quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

POESIA EXPERIMENTAL PORTUGUESA


Depois de ter sido apresentada nos Paços da Cultura em S. João da Madeira, em Março de 2009, inaugura hoje na Biblioteca Municipal da Póvoa do Varzim, a exposição “POESIA EXPERIMENTAL PORTUGUESA” com obras da Fundação de Serralves.

Segundo o Diário de Notícias do dia 15 “Poesia Experimental Portuguesa reúne obras da colecção de Serralves de artistas portugueses que, a partir dos anos 60, redefiniram o texto como objecto artístico, como Ana Hatherly, António Aragão, António Barros, Ernesto Melo e Castro, Fernando Aguiar, Salette Tavares e Silvestre Pestana.

A exposição é comissariada pelo director do Museu de Serralves, João Fernandes, no âmbito do projecto Encontro de Escritores Correntes d’Escritas.”

Como não foi enviado aos poetas participantes o convite para a inauguração, não sei até quando é que a mesma estará patente. A falta de envio do convite para as inaugurações das exposições aos artistas representados nas mesmas, parece ser uma moda recente, já que também não recebi convite para a exposição “Abstracção – Arte Partilhada, da colecção do Millennium BCP, inaugurada no passado dia 19, em Oeiras…

Em baixo deixo dois dos meus poemas visuais e uma instalação que pertencem à colecção do Museu de Serralves e que, provavelmente, estarão expostos.


Fernando Aguiar, "Portugal", 1978


Fernando Aguiar, "Sete Mil e Quinhentos", 1978


Fernando Aguiar, "Projecto de Salvação do Mundo", 1983


sábado, 19 de fevereiro de 2011



ABSTRACÇÃO


Depois da Sociedade de Belas-Artes em Lisboa e da Casa-Museu Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia, é a vez de Oeiras ver a exposição ABSTRACÇÂO - Arte Partilhada, constituída por obras de arte abstracta da colecção do Millennium BCP, que inaugurou ontem no Centro Cultural Palácio do Egipto, com a presença do Presidente da Câmara de Oeiras e do Presidente do Millennium BCP.

Organizada por Raquel Henriques da Silva, a ABSTRACÇÂO - Arte Partilhada integra nomes históricos na pintura abstracta em Portugal, como Helena Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro, Mário Cesariny, Paula Rego, António Areal, Artur Bual, Júlio Pomar, Nikias Skapinakis, Nadir Afonso, Ângelo de Sousa ou Jorge Pinheiro, até pintores que apareceram posteriormente como Teresa Magalhães, Justino Alves, António Palolo, Fernando Aguiar ou Pedro Casqueiro.

Segundo o “Jornal de Oeiras” na edição de 15 de Fevereiro, a exposição “constituída por setenta obras do abstraccionismo português, que promete surpreender os visitantes com uma arte geométrica, figurativa e informal. Uma selecção cuidada e pertinente que coloca à disposição dos olhares os clássicos do abstraccionismo que irrompeu em Portugal na década de 30”.

As minhas 3 pinturas estão na foto em baixo, e a exposição poderá ser visitada até ao dia 30 de Abril, de terça a domingo, das 11.30 às 18.00 horas.


Fernando Aguiar, 1976 - 1982

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011



THIS IS VISUAL POETRY
BY FERNANDO AGUIAR


Nada melhor para assinalar o 4º aniversário d’ “O CONTRÁRIO DO TEMPO” que hoje se celebra, do que falar da recente edição de “This is Visual Poetry by Fernando Aguiar”, pela chapbookpublisher de Dan Waber, em Kingston, nos Estados Unidos.

Dan Waber tem publicado diversos poetas experimentais internacionais na sua colecção de chapbooks, pequenos livrinhos com apenas 16 páginas impressos digitalmente a cores, e que têm todos os mesmo título: “This is Visual Poetry by…”.

Dos diversos poetas publicados destaco Bill DiMichele, Nico Vassilakis, Karl Kempton (director da histórica revista “KALDRON” (1976-1990) da qual na capa de uma das suas últimas edições publicou o meu poema “Desbravando os Caminhos do Texto”), Carol Stetser, Scott Helmes, Bob Grumman, Sheila E. Murphy, Jonh M. Bennett, Marilyn R. Rosenberg, Spencer Selby (a nata dos poetas visuais norte-americanos), mas também os europeus Klaus Peter Denker, Luc Fierens, Carla Bertola, Ruggero Maggi, Miguel Jimenez, Enzo Minarelli, e o canadiano Derek Beaulieu, entre os cerca de 70 autores já editados.

