quarta-feira, 22 de abril de 2009

COISAS DE LITERATURA
Não costumo referir n’ “O Contrário do Tempo” críticas ou artigos publicados na imprensa acerca do que faço, mas considerando a leitura que o Prof. José Fernandes faz do meu trabalho e, principalmente, a sua visão sobre aquilo que considera “O Contrário do Tempo”, aqui ficam as suas palavras, respondendo a Raul, um estudante português de literatura portuguesa e brasileira acerca da sintonia entre portugueses e brasileiros em relação ao conhecimento mútuo do que se cria em cada país em termos de arte literária. Despois de reponder a várias questões sobre escritores contemporâneos, José Fernandes refere-se assim ao meu trabalho:
“Falamos da originalidade de Fernando Aguiar, um “performer” de índole experimental que infunde, com os gestos e com a imagem, um inconfundível sopro de vida às suas criações de poemas visuais. Conservando um pouco da estética grega, que via no corpo a mais legítima expressão do belo, ele consegue sintonizar a palavra, a imagem ao movimento do corpo, como se ele fosse o poema por excelência. Para bem compreender seu processo de criação, basta dar uma olhada no “Soneto acerca do erotismo”, em que a arte e sua metafísica, imprescindíveis à comunicação, constituem um todo indivisível, de tamanha concretude que se pode tocar o poema com os olhos e com os dedos, como se a linguagem fosse um processo contínuo de desvelamento.
Desculpe-me, mas desejo explorar-lhe um pouco mais, pois Aguiar intitula suas performances e suas exposições de “O contrário do tempo”. Existe alguma coisa que possa ser contrária a ele?
Acredito, caro Raul, que um padre aí mesmo de Portugal, João Antônio, nos oferece o ponto de partida para esta reflexão, quando pergunta: “Somos nós que fazemos o tempo ou é o tempo que nos (des)faz a nós?” Pensando em arte, parece-me que, se o tempo nos desfaz, nos carcome e, em decorrência, nos destrói, a partir do momento em que o artista cria um objecto estético que seja capaz de desfazer o tempo, de vencer o seu imponderável poder de destruição, este ser artístico está sendo contrário a ele. É neste sentido que o artista e a arte se lhe contrapõem. A arte é o contínuo ressuscitar do artista.”
Este texto foi publicado no “Diário da Manhã” de 14 de Abril de 2009, em Goiânia, no Brasil.

Fernando Aguiar, "Soneto Acerca do Erotismo", 1997

2 comentários:

Mónica disse...

Apreciado Fernando
soy Mónica. Estoy atcualizando contenidos de la web de Matadero y la actividad de Bellamatmatic, donde actuarás.

He tomado esta imagen para adjuntar a tu perfil. Si quiers que utilice otra mándamela a monicacuende@gmail.com

Obrigada.

Anónimo disse...

Este seu apontamento sobre a arte e o tempo, meu caro Fernando, é realmente bastante pertinente e certeiro. Arte pode, sim, contrapor-se ao tempo e, como sabemos, superá-lo e, assim, ser o contrário dele. É justamente isso que o título deste seu instigante blog sugere. Parabéns, da compatriota luso-brasileira
dalila teles veras