sábado, 31 de dezembro de 2011




ESTRATÉGIAS DO GOSTO



E o ano volta a terminar com uma boa notícia: recebi finalmente exemplares do meu livro “ESTRATÉGIAS DO GOSTO”, publicado pela Escrituras Editora, de São Paulo, no final de Setembro.

Inicialmente o livro foi programado para sair na primeira quinzena de Setembro, aproveitando o convite para participar na II Bienal Internacional de Poesia de Brasília, onde eu teria a oportunidade de fazer o respetivo lançamento durante esse evento. Infelizmente a Bienal, organizada pelo poetamigo Antonio Miranda acabou por não se concretizar, mas o livro já estava em fase de impressão e acabou mesmo por sair.

Depois de “TUDO POR TUDO”, publicado no final de 2009, “ESTRATÉGIAS DO GOSTO” é o meu segundo livro editado por esta importante editora paulista, com o apoio, de novo, da Direcção-Geral do Livro e das Bibliotecas, numa colecção fundada pelos poetas António Osório e Carlos Nejar (poeta que tive o prazer de conhecer em meados dos anos 90, em Bento Gonçalves, durante o Congresso Brasileiro de Poesia), e até à pouco dirigida pelo poeta Floriano Martins, de quem recebi o convite para a publicação do primeiro livro.

“ESTRATÉGIAS DO GOSTO” foi, curiosamente, organizado antes do “TUDO POR TUDO”, a convite de uma editora de Belo Horizonte, cuja edição acabou por não se concretizar. Entretanto, por ter tido a oportunidade de avançar com um livro de originais pela Escrituras, a colectânea “ESTRATÉGIAS DO GOSTO”, acabou por ficar em stand-by. Até agora.

No essencial ambos acabam por ser “contemporâneos”, considerando que integram poemas escritos desde o princípio dos anos 80 até 2008/2009, consoante o caso. Esta será uma das “vantagens” de publicar pouco, o de poder reunir poemas de diferentes fases, mas que se completam numa estética adjacente e complementar.

Mais especificamente sobre o livro, este começa com uma entrevista que o Professor Rogério Barbosa da Silva me fez em 2002, como parte da pesquisa da sua tese de doutoramento, seguida de 54 poemas verbo-experimentais distribuídos por 6 capítulos. As “capas” dos capítulos contêm fotopoemas da série “Calligraphies”, realizada em 2006, em Diamantina, Brasil, durante o Festival de Inverno da U.F.M.G.

Segundo o site da editora, Fernando Aguiar é um artista marcado pela experimentação, tomando as letras e a palavra como principais matérias das suas intervenções literárias e visuais. Estratégias do gosto apresenta diversos poemas, verdadeiros ensaios sobre Poesia Visual e Performance Poética. No início da obra, encontramos entrevista do autor a Rogério Barbosa da Silva, a respeito de sua trajetória e seus projetos. “

Tem 128 páginas, custa 25 Reais e a capa foi concebida a partir de um fotopoema meu. Ficam aqui dois dos poemas do livro, sendo um deles o que lhe dá o título.




2 . 



o ter traço te

o ver traço me

o sermo traço nos

o ler traço lo

de lado traço saio

a sorte traço vem

a traça traço tem

o trato traço pois

no páteo traço dois

bois traço à frente

rente traço atrás

à toa traço somos

o pomos traço lhe

de lado traço cravo

o trevo traço torna

se trota traço treme

por tema traço mar

o ar traço temo

o aço traço torço

no dorso traço torto

o trono traço tinha

a linha traço parte

de parte traço deposto

o rosto traço põe

a ponte traço cai

se sai traço entra

o soalho traço sente

o sumo traço bebe

ao santo traço ora

na hora traço vejo

o tejo traço passa

no poço traço caço

se coço traço meio

se cheio traço arroto

c/ o pé traço chuto

o chato traço cato

na meta traço meto

o medo traço tenho

à merda traço mando

somando traço chego

por chaga traço tomo

se tosse traço tusso

na torre traço toco

na toca traço vivo

em vida traço corro

na caída traço o braço

à berma traço torno

trocadilho sem traço.