Os 17 poemas visuais incluídos em “This is Visual Poetry by Fernando Aguiar” abrangem um período de cerca de 20 anos, desde o final dos anos 80 até 2006, alguns deles inéditos, como é o caso dos que estão reproduzidos em baixo.

O chapbook custa 10 dólares (cerca de 7,30 €) e pode ser encomendado através do site: http://thisisvisualpoetry.com/?p=928



Fernando Aguiar, "Constelação Poética 7", 1989

Fernando Aguiar, (sem título), 1989

Fernando Aguiar, "K", 1996

Fernando Aguiar, "Tríptico", 2006

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011


POLIPOESIA

Refiro hoje a obra mais recente de Enzo Minarelli, um amigo de longa data e de vários Festivais em comum. Assim de cabeça, pelo menos Bolonha, Cidade do México, Barcelona, Porto, Maastricht, Parma, Reykjavik, Cascais, Medellín…

Com uma belíssima capa “tridimensional” onde está inserido um CD com poemas de 24 poetas, com tradução e posfácio do Prof. Frederico Fernandes, a EDUEL – Editora da Universidade Estadual de Londrina, no Brasil, publicou um importante livro deste poeta italiano intitulado “POLIPOESIA – entre as poéticas da voz no século XX”.

O livro aborda diversos aspectos das sonoridades poéticas, desde os manifestos da poesia sonora de Isidore Isou, Pierre Garnier ou de Henri Chopin, até à musicalidade da palavra, da expressividade física e vocal do poeta ao uso da tecnologia, Enzo Minarelli é também o autor da designação “Polipoesia” que se disseminou internacionalmente, referindo-se ao trabalho dos poetas contemporâneos que potencializam os seus poemas através da vocalização, da fonética, da performatividade do corpo e da inclusão da tecnologia nas suas apresentações.

Aliás, sob o este conceito, organizaram-se já Festivais em diversos países como, por exemplo, o Festival de Polipoesia em Barcelona, organizado pelo poeta Xavier Sabater, o Polypoetry Festival, em Budapeste, organizado por Endre Szkárosi, o Polypoetry Festival em Maastricht, de Rod Summers, ou o The World Music Polypoetry Festival, que decorreu no Reykjavik Art Museum, na Islândia.

Ao longo do livro com 216 páginas é abordada ou referida a obra de 104 poetas internacionais, como Adriano Spatola, Bartolomé Ferrando, Bob Cobbing, Charles Dreyfus, Claudio Pozzani, Eric Andersen, Ezra Pound, Hugo Ball, Ide Hintze, Isidore Isou, James Joyce, Jean Jaques Lebel, Joan Brossa, Judith Offberg, Kurt Schwitters, Lorenç Barber, Mark Sutherland, Massimo Mori, Robert Wilson, Roi Vaara, Samuel Becket, Sarenco, Seiji Shimoda, Tomaso Binga ou Wladyslaw Kazmierczak.

Também referidos no livro e com obras sonoras incluídas no CD, onde cada autor interpreta os seus próprios poemas, estão (pela ordem de apresentação) Fernando Aguiar, Nanni Balestrini, Julien Blaine, Jaap Blonk, Henri Chopin, John Giorno, Bernard Heidsieck, Dick Higgins, Anna Homler, Philadelpho Menezes, Enzo Minarelli, Serge Pey, Mimmo Rotella, Xavier Sabater, Rod Summers e Endre Szkárosi.


domingo, 6 de fevereiro de 2011



SAEMANGEUM
FLAG ART FESTIVAL 2010

A convite de Jin-Sup Yoon, crítico de arte e professor na Universidade de Honam, participei num Festival de Bandeiras Criativas, na Coreia do Sul onde, num imenso espaço vazio (que eu penso ser o local de uma nova e tecnologicamente avançada cidade criada de raiz), foram colocadas várias dezenas de milhares de bandeiras, muitas idealizadas por grupos coreanos resultando em enormes construções/instalações com o recurso apenas a estruturas metálicas e a bandeiras.

Nas várias secções do Festival, uma delas foi dedicada às bandeiras (verticais) criadas por 50 convidados estrangeiros de uma trintena de países. A minha bandeira foi feita a partir da imagem que está em baixo.

Refiro alguns nomes deste grupo, já que não vale a pena mencionar os artistas das restantes secções coreanas e asiáticas, nem os das inúmeras bandeiras com poemas escritos em coreano. São Aldo Castillo, Enilio Morales, Gloria Loya, Ina Bainova, Joaquim Falco, Leda Maria Prado, Marcela Navea, Maria Bonomi, Marisa Marconi, Paulo Von poser, Richard Godfrey e muito outros, desconhecidos em terras lusas.

