sábado, 29 de novembro de 2008

ARTELISBOA
Feira de Arte Contemporânea
Pois é, desta vez nem tive tempo de ir à ARTELISBOA. Com a participação na Bienal Internacional de Livro do Ceará (12 a 21 de Novembro) e com a performance nas V Xornadas de Arte de Acción – Chámalle X, em Pontevedra (25 a 27 de Novembro), nem tive possibilidade de ir espreitar o que estava exposto no Parque das Nações. Nos 2 dias em que cá estive só tive tempo de coordenar o Ciclo Internacional de Performances que começa dentro de uma dezena de dias e de ultimar a minha participação no Chámalle X.
Pelo que me chegou aos ouvidos, a Feira esteve fraca este ano, sobretudo a nível de vendas, reflexo dos tempos que correm…
Fui mais uma vez representado pela Galeria Pedro Serrenho – Arte Contemporânea, que apresentou uma das minhas esculturas em aço inoxidável, que fazem parte da instalação “The Letter as Work of Art”.
A ARTE LISBOA decorreu entre os dias 19 e 24 de Novembro, e na próxima edição espera-se que apareça revitalizada, apesar de ter tido este ano mais galerias participantes, sobretudo estrangeiras.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

LA BIBLIOTECA UTOPICA
LA BIBLIOTECA UTOPICA é um projecto de Vittore Baroni, que consistiu numa exposição de livros de artista de 170 autores de 26 países, que decorreu durante o mês de Julho na cidade italiana de Viareggio.
Vittore Baroni é um poeta visual que se tem dedicado principalmente a esta temática do livro-objecto e também à mail-art, sobre a qual já escreveu alguns livros.
A primeira vez que tive contacto com a obra deste autor foi durante o 1º Festival Internacional de Poesia Viva, que organizei no Museu Municipal Dr. Santos Rocha, na Figueira da Foz, em 1987.
Na exposição em Viareggio participaram nomes como António Gómez, Scott Helmes, Fernanda Fedi, Wlademir Dias-Pino, Daniel Daligand, Guy Bleus, Jonh M. Bennett, Fernando Aguiar, Graciela Gutierrez-Marx, Massimo Mori, Emílio Morandi, Clemente Padin, Túlio Restrepo, P. J. Ribeiro, Francis Van Maele, etc., etc.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

DE ORFEU E DE PERSÉFONE
DE ORFEU E DE PERSÉFONE – Morte e Literatura, organizado por Lélia Parreira Duarte numa edição da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, reúne nas suas 450 páginas ensaios de uma vintena de professores universitários que analisam, sob o ponto de vista desta temática, a obra de outros tantos autores, curiosamente, quase todos portugueses.
Os escritores estudados são António Lobo Antunes, Agustina Bessa-Luís, Milton Hatoum, José Cardoso Pires, Maria Judite de Carvalho, Ruy Belo, João Cabral de Melo Neto, João de Melo, Hélia Correia, Kafka e Hélder Macedo.
Entre os autores dos textos estão Clara Rowland, Dalva Calvão, Flávia Nascimento, Helena Carvalhão Buescu, Ida Ferreira Alves, Mónica Figueiredo ou Teresa Cristina Cerdeira.
Deixei para o fim o ensaio “O Sono sob as Pálpebras: Visualidade e Perpetração da Morte em poemas de Augusto de Campos e de Fernando Aguiar”, um excelente texto do Professor Rogério Barbosa da Silva, que aborda as obras experimentais e visuais de Augusto de Campos e a minha, o que constitui para mim uma honra, ter o meu trabalho estudado em simultâneo com a obra de um dos poetas fundadores da poesia concreta, da qual surgiu todo este movimento internacional da poesia experimental e visual.
De referir ainda que este texto de Rogério Barbosa da Silva inclui vários poemas visuais de Augusto de Campos e meus, que são, aliás, as únicas imagens publicadas nesta volumosa antologia.
Fernando Aguiar, "Desbravando os Caminhos do Texto", 1980

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

INTER Nº 100
Art Actuel
A edição comemorativa do centésimo número da revista INTER é dedicada à cidade do Québéc, de onde a revista é originária.
Dirigida por Richard Martel, aborda as actividades artísticas desta bonita cidade canadiana entre 1978 e 2008 (estive lá em 1990 a participar na 1ª Bienal de Arte do Québéc) nas artes visuais, arquitectura, urbanismo e escrita.
Com 140 páginas cheias de ilustrações de grande qualidade, esta é mais uma importante edição da INTER, que no final dos anos 80 foi uma referência para mim por ser, na altura, uma das mais significativas revistas de arte contemporânea que me chegavam às mãos.
Agora faço parte do seu comité de redacção internacional juntamente com outros 25 autores, entre os quais Bartolomé Ferrando, Jacques Donguy, Balint Szombathy, Artur Tajber e Gusztáv Üto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