  


ESTRATÉGIAS  DO  GOSTO




ou se gosta

ou não se gosta.



ou se gosta

entre o se gosta

e o não

se gosta.



ou se gosta

entre o se gosta

e o se gosta

assim-assim.



ou se gosta

entre o não se gosta

e o se gosta

assim-assim.



ou se gosta

entre o

assim

e o assim.



ou simplesmente

(des)gosta-se.



sábado, 24 de dezembro de 2011


ARTE POSTAL

Embora nos últimos anos tenha tido uma participação diminuta em exposições de Arte Postal, desta vez nem precisei de enviar qualquer trabalho.

O poeta Hugo Pontes, professor e coordenador da importante publicação “ComunicArte”, reuniu um conjunto de obras do seu acervo pessoal e apresentou-as na Agência Central dos Correios, em Poços de Caldas, no Brasil, cidade onde vive e onde desenvolve a sua actividade cultural.

Dos cerca de 50 participantes de quinze países, anoto os nomes de António Sassu, César Espinosa, Clemente Padin, Constança Lucas, Emílio Morandi, Geraldo Magela, Giovanni Strada, Jean-François Bory, Joaquim Branco, Paulo Bruscky, Reed Altemus, Roberto Keppler, Ruggero Maggi, Stephen Perkins e Vittore Baroni.

De referir que em 1998 o Hugo Pontes (que conheci pessoalmente em 1996, em Bento Gonçalves, quando organizámos, juntamente com o poeta uruguaio Clemente Padin, a primeira Mostra Euro-Americana de Poesia Visual, integrada no IV Congresso Brasileiro de Poesia, e da qual resultou uma duradoura amizade) dedicou o Nº 84 de “ComunicArte” ao meu trabalho poético-visual.



sexta-feira, 16 de dezembro de 2011


IMERGÊNCIA
 
De 5 a 13 de Novembro, realizou-se em vários locais de Lisboa o Festival IMERGÊNCIA – Performance / Intervenção / Experimentação Sonora / Video Art, no qual participaram cerca de 50 artistas nacionais e estrangeiros.

No Espaço do Urso e dos Anjos apresentaram performances o Colectivo Bu, Rocío Boliver, João Abel e Vasco Roncon, Filipa Aranda,  Thomas Kahrel e João Branco, Andrea Inocêncio, Ramón Churruca, Yanomine Miguel e Victor Bonet. Nas conversas sobre “Performance – o Discurso do Efémero no Contexto Português” participaram Natxo Checa, Miguel Moreira, Fernando Aguiar, Leonor Areal e Fátima Séneca.

Na Praça do Comércio realizaram-se as intervenções de Maria dos Milagres, Fabi Borges, Mario Cruz, Cristian Guardia, Hugo de Almeida Pinho e André Fonseca, Paco Nogales e Vitor Lago Silva.

Nos dia 10 e 11, as performances decorreram no Instituto Francês com as actuações de Serge Pey e Chiara Mulas, Fanny Torrès, Emilie Parendeau e de Anne-James Chaton, para além de uma exposição documental sobre o happening a e performance em França.

O Festival terminou na Galeria Zé dos Bois com uma Mostra de vídeo de performances espanholas e um documentário sobre Os Felizes da Fé realizado por Leonor Areal. As performances foram apresentadas por Alberto Pimenta, Lúcia Prancha e Sara Nunes Fernandes, Susana Chiocca, António Azenha, o Grupo PAN, Márcio-André e Ana Gesto, Alexandre A. R. Costa, Paco Nogales, Hugo de Almeida Pinho e André Fonseca, Ana Matey, terminando com a performance de João Garcia Miguel, Rui Gato e Sara Ribeiro.

Na ZDB teve ainda lugar mais uma conversa sobre “Performance – O Discurso do Efémero no Contexto Português” com José Alberto Ferreira, António Azenha, Paulo Raposo, Alexandre A. R. Costa, João Fiadeiro, Susana Chiocca e Chambel Santos.

