamechas” nesta postagem, mas sem lágrima ao canto do olho…).
Apesar de não ser representativo do conteúdo do livro, aqui fica o visual incluído n’ “OS DIAS DO AMOR”, que recomendo vivamente. Quem não o encontrar à venda, poderá contactar a editora Ministério dos Livros em http://www.ministeriodoslivros.com/
Fernando Aguiar, s/título, 1998

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

CARTOGRAFIA DA LIBERDADE

(NO ROOM FOR MORE)
Inaugurou na Perve Galeria, no dia 15 de Janeiro, a exposição “Cartografia de Liberdade (no room for more), que reúne cerca de 90 obras de Fernando Aguiar e de Gabriel Garcia, comissariada por Carlos Cabral Nunes.
No texto do desdobrável refere-se que esta exposição “…constitui a primeira apresentação pública conjunta destes dois artistas que têm em comum, para além de terem feito o seu percurso académico nas Belas-Artes de Lisboa, uma obra pictórica ampla que se apropria de mensagens poéticas e faz da escrita parte integrante da sua formulação narrativa muito peculiar. Isto e um sentido de liberdade, explorando os limites conceptuais e formais da construção plástica que ilustra um vigoroso sentido de criação artística comum a Fernando Aguiar e a Gabriel Garcia, autores que, em Junho passado, foram integrados em dois projectos distintos de curadoria apresentados na Trienal de Arte Contemporânea de Praga."
“Claro que na história particular de cada autor podemos encontrar muitos elementos dissonantes, vários pontos de acentuada divergência. Neste caso, desde logo porque são de gerações separadas por mais de vinte anos. Depois porque, em Fernando Aguiar, a sua linguagem resulta mais da proposta Fluxus do que da construção alegórica surrealizante que podemos identificar na obra de Gabriel Garcia. (…) “Pode dizer-se, sem excesso, que da “Fonte” (Marcel Duchamp) saíram, jorrados, Fluxus e Surrealismo. Que dessa mesma “fonte” se (a)guardam traços indisciplinadores capazes de produzir salas fechadas e fachadas impossíveis de descrever mas fundamentais de se ver para que percebamos do que falam, quando falam, estes artistas que descodificam a liberdade e lhe fizeram um mapa onde não há lugar para mais.”
A exposição está aberta até ao dia 21 de Fevereiro de 2ª a Sábado, das 14.00 até às 20.00 horas, na Rua das Escolas Gerais, Nº 17, 19 e 23 em Lisboa. Para mais informações, consultar o site http://www.pervegaleria.eu/