THE LETTER AS WORK OF ART
Inaugurou no dia 1 de Novembro na Galeria Pedro Serrenho – Arte Contemporânea, a minha instalação “THE LETTER AS WORK OF ART”, constituída por 50 poemas visuais e por duas esculturas em aço inoxidável, realizadas este ano.
Passo a transcrever excertos do texto que escrevi para o desdobrável da instalação: “Essas obras foram produzidas em cerca de 2 meses, entre o final de 1991 e o princípio de 1992, com o objectivo de criar poemas visuais com um número mínimo de elementos, valorizando a componente formal desses “poemas” que, em muitos casos, se resumiam apenas a uma letra trabalhada estética e criativamente no pequeno espaço de uma folha.
Foram realizadas cerca de 100 pequenas obras sob o conceito “a letra é o poema”, onde a letra, a pontuação ou a acentuação, enfim todo e qualquer sinal gráfico que pudesse ser utilizado na comunicação no âmbito da cultura ocidental, resultasse na obra de arte. O que obviamente não foi fácil. A partir dos resultados obtidos, foram posteriormente desenvolvidos esboços para pinturas, esculturas em pedra, esculturas em metal, obras em metal para parede e instalações, que continuam ainda em projecto.
É uma selecção desse trabalho de pesquisa/produção que agora se apresenta, resultando os elementos expostos num ambiente onde a temática são as letras, a forma e o corpo destas, dando origem a obras que perderam a força da semântica para privilegiarem uma comunicação que se efectua pela(s) forma(s) e pelos materiais em que esses grafemas são apresentados.”
…
“Várias destas obras foram, ao longo dos anos, publicadas em revistas e em jornais culturais em Portugal, Espanha, Brasil, Itália, Canadá, Holanda, Austrália, U.S.A., França, Hungria e na Jugoslávia, em antologias literárias em Espanha e no Canadá e em catálogos de exposições na Polónia, Brasil, França, Espanha e em Portugal. Em 1994 a editora da Universidade de Siegen, na Alemanha, publicou na sua colecção “experimentelle texte”, o livro “Minimal Poems”, com 35 dessas obras minimalistas.”
Simultaneamente inaugurou a exposição de pintura do Vitor Pinhão, um dos melhores desenhadores que existem neste país.
A Galeria Pedro Serrenho fica na Rua Almeida e Sousa Nº 21, em Campo de Ourique, e está aberta de Terça a Sábado das 11.00 às 13.00 e das 14.00 às 20.00 horas. Tel. 21.393.07.14

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

LA HOJA M
Da cidade de Chajarí, na Argentina, chegou-me o Nº 4 da pequena revista LA HOJA M, com um texto introdutório de Clemente Padin e uma colagem original na contracapa feita por Sílvia Lissa, a editora da revista.
A participação é internacional, maioritariamente poetas visuais, e entre os autores estão António Cares, José Manuel Figueiredo, Walter Pennachi, Nadia Poltos, Vittore Baroni, Manuel Sainz Serrano, Lancilloto Bellini, Fernando Aguiar, Tiziana Baracchi, Antoni Miró e Artemio Iglesias.
O trabalho do Artemio é um poema visual que ele teve a amabilidade de me oferecer e do qual eu gosto muitíssimo. Aí vai:
Artemio Iglesias