Resta dizer que IMERGÊNCIA foi organizado por Nuno Oliveira e por Guida Chambel, que se esmeraram por levar adiante um Festival desta envergadura, praticamente sem meios económicos, isto a juntar ao relevante trabalho organizativo com a série de performances que apresentam mensalmente sob a designação de EPIPIDERME, primeiro na Fábrica do Braço de Prata e nos últimos meses no Espaço do Urso e dos Anjos.


 Serge Pey


Alberto Pimenta


António Azenha


Susana Chiocca


Márcio-André


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011


RESINE
 

Com uma bonita capa, fruto do trabalho de Giovanni Fontana, a revista italiana RESINE – Quaderni Liguri di Cultura tem como temática deste Nº 128/129 a unificação de Itália, ocorrida há 150 anos.

Pier Luigi Ferro assina o texto de apresentação desta revista de 160 páginas, editada em Savona, que patenteia diferentes abordagens de autores italianos sobre o tema em questão.

O capítulo “visual” intitulado “Fratelli d’Itaglia”, com um carácter mais internacional, foi coordenado por Giovanni Fontana e tem a participação de Nanni Balestrini, Julien Blaine, Lamberto Pignotti, Fernando Aguiar, William Xerra, Paolo Albani, Guy Bleus, Anna Boschi, Klaus Peter Dencker, Gustavo Vega, Bartolomé Ferrando, Irma Blank, Jean-François Bory, Hans Clavin, John M. Bennett e Giuseppe Salerno.



Fernando Aguiar, "Itália", 30x21 cm, 2011

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011


OS LIVROS
 

A exposição “Arte Postal – Os Livros”, organizada por Constança Lucas, teve lugar na Alpharrabio Livraria e Centro Cultural entre os dias 17 de Setembro e 15 de Outubro, na cidade de Santo André, no Brasil.

No texto de apresentação do pequeno catálogo em forma de envelope desdobrável, Dalila Teles Veras escreveu:” Uma exposição de Arte Postal como esta, cujo tema são os livros, composta por nada menos que 582 postais, enviados por 289 participantes de 20 diferentes países, resgata, além de tudo, a arte da epistolografia, comunicação que rejeita a massificação, única e pessoal, correspondência com valor artístico. Exposição (também) para ser lida.”

“Sinal dos tempos: a partir de uma convocação virtual, a resposta em centenas de trabalhos que levam a marca do corpo, o carimbo dos correios, a mensagem em letra cursiva, colagem, desenho, fotografia, imagens, arte correio. A presença física dos livros representada por outros meios (Blogs, emails, sites, Photoshop, fotografia):”

Alguns nomes de entre os quase 300 participantes: Ana Aly, Bruno Chiarlone, César Reglero, Clemente Padin, Constança Lucas, Emerenciano, Emilio Morandi, Felipe Lamadrid, Fernando Aguiar, Giovanni Strada, Hilda Paz, Hugo Pontes, Joaquim Branco, Joaquim Lourenço, John M. Bennet, Lancillotto Bellini, Luc Fierens, Paulo Bruscky, Pedro Bericat, Roberto Keppler, Ruggero Maggi, Serse Luigetti, Thierry Tillier e Zhô Bertholini.

Em Março do próximo ano, esta exposição será apresentada na Galeria Gravura Brasileira, em São Paulo.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011


CATACLÍSTICS


Este número da revista CATACLÍSTICS sem número, tem uma particularidade curiosa: é que foi integralmente realizado perante o público, durante os 3 dias que durou o Festival 2011 POETAS POR KM2, já aqui referido.

O colectivo que realiza CATACLÍSTICS, solicitou antecipadamente aos participantes no Festival e a outros artistas que enviassem colaboração e, com esse material, foi então realizada a revista durante esses três dias.

A CATACLÍSTICS tem um carácter artesanal, apesar do miolo ter sido previamente impresso, mas algumas páginas têm carimbos, etiquetas autocolantes coloridas, e as páginas centrais são impressas em serigrafia, realizadas no último dia do Festival que, para além das performances e intervenções poéticas, foi constituído por uma Feira de publicações alternativas e de pequenas editoras.

