quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

 
REDE DE CANALIZAÇÃO
 
Para terminar o ano mais uma efeméride: faz este mês 25 anos sobre a publicação do livro “REDE DE CANALIZAÇÃO”, o primeiro (e penso que o único até agora) livro editado em Portugal, que recria a apresentação de uma performance, considerando que uma sucessão de imagens será sempre uma visão parcial e seccionada de uma ação, e que nem através do vídeo se consegue reproduzir nas suas inúmeras dimensões o ato irrepetível de uma intervenção estética.
 
REDE DE CANALIZAÇÂO – a performance – foi realizada no dia 24 de Junho de 1983 na ALTERNATIVA 3 - III Festival Internacional de Arte Viva, em Almada, organizado pelo crítico Egídio Álvaro (e foi gravada em vídeo, ficando o mesmo na posse da Secretaria de Estado da Cultura e / ou Egídio Álvaro, do qual nunca tive acesso a uma cópia).
 
O livro “REDE DE CANALIZAÇÃO (uma intervenção consoante)” está dividido em 4 capítulos: “Pressuposto ou a atitude” (onde aparecem as diversas manilhas de esgoto pintadas apenas com as vogais), “Comportamento ou o gesto” (com imagens da minha intervenção sobre as mesmas), “Consecução ou o efeito” (com as consoantes já pintadas e as diversas palavras completas), “Súmula ou a iniciação” (com uma fotografia das diversas manilhas agrupadas, permitindo uma aleatória leitura do conjunto) e “Ruptura ou o curto-circuito” (com 3 versões das manilhas deitadas e sobrepostas, criando uma “amálgama” ou um poético “entrelaçado” de palavras, materializadas pelos objetos em cimento e algumas tábuas onde estas foram pintadas.
 
Os dois últimos capítulos não fizeram parte da intervenção poética, como a intitulei na altura, resultando apenas na composição estético-poética de fotografias que foram tiradas posteriormente à realização da performance.
 
Com fotografias de Luís Garcia e de Fernando Aguiar, o livro acabou por ser impresso apenas em 1987 (precisamente em Dezembro), numa coedição do autor e da Câmara Municipal de Almada, nas oficinas gráficas desta.
 
 
 

 
 

(Esta imagem não faz parte do livro, é apenas uma versão da foto do 3º capítulo, mas como é uma fotografia inédita achei interessante mostrá-la)
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

 
IDEIAS DE IMAGEM
 
 
O segundo número da Revista Ideias de Imagem surge na sequência do Ciclo de Confluências, que teve lugar em 2009 em Belo Horizonte, no Brasil, organizado por Izabel Stewart e por Dudude, a diretora da revista.
 
No editorial, Dudude afirma que “É sempre bom lembrar que tal evento invoca a invenção, o atravessamento de habilidades distintas em torno das Ideias de Imagem, o que talvez um neurologista, um artista, um poeta, um dançarino possam pensar sobre imagem. Prezando sempre pela livre escrita, ou se escreve, ou se desenha e, para tanto, todos os colaboradores foram convidados a ativar subjetivamente o sentir Ideias de Imagem.”
 
Entre os quais estão Paola Rettore, Paulo Azevedo, Vera Casa Nova, Marcelo kraiser, Rodrigo Quintela, Fernando Aguiar, João Saldanha, Guto Moniz, Angela lago, Inês Rabelo, ou Marcelo Márquez.
 
A Revista versa em português e em espanhol (para cada número é eleita uma língua estrangeira para “dançar” com a portuguesa, tem um formato próximo do A-4 e 240 páginas plenas de fotografias, textos, desenhos, poemas, pintura, tudo de excelente qualidade e com muita criatividade à solta.
 
Termino com palavras de Dudude: “Um exercício de liberdades, de suposições, de permeabilidades, de impermanências entre pessoas, entre espaços, a vida vale todo o tempo, portanto, vamos ao experimento !”
 
Fernando Aguiar, "Calligraphy", 2006
 

Fernando Aguiar, "Paola's Poem", 2006

domingo, 9 de dezembro de 2012

 
AVESTRUZ
 
Paola Rettore acabou de editar um belíssimo livro de artista intitulado “AVESTRUZ – só tenho rascunhos”, no qual apresenta uma série de “percursos e andanças na cena urbana”.
 
Em “AVESTRUZ”, e por entre textos, poemas e muita fotografia, Paolla expõe algumas das suas obras de dança, nas quais as encenações, a conceção dos figurinos e o contexto em que estas são apresentadas, numa interação solicitada e permanente com as pessoas que passam, resultam em obras estéticas de grande criatividade.
 
O livro, com uma pequena tiragem numerada e algumas das páginas executadas à mão, vem acompanhado por um DVD realizado por Marcelo Kraiser onde se pode ver, na íntegra, as intervenções de onde resultam as fotos e os textos que constituem “AVESTRUZ”.
 
Mas vou passar ao extrato do pequeno texto que escrevi e que vem publicado na contracapa do livro: “Os trajes/figurinos que Paola Rettore re(a)presenta quer em  situações de vivencia urbana, onde em muitas das imagens é revelador o contraste entre a a beleza do adereço e a rudeza do ambiente envolvente “…” quer inseridas no ambiente sofisticado e asséptico do estúdio fotográfico, onde as vestes e a movimentação conjugadas com a singularidade/seriedade das expressões faciais e do exercício da sensualidade do corpo se associam a objetos comuns que, no contexto contribuem para a dramatização da situação registada pela câmara fotográfica, configuram obras de arte “per si”.
 
“No mesmo resultam muitas das fotografias que aqui se podem observar e que conformam obras de arte contemporânea de irrepreensível qualidade artística e técnica. Obras fotográficas que, afinal, a Paola sempre concretizou, a partir da dança, da performance ou na própria edição.”
 
“Nestas fotografias, a artista revela de novo a sua verve criativa, “…” uma artista plenamente embrenhada na conceção e na revelação da sua arte, centrada na dança, mas também no cuidado que sempre demonstrou na criação dos adereços que desenvolveu para a realização do seu trabalho nessa área.”
 
“Ao contrário do belíssimo poema “Acaso Falta” (que em tempos comentei à autora que gostaria de ter sido eu a escrevê-lo), “…alta / falta F // fata / falta L  // fala / falta T // para completar”, neste triplo trabalho de criação estética na inventividade dos adereços - exposição pública - registo fotográfico, tudo fala e nada falta!”
 


segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

 
PELA LEONOR VERDURA
 
Estreou no dia 29 de Dezembro o novo espetáculo do grupo “MANDRÁGORA”, que comemora precisamente 33 anos de vida associativa e onde “ desde 1979 que nos propomos a desenvolver projetos experimentais em regime de pesquisa. No ano e mês em que Mandrágora cumpre 33 anos de existência, apresentamos “PELA LEONOR VERDURA” um percurso através da poesia experimental portuguesa, com encenação de Manuel Almeida e Sousa”, como refere o programa do espetáculo.
 
Que tem como intérpretes os atores / performers Íris Santos e Bruno Vilão que, ao longo de quase uma hora de viagem pela poética experimental, dão vida aos diversos textos verbo-experimentais mas também visuais.
 
Os poetas representados são: Emerenciano, Ana Hatherly, Mário Cesariny de Vasconcelos, Liberto Cruz, Jaime Salazar Sampaio, Alberto Pimenta, E. M. de Melo e Castro, António Aragão, Abílio