domingo, 26 de outubro de 2008

POÉSIE MARSEILLE
Entre os dias 20 e 22 de Outubro decorreu em Marselha o 5ème FESTIVAL POÉSIE MARSEILLE, organizado por Julien Blaine e por Jean-François Meyer.
As acções realizaram-se em vários locais desta simpática cidade com apresentações mais “literárias”, como as que foram apresentadas nas livrarias, e outras mais “performáticas”, como as que tiveram lugar nos outros espaços.
Os participantes e os locais foram, pela ordem de apresentação, os seguintes: Marina Mars, Fernando Aguiar, Bartolomé Ferrando e Giovanni Fontana, na Chapelle de la Vielle Charité. Nessa noite inaugurou a exposição de poesia visual de Sarenco, onde interveio um músico que teve uma “mãozinha” dos poetas presentes.
Na Librairie la Touriale leram os seus poemas Jean-François Bory, Olivier Domerg e Fréderic Ohlen, e à noite, na Librairie L’Odeur du Temps, Florence Pazzottu, Démosthène Agrafiotis e Arno Calleja.
No último dia houve leituras na Librairie Histoire de l’Oeil, com Cécile Mainardi e Jean-Michel Espitalier; à tarde, na Galerie Où, as performances de Jacqueline Cahen, Nathalie Thibat e de Didier Calleja.
Para terminar houve no restaurante-bar La Caravelle, uma “noite mediterrânica” com leituras de Démosthène Agrafiotis, Fernando Aguiar, Giovanni Fontana e Julien Blaine.
Será editado um catálogo do Festival a ser lançado durante a próxima edição, tal como aconteceu agora com o catálogo do 4ème Festival POÉSIE MARSEILLE.
Bartolomé Ferrando
Jean-François Bory
Juliene Blaine
Démosthène Agrafiotis
Giovanni Fontana
Frédéric Ohlen
Fernando Aguiar
Fernando Aguiar, Sarenco, Démosthène Agrafiotis, Giovanni Fontana, Julien Blaine, Jean-François Bory, Bartolomé Ferrando

sábado, 18 de outubro de 2008

LA MÁS BELLA
De Pega
LA MÁS BELLA é uma curiosa revista-objecto dirigida por Diego Ortiz e por Pepe Murciego, cujos números têm suportes completamente diferentes. Desta vez com uma edição de 1.000 exemplares, porque as tiragens nem sempre são iguais.
Este número “De Pega”, vem numa caixa que contém um tabuleiro com uma trincha e um barrete (desenhados por Nuria Mora), cola em pó para papel de parede e fita-cola com a marca “La Más Bella”.
Depois tem selos de artista (María Marticorena, Merz Mail, Cuco Suárez, Los Torreznos, Clemente Padin…) auto-colantes (António Goméz, Francesc Vidal, Natalía Pastor…), um cartaz colectivo, papel pintado para parede (Carlos Pazos), e um estreito catálogo da “La Más Bella na Zé dos Bois”, uma sessão e performances realizada em Dezembro de 2007 na Galeria ZDB, com Yolanda Pérez Herreras, Hilário Alvarez, Fernando Aguiar, Joan Casellas, Nieves Correa, Pepe Murciego & Roxana Popelka e Carlos Llavata.
Publicada pela primeira vez em 1993, LA MÁS BELLA já editou 30 números com um total de cerca de 500 colaboradores.
Diego Ortiz e Pepe Murciego são igualmente os autores da Bellamátic, uma máquina de venda automática, onde se pode adquirir catálogos, revistas, CD’s, livros, vídeos, e que tem sido apresentada em galerias, Festivais de poesia e de performance, sempre com sucesso artístico (porque também é um objecto de arte) e de vendas.

domingo, 12 de outubro de 2008

DEZFACES
DEZFACES foi o título de um jornal cultural do qual saíram dez edições entre 2006 e 2007, que incluiu sobretudo poesia contemporânea a primar pela qualidade de cerca de 150 colaboradores, maioritariamente de Belo Horizonte.
O jornal foi estruturado de modo a serem publicados apenas esses 10 números, sendo 8 deles dirigidos especificamente por cada um dos coordenadores, que se juntaram agora para editar esta antologia com a sua própria obra.
Como tenho o prazer de conhecer pessoalmente metade dos editores e de me corresponder com alguns dos restantes, tive o privilégio de ir recebendo todos os números publicados, e agora esta belíssima DEZFACES, em forma de livro, que reflecte na obra dos coordenadores a qualidade literária patente no jornal.
São eles: Rogério Barbosa da Silva (que escreveu o prefácio), Adriana Versiani, Álvaro Andrade Garcia, Ana Caetano, Camilo Lara, Carlos Augusto Novais, Luciana Tonelli, Marcelo Dolabela, Vera Casa Nova e Marcelo Kraiser, com quem gravei, juntamente com Paola Rettore, alguns vídeo-poemas durante o Festival de Inverno da UFMG, em Diamantina, 2006.
No texto-poema “à moda de manifesto: as poéticas experimentais e outros que tais”, de Vera Casa Nova é referido o meu nome, que constitui o “link” para esta breve apresentação. Vera Casa Nova é uma professora/poeta “de mão cheia” como diriam no Brasil, da qual recebi os seus livros “Elipses” (poesia), “Fricções – traço, olho e letras” (Ensaios) e “Corpos Seriais” (poesia, com micro-paisagens de Marcelo Kraiser.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