A própria capa tem uma fita adesiva larga colada e o tema deste número “RED ES”, está escrito à mão. Outra curiosidade é que nenhuma das colaborações está identificada, pelo que sabemos quem participou, mas não sabemos “com o quê”. O mesmo se passa com os integrantes do coletivo, já que não há qualquer referência aos seus nomes.

Dos colaboradores, passo a referir: Roger Wolfe, Fernando Aguiar, María Salgado, Mateu Coll, Andreu Terrades, Jose Ruiz, Emilio Cano, David Curto, e Pedro Oliver, entre outros. Participo com o poema “Errata”, já aqui publicado, pelo que não se justifica voltar a fazê-lo.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

MAIL ART
LA RED ETERNA

O livro MAIL ARTE – LA RED ETERNA, coordenado por Pere Sousa ou, como prefere assinar, Merz Mail, reúne os artigos teóricos publicados na revista P.O.BOX entre 1994 e 1999, editada por este poeta sonoro e mailartista.

Durante esse período a P.O.BOX foi das revistas internacionalmente mais ativas no campo da arte postal e, apesar de nesses anos ter deixado de colaborar de uma maneira regular com as exposições de Mail-Art, como tinha acontecido na segunda metade dos anos 80, ainda colaborei nas P.O.BOX Nº 16 e Nº 27, e tenho outros exemplares da revista no meu Arquivo.

No livro foram recolhidos os textos de John Held Jr., Vittorio Baccelli, Clemente Padin, Guy Bleus, José Luis Campal, Vittore Baroni, Jas W. Felter, G. E. Marx Vigo, Antonio Gómez, Nel Amaro, Ruud Janssen, Industrias Mikuerpo, Edgardo Antonio Vigo e de Merz Mail, que para além da Mail-Art, tratam também de Selos de Artista, Copy-Art (ou eletrografia, como preferia designar o poeta António Aragão), Stamp-Art ou a Fax-Art.

O livro termina com a reprodução das obras que foram enviadas para a exposição realizada no âmbito da Bienal EX!POESÍA 2010 intitulada “El Sobre Como Continente”, constituída por cerca de 60 envelopes originais, com desenhos, pinturas, colagens, carimbos, etc. de autores como Cesar Reglero, Felipe Lamadrid, Javier Seco, Sergi Quiñonero, Miguel Jimenez, Gustavo Veja, Constança Lucas, Ruggero Maggi, J. M. Calleja, Paulo Bacedônio, Joaquín Gómez, Gastão Magalhães, Alfonso López Gradolí, Fernando Aguiar, Corporación Semiótica Gallega, Ibirico, J, Ricart, Hilda Paz e Francisco Aliseda, para além de alguns dos autores dos textos acima referidos.

Resta dizer que a edição deste livro de referência para a história da Mail-Art é do coletivo L.U.P.I., com uma crescente importância na organização de atividades culturais no âmbito das artes experimentais em Espanha, como a organização das Bienais EX!POESíA, ou a edição do livro 10x10+1.ACCIÓN, do qual saiu recentemente a 2ª edição.

Em baixo deixo 4 dos meus envelopes de artista, produzidos em 2005.







sábado, 12 de novembro de 2011




2011 POETAS POR KM2

Este Festival de Perfopoesia organizado por Pepe Olona, da Arrebato Libros, teve lugar no Centro Cultural São Paulo, no Brasil, no princípio de Setembro, e depois na Casa de América, em Madrid, no final de Outubro.

Admirei a capacidade organizativa e a simpatia de Pepe Olona que, com a ajuda de Eduard Escoffet conseguiu organizar um Festival de qualidade em dois continentes separados por um imenso oceano, e que já vai na sua 7ª edição, unindo Espanha a outros países Latinomericanos.

Diz Pepe Olona no final do breve texto de apresentação: “ Su andadura, que celebra su séptimo año, tiene como misión aunar una multitud de voces poéticas y celebrar la comunión de todas ellas en esse lugar tejido entre España y Latinoamérica, en esse puente que enroca lo experimental y lo emergente, las diferentes musicalidades, los distintos acentos.”