A propósito do Festival, realizado em Maio de 2010, foi editado um excelente catálogo de 100 páginas, com reproduções das obras dos artistas convidados, das instalações criadas com bandeiras e da cerimónia de inauguração.

O Festival tem um site que, infelizmente, não é muito elucidativo, sobretudo se o compararmos com as imagens que vêm impressas no catálogo. Ainda assim, aqui fica: http://www.flagfestival.kr/


Fernando Aguiar, "Calligraphy" 2006

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

ANTOLOGIA DE OURO


Regina Mello e o seu Museu Nacional de Poesia terminaram o ano de 2010 em beleza com a publicação da ANTOLOGIA DE OURO, numa edição da Anomelivros.

Nas palavras de Regina Mello, “O Museu Nacional da Poesia é um museu sem forma e sem bordas, um museu que existe através de ações, criado em Fevereiro de 2006”…”e para marcar seu ano V cria a Antologia de Ouro Museu Nacional de Poesia reunindo poetas de todo o Brasil de mãos dadas com poetas de países de língua portuguesa.”

Com um bonito design e uma elegante capa, a antologia inclui dois poemas de cada um dos 60 poetas participantes, entre os quais Angela Togeiro, Antônio Dayrell, Belkiss Diniz, Brisa Marques, Carmen Vieira, Cassia Veloso, Clevane Pessoa, Domingos Manzzilli, Fernando Aguiar, Jô Rodrigues, José Ribeiro, José Moreira, José Marto, Jussara Santos, Lu Peçanha, Luiz Edmundo, Marcos Fabrício, Marcus David, Mário Chagas, Mario Rufino, Olga Valeska, Ronaldo Werneck, Wilmar Silva e Zelia Fonseca.

P.S. - A figura da capa está impressa a dourado, tal como as letras, mas por ter sido gravada em baixo relevo, o scanner “importa” a imagem a negro.


UM ESPAÇO DE TEMPO NUM TEMPO SEM ESPAÇO


 Para o Augusto de Campos


neste decurso de tempo que se mantém a compasso
um outro espaço invento, mas que nem sempre enlaço
que respira no pensamento e num suspiro repasso
que sacudo no instante, em momentos que ameaço.


em toda a razão que sustento perspectivo o embaraço
na separação que intento, causo o soltar do estilhaço
retomo o conceito do sopro, reponho no ar o cansaço
de fazer, do não ter, e de querer ser num só traço.


no limite, o proceder, o sedimento que amordaço
o fazer tudo valer, num sentido que trespasso
a frustração do ter que ser no desmembramento do aço
que sem senso e contra o vento se encerra no regaço.


do tanto que em vão perco, de tudo o que não faço
na recusa em ficar parado nem que seja um pedaço
na precisão do que tenho, que é sempre tão escasso
e por muito que não queira, destruo a cada passo.


desesperar o que penso que pressupõe o fracasso
no momento olhar o laço que me consome e desfaço
resultando num percalço, a derrota que estéril abraço
tornando o espaçotempo no sentimento que retraço.



quinta-feira, 27 de janeiro de 2011


INTERNATIONAL EXPANDED
MEDIA ART TRIENNIAL

A propósito da Open World, decorreu entre 5 de Agosto e 20 de Setembro em vários espaços da cidade de Belgrado, na República da Sérvia, a INTERNATIONAL EXPANDED MEDIA ART TRIENNIAL, coordenada por Dobrica Kamperilíc e por Filimir.

Segundo percebi, esta é uma tentativa de colocar a Sérvia na trajectória da arte contemporânea, por iniciativa de um grupo de artistas e que, pelo catálogo que me chegou agora às mãos, parece ser uma aposta ganha.

Tive pena de não ter ido a Belgrado apresentar uma performance, correspondendo ao convite que me foi feito, mas não foi possível (aliás tenho essa “dívida” para com o Dobrica, que desde o final dos anos 90 me tem convidado regularmente para ir a Belgrado participar nos Encontros que ele e o grupo Kwart organizam).

A Trienal englobou praticamente todas as formas de expressão artística contemporâneas, desde instalações e arte digital, ao vídeo, fotografia, land art e mail art, passando pela performance, esculturas e arquitectura experimental.