BRAIN CELL Nº 719
Não sei exactamente como hei-de classificar esta originalíssima publicação, se é que se pode considerar, sequer, uma publicação. Habituados que estamos às classificações e a colocar tudo em cacifos pré-organizados, esta obra (pelo menos acho que a posso designar assim) escapa a tudo o que tenho visto ao longo destes 35 anos de actividade criativa.
BRAIN CELL é editada com intervalos de 8 a 12 dias, vai na edição 719 e é constituída por uma folha A-3 impressa por um processo que à primeira vista parece serigráfico, mas será certamente uma electrografia (embora não seja uma tradicional fotocópia a cores), com uma tiragem de 130/150 exemplares normalmente numerados e assinados.
É constituída por endereços, fotografias, logótipos, desenhos, carimbos e por colagens de pequenas tiragens em papel enviadas pelos colaboradores. Este material é trabalhado criativamente pelo Ryosuke Cohen, o autor da façanha, e é depois enviado aos participantes (cerca de 50 por cada edição), publicações em vários países e até para exposições internacionais.
Quando em 1987 organizei o 1º Festival Internacional de Poesia Viva no Museu Municipal Dr. Santos Rocha, na Figueira da Foz, a participação do Ryosuke Cohen (artista de Osaka) consistiu numa instalação com mais de duas dezenas de edições de BRAIN CELL.
Daí para cá tenho participado em vários números desta aventura, que é igualmente de louvar pela longevidade e regularidade com que o artista/editor a produz.
Na imagem, um pormenor da edição Nº 719.

sábado, 27 de setembro de 2008

LUMINĂ LINĂ
LUMINĂ LINĂ / GRACIOUS LIGHT – Ano XIII Nº 1 é uma revista de cultura romena publicada em New York, escrita praticamente toda em romeno (excepto a peça de teatro de Gheorghe Ciprian).
Tem 160 páginas e apresenta para além da peça referida, teoria, história, prosa, crónica literária, reportagens, textos de opinião, críticas de livros, estudos sobre a cultura romena, e a secção “Universalia” onde apresenta poemas de 4 autores estrangeiros: Wislawa Szymborska (Polónia), vaghea Mihani-Steryu (Macedónia), Alex Amália Câlin (?) e dois poemas meus traduzidos pela professora Elena Liliana Popescu a partir da versão espanhola do poeta Manuel Moya e do tradutor colombiano Carlos Ciro.
Elena Liliana Popescu publicou o ano passado o livro de poemas “Cât de Aproape…/Lo Cerca que Estabas…”, em romeno e em castelhano pela Editura Pelerin, de Bucareste.
Como a língua romena tem algumas semelhanças com a nossa, não resisto a transcrever aqui um dos poemas publicados - “O Dedo”.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

SULSCRITO Nº 2
Editada pelo Círculo Literário do Algarve, em Faro, sob a direcção de Fernando Esteves Pinto, João Bentes e de Pedro Afonso, saiu o segundo número da revista de literatura Sulscrito.
Constituída pelo dossier “Palavra Ibérica” com Diana Almeida, António Orihuela, Miguel Godinho, Cármen Camacho e Luís Filipe Cristóvão, entre outros, e dando destaque aos vencedores do “Prémio Internacional de Poesia Palavra Ibérica 2008”, Amadeu Baptista e Rafael Camarasa, a revista publica essencialmente poesia, um ensaio de Miguel Real e alguns contos.
Entre os restantes participantes estão Eduardo Halfon, Rui Dias Simão, Agustín Calvo Galán, Rodrigo Miragaia (com dois excelentes textos), Fernando Aguiar, José Emílio-Nelson, Rui Costa, José Luís Tavares e Maria do Rosário Pedreira. De destacar a bonita foto da contracapa de Paula Ferro. Para contactos: sulscrito@yahoo.com
O POSSÍVEL DA MEDIDA
Retocar
a seiva
do verbo.

Reflectir
no oculto
da face.

Retirar
o sentido
da rima.

Reservar
o rebordo
da espera

Remeter
à farsa
da fala.
Recear
o toque
no seio.
Reportar
ao trauma
do signo.

Restringir
na proporção
do medo.

Requerer
o oposto
da questão.
E repesar
o possível
da medida.