“Es POETAS POR KM2 un Festival de sílabas tonales, pronunciadas en todas sus modulaciones posibles, com la cadencia, el ritmo y la gravedad que imponen los más de cien poetas que han participado hasta la fecha, y com la intención clara de seguir acentuando esta pluralidad. Es POETAS POR KM2 pura y sublime oralidad, y por ello se construye este espacio, para que todo lo que tenga que decirse sea dicho.”

E com isto, passo a enumerar os participantes. No Centro Cultural São Paulo atuaram Antonio Gómez, Ajo, Arnaldo Antunes, Eduard Escoffet, Luiz Alvarado, Peru Sainzprez, Lúcio Agra y Paulo Hartmann,
Márcio-André, Déborah Vukusic, Ricardo Castillo e Marcelo Sahea.

Na Casa de América, onde decorreu também uma Feira de pequenos Editores, e onde durante esses dias o coletivo Cataclístics criou um fanzine literário perante o público, tiveram lugar as intervenções de María Salgado, Álvaro Pombo, RogerWolfe, Marcelo Sahea, Los Torreznos, Fernando Aguiar, Ricardo Aleixo e Josele Santiago.

Mais informações podem sem obtidas em www.poeticofestival.es

  Los Torreznos

  Marcelo Sahea

 Ricardo Aleixo

 Fernando Aguiar

domingo, 6 de novembro de 2011




DOC(K)S
4ª Série - Nºs 13/14/15/16
 

Dirigida desde 1990 pelo coletivo Akenaton (Philippe Castelin e Jean Torregrosa), foi publicado em Ajaccio mais um belíssimo número da revista DOC(K)S, fundada em 1976 pelo poeta e ativista cultural Julien Blaine.

Desta feita dedicada ao poeta e performer francês Joël Hubaut com inúmeras colaborações que preenchem mais de metade das suas 432 páginas. Alguns dos autores que integram este capítulo: Hervé Brunaux, Anne-James Chaton, Julien D’Abrigeon, Daniel Daligand, Henri Deluy, Charles Dreyfus, Bartolomé Ferrando, Gyorgy Galantai, Tom Johnson, Richard Martel, Tibor Papp, Charles Pennequin, Serge Pey, Esther Ferrer, Giovanni Fontana, Endre Szkarosi, Lucien Suel e Artur Tajber.

No capítulo “Open” participam Fernando Aguiar, John Bennett, Paul Collins, Luc Fierens, Claudio Francia, Marina Mars, Emilio Morandi, Peter Murphy, Shin Tanabe, Gruppo Sinestesico, Túlio Restrepo e Massimo Zanasi, enquanto que no “Dieu(x)” colaboram Nadine Agostini, Nenad Bogdanovic, Caterina Davinio, António Gómez, Rugero Maggi, Boris Nieslony, mais os textos de Sílvio de Gracia, Nicola Frangione e Franck Ancel, entre os cerca de 150 poetas, performers e artistas visuais incluídos neste número.

Como vem sendo hábito, a revista contém um DVD com poesia sonora, vídeos e animações com obras de cerca de 40 dos nomes já mencionados e outros que não o chegaram a ser.

O comité de redacção internacional, do qual também faço parte, inclui ainda Démosthène Agrafiotis, Dmitry Bulatov, Edouard Escofett,  Pierre Garnier, John Giorno, Boris Nieslony, Clemente Padin, Sarenco e Seiji Shimoda.

Em baixo estão 4 dos meus 6 poemas visuais publicados nesta DOC(K)S, realizados em Diamantina, no Brasil, durante o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais.
 
A revista custa 50 € e o contacto é akenaton.docks2A@mail.com









segunda-feira, 31 de outubro de 2011



10x10+1.ACCIÓN
 
Saiu recentemente a 2ª edição do livro “10x10+1.ACCIÓN – Performance en la Península Ibérica”, organizado por Javier Seco Goñi e por Yolanda Pérez Herreras. A edição é do colectivo L.U.P.I. (La Única Porta a la Izquierda), liderado por J. Jesús Sanz, coordenador da Bienal “Ex!Poesia” que, no ano passado, realizou a terceira edição.