Nas exposições participaram várias dezenas de artistas de diversos países e refiro, pela ordem que aparecem no catálogo Fernando Aguiar, Reed Altemus, Ryosuke Cohen, Bill Copeland, Daniel Daligand, (e desculpem-me os artistas sérvios, mas o nome deles está escrito em cirílico e não os consigo decifrar), Atílio Fortini, Klaus Gröh, Takalo-Eskola, Henning Mittendorf, Sabina Romanin, Shozo Shimamoto, José Van Der Broücke, Anna Linder, Ruggero Maggi, Emílio & Franca Morandi, Sinead O’Donnel, José Roberto Sechi e Balint Szombathy.

As performance foram realizadas por César Reglero & Isabel Jover, Sílvio de Gracia, Carla Bertola & Alberto Vitacchio, Nicola Frangione, Robert Swierkiweicz e Peter Künstermann, entre outros, para além dos artistas sérvios e russos.

Fernando Aguiar, Colagem s/ serigrafia, 2010

domingo, 23 de janeiro de 2011


ASSEMBLING BOX 9


Francis Van Maele editou mais um número da revista de artista FRANTICHAM’S ASSEMBLING BOX, dedicada à poesia visual e a obras inspiradas no movimento Fluxus.

Já aqui falei, em postagens anteriores, sobre outros aspectos desta revista com 23 colaboradores em cada número e com uma tiragem de apenas 40 exemplares, pelo que hoje refiro apenas os participantes neste número nove, que é, sem dúvida, o melhor dos 3 em que já participei:

Fernando Aguiar, Reed Altemus, Antic-Ham, Vittore Baroni, David Dellafiora, Picasso Gaglione, Klaus Groh, Ruud Janssen, Miguel Jimenez, Serse Luigetti, Emilio Morandi, Jürgen O. Olbrich, Bibiana Padilla Maltos, Arne Rautenberg, Allan Revich, Fritz Sauter, Litsa Spathi, Pete Spence, Carol Stetser, Christine Tarantino, Richard Tipping, Andrew Topel e Francis Van Maele, o próprio.

Fernando Aguiar, "Kill", 1991

terça-feira, 18 de janeiro de 2011



 O DEDO


Em 1981 (faz agora 30 anos) publiquei o meu 4º livro e o segundo de poesia, depois de “Poemas + ou – Histó(é)ricos” (Poesia, ed. Autor, 1974), “Rosarinho” (Infantil, ed. Parceria A. M. Pereira, 1979) e “Rosarinho e Alzira” (Infantil, ed. Parceria A. M. Pereira, 1979).

“O DEDO – Poema em 22 Andamentos” foi o primeiro livro onde fiz uma incursão pela poesia visual (e depois das duas exposições de poesia visual que apresentei na Galeria da E.S.B.A.L em 1979 e no Teatro da Comuna, em 1980), a par de poemas experimentais e de outros mais próximos da poesia discursiva, mas todos tendo como temática “o dedo”.

O livro foi constituído a partir de um trabalho da disciplina de Estética, na Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa que, depois de revisto e acrescentado resultou neste livro, escrito entre Junho de 1977 e Março de 1978.

Mas o carácter visual do livro, com apenas 32 páginas, começou logo pelo design exterior, com o formato de um dedo, resultando num objecto estético que foi, aliás, a minha ideia, desde que o comecei a conceber, porque pretendia que a forma do livro estivesse intimamente ligada ao seu conteúdo.

Ao contrário dos meus restantes livros, este vendeu-se relativamente bem (a distribuidora – Assírio & Alvim - vendeu várias centenas de exemplares) e, na altura, talvez pelo “visual”, o livro fez algum sucesso.

Resta dizer que “O DEDO” integra o meu poema mais divulgado - “DOIS DEDOS DE CONVERSA” - que já foi publicado 44 vezes em revistas, jornais, antologias e catálogos, tendo sido capa das revistas “Poetry Halifax Dartmouth” (Canadá), “Axle” (Austrália) e no jornal cultural “Garatuja” (Brasil).

 
"Impressões Digitais", 1978

 "Dois Dedos de Conversa", 1978

"Soneto Digital", 1978

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

LIVROS DE ARTISTAS


A Galeria Diferença inaugurou do dia 17 de Novembro a exposição LIVROS DE ARTISTA, com a participação de cerca de 50 autores portugueses, entre os quais Albertina Sousa, Ana Hatherly, Ana Marchand, Ana Vidigal, Carlos Nogueira, Catarina Castel-Branco, Cristina Ataíde, Ema M., Ernesto de Sousa, Fernando Aguiar, Graça Delgado, Helena Almeida, Irene Buarque, João Luís Carrilho da Graça, Jorge dos Reis, Jorge Vieira, Manuel Baptista, Nuno Teotónio Pereira, Querubim Lapa e Vítor Pomar.