Na altura da sua publicação, no final do ano passado, escrevi o seguinte: “Como o subtítulo indica, o livro pretende dar uma visão da performance em Portugal e em Espanha, com um destaque substancial para a intervenção castelhana, não apenas porque a performance está muito mais difundida, com Festivais e espaços dedicados à performance em diversas cidades espanholas, como porque sou o único participante português no livro e com um texto onde me refiro apenas à performance poética.”

“Com um texto de apresentação de Bartolomé Ferrando, 10x10+1.ACCIÓN está dividido em três partes. A primeira contém textos de Isidoro Valcárel Medina, José Luis Campal, Fernando Aguiar, Javier Seco Goñi e de Yolanda Pérez Herreras. A segunda parte é constituída por entrevistas a Belén Cueto, Esther Ferrer, Hilario Álvarez, Isabel León, Joan Casellas, Nelo Vilar, Nieves Correa, Pepe Murciego, Colectivo MAE e Los Torreznos.”

“O que considero como uma terceira parte, é o DVD inserido no livro com performances de cerca de 40 autores, a maior parte dos já referidos e ainda Analia Beltrán, Antonio Gómez, Ad Hoc, M.A.E., Gustavo Vega, Manuel Almeida e Sousa, Nel Amaro, Paco Nogales, Beatriz Albuquerque e Sergi Quiñonero.”

Parabéns, pois, ao J. Jesus Sanz e aos organizadores, porque não é comum um livro dedicado à performance ter o privilégio de uma segunda edição.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011




DELTA Nº 24
 
Chegou-me agora às mãos mais um número da revista DELTA - Revue Internationale pour la Poésie Expérimentale, desta vez o Nº 30, editado em Chiba, no Japão, pelo poeta Shin Tanabe e com a qualidade técnica a que nos tem acostumado desde há vários anos.

A revista de formato A-5, invariavelmente com 48 páginas, a maior parte das quais dedicada à poesia japonesa, tem também, como vem sendo hábito, uma secção central dedicada à poesia visual internacional.

Por não conseguir decifrar o nome dos poetas japoneses, refiro os que estão representados nas páginas de poesia visual: Richard Kostelanetz, Guy R. Beining, Ryosuke Cohen, Fernando Aguiar, Hans Brög, Demosthenes Agrafiotis, Shin Tanabe, Julien Blaine e Misako Yarita.


 Fernando Aguiar, "Ensaio a Duas Mãos" (Para o Alberto Pimenta), 1997

sábado, 15 de outubro de 2011

O PSIU POÉTICO
N’O NORTE DE MINAS


Terminou há dois dias a 25ª edição do Salão Nacional de Poesia PSIU POÉTICO na cidade mineira de Montes Claros, organizado desde sempre pelo poeta e ativista cultural Aroldo Pereira, Salão no qual já participei presencialmente em duas edições, e em muitas outras na exposição de poesia que lhe está associada.

Acerca desta edição comemorativa de um quarto de século dedicada à poesia nas suas vertentes mais diversas, o poeta e professor da Universidade de Montes Claros, Anelito de Oliveira, num artigo publicado no passado dia 10 no diário  “O Norte de Minas”, refere o seguinte: “Na sua longa e admirável trajetória - a maioria dos projetos culturais morre nas primeiras edições -, o Psiu Poético recebeu e continua recebendo nomes proeminentes da cultura literária e musical brasileiras: Waly Salomão, Arnaldo Antunes, Jorge Mautner, Thiago de Mello, Adélia Prado, Alice Ruiz, entre outros. A participação, ultimamente, do inquieto poeta e performer Fernando Aguiar, que mantém o fervor da invenção em Portugal, acena para uma relevância que o evento tem ganhado para além do país. A tendência é, sem dúvida, essa relevância crescer como exemplo de resistência a um mundo cada vez mais contrário à poesia, mais fútil.”

“Todavia, o que distingue decisivamente o Psiu é o arrastão que consegue promover a cada ano de tantos poetas e curtidores de poesia, gente que emerge das margens de Montes Claros, cujo centro é historicamente sem graça, áspero demais. Gente que se encontra com outras gentes, que se deslocam de vários lugares igualmente marginais do país, e aí se configura o grande MSP - Movimento dos Sem Poesia - nos dias de Psiu, suplicando atenção - psiu! - para sua existência no campo social. Isso é massa, como dizíamos no momento em que o evento surgiu, naqueles ternos anos finais da década de 80.”

E termina, afirmando: “Depois de tantos anos, não há como não reconhecer uma comunidade Psiu, que tem como referência de sociabilidade a poesia. Não se trata de uma Geração Psiu, de um grupo organizado apenas em torno de valores estéticos - e isso é positivo. Psiu é mais um caso de sociedade do que de literatura, ou mesmo de poesia enquanto fazer, enquanto atividade de artífices.“

Parabéns pois, a Aroldo Pereira, pelo seu admirável esforço em manter ininterruptamente um Festival pelo qual já passaram centenas de poetas de diferentes expressões literárias, e que conseguiu instituir o tradicional dia de inauguração do Psiu Poético – 4 de Outubro – como o Dia Municipal da Poesia.





Fernando Aguiar (com Guilherme Rodrigues)
no Psiu Poético de 2007, Montes Claros, Brasil

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Z A ZERO

Z a Zero é a mais recente edição do poeta brasileiro Wilmar Silva, autor de uma trintena de livros de poesia, e com um incrível ritmo de publicações, se considerarmos que nestes últimos 4 anos o Wilmar deu à estampa 12 livros, entre originais e reedições, no Brasil, República Dominicana, Bolívia, Argentina e em Portugal. E nessas edições o tipo de letra, o design e o próprio papel onde são impressos são alvo de uma cuidada atenção.

Tive a oportunidade de assistir ao nascimento deste livro e do respectivo título e, desde logo, fiquei fascinado pela inventividade deste criador que, nos últimos anos, tem descoberto a experimentalidade poética e a sonoridade da poesia em palco.

Os dois posfácios do livro foram escritos por Mário Alex Rosa e por mim, e vou citar excertos desses textos, que dizem o essencial acerca do livro, polémico pela sua forma e conteúdo, já que se pode considerar um livro de sonetos. E inteiramente impresso a vermelho.

Mário Alex Rosa refere o seguinte: “Quando se lê seus poemas – muitos são um jorro, como se nos solicitasse uma leitura num fôlego só -, a sensação que se tem é que foram escritos intuitivamente, por outro lado, nota-se um rigor na composição dos versos, na construção equilibrada, como se fosse um poeta de linhagem mais construtivista. Como se vê, são duas vertentes bem distintas, mas que parecem amalgamar-se em Wilmar Silva de forma natural…”

Quanto a Fernando Aguiar, “moi-même”, escreveu que “Com uma temática conceptual que não retira nada à sua essência, estes poemas são trabalhados de uma forma rigorosa nos conceitos que referi: têm uma estrutura poderosíssima, um som muito próprio, no aspeto técnico são poemas concebidos pela repetição de cada letra por cada uma das vinte e seis que constituem o alfabeto,…”

“Z a Zero” é igualmente uma obra inventiva no seu minimalismo estético, conseguindo criar uma sequência de poemas com um conjunto reduzido de elementos gráficos. Porque, curiosamente, “Z a Zero” é um livro constituído por vinte e seis poemas que não contêm uma única palavra que possa ser encontrada no dicionário. E no entanto diz tudo.”

Para além de poeta, Wilmar Silva tem tido uma atividade imparável como editor (Anome Edições), com duas dúzias de edições anuais, coordena as “Terças Poéticas”, um evento semanal de poesia apresentado no Palácio da Artes, o mais importante espaço cultural de Belo Horizonte, por onde têm passado significativos poetas brasileiros e alguns estrangeiros, e é o coordenador de “Portuguesia – Festa da Poesia Lusófona”, realizado em Portugal e no Brasil, nos quais reuniu dezenas de poetas de língua portuguesa ao longo das suas 5 edições. Em Portugal “Portuguesia” têm sido apresentada na Casa Camilo Castelo Branco em S. Miguel de Seide, em co-coordenação com o poeta Luís Serguilha.