Infelizmente não tive possibilidade de ir à inauguração por ter ido, no dia seguinte para Elche, onde participei no Encontre Internacional de Performance i Poesia Fonética, no Centre de Cultura Contemporània L’Escorxador, mas estão expostos trabalhos de grande criatividade e qualidade artística, o que não é para admirar atendendo aos participantes.

LIVROS DE ARTISTAS vai estar na Galeria Diferença, na Rua S. Filipe Nery, 42, em Lisboa, até ao dia 5 de Fevereiro. Uma exposição a não perder.


Fernando Aguiar, "Romance em Construção V", 2007

Fernando Aguiar, "SPAR", 2000

 Fernando Aguiar, "Construção do Romance Musical", 2007

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011


OPEN WORLD


Acho que nunca falei aqui do zine OPEN WORLD, publicado desde meados dos anos 80 por Dobrica e Rorica Kamperelic (conheci pessoalmente o Dobrica em 2003, durante a Bienal de Veneza, quando ambos participámos num Festival de performance realizado no âmbito da Bienal). Inclusivamente durante a guerra que assolou a Jugoslávia nos anos 90, este casal de poetas visuais, performers e mailartistas conseguiu manter a edição desta pequena revista, apesar da extrema dificuldade em que viveram nesses anos.

OPEN WORLD é uma revista de formato A-5, com 16 páginas, fotocopiada, mas repleta de informações sobre o que acontece internacionalmente nestas áreas, já que o Dobrica tem uma incrível rede de contactos em todo o mundo. É bastante ilustrada, com dezenas de fotografias de performances, artistas que os visitam em Belgrado, desenhos, colagens, poemas, etc.

Tenho sido regularmente convidado pelo Dobrica para participar nos Festivais de performance que ele organiza todos os anos em Belgrado, assim como para a International Triennial of Expanded Artistic Media que co-organizou entre Agosto e Setembro, e na qual participei apenas na exposição. Infelizmente acabou por não ser possível apresentar uma performance durante a Trienal mas, juntamente com este Nº 83 da OPEN WORLD recebi o convite para estar presente na próxima, e a ver se desta é que vou mesmo.

No presente número podem-se encontrar obras ou fotos de Carla Bertola e Alberto Vitacchio, César Reglero, Isabel Jover, Marina Abramovic, Filimir, Fernando Aguiar, Sílvio De Gracia, Le Peintre Nato, Reed Altemus, Serse Luigetti, Clemente Padin, Takalo-Eskola, Ilkka Juhani, José Van Der Brouke, John M. Bennett e Emílio & Franca Morandi, entre muitos outros.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

ABSTRACÇÃO
ARTE PARTILHADA

O Millennium BCP inaugurou no dia 16 de Novembro a segunda apresentação da exposição ABSTRACÇÂO - Arte Partilhada, na Casa-Museu Teixeira Lopes, em Vila Nova de Gaia.

A exposição, que já tinha sido apresentada este ano na Sociedade Nacional de Belas-Artes, em Lisboa, foi organizada por Raquel Henriques da Silva e integra nomes históricos na pintura abstracta em Portugal, como Helena Vieira da Silva, Manuel Cargaleiro, Mário Cesariny, Paula Rego, António Areal, Artur Bual, Júlio Pomar, Nikias Skapinakis, Nadir Afonso, Ângelo de Sousa ou Jorge Pinheiro, até pintores que apareceram posteriormente como Teresa Magalhães, Justino Alves, António Palolo, Fernando Aguiar ou Pedro Casqueiro.

No desdobrável que acompanhou a exposição em Lisboa, a investigadora Ana Ruivo referiu: “Tendo como figura proeminente do abstraccionismo geométrico Nadir Afonso, trouxeram-se ao percurso experiências alicerçadas no recurso aos signos geométricos, à tessitura dos seus ritmos, ao trabalho cromático e formal que os organiza. São propostas que se reformularão anos mais tarde, em trabalhos como os de Fernando Aguiar, fazendo desses elementos vocábulos de uma construção poética visual, ou os de Pedro Casqueiro, em telas de estrutura dissonante”.

Segundo o Portal do Cidadão de Vila Nova de Gaia, “A mostra estará patente até 30 de Janeiro de 2011 e reúne uma selecção de 74 pinturas representativas do abstraccionismo português e estrangeiro e está revestida de notável interesse pela diversidade e qualidade das obras expostas…”

Fernando Aguiar, 1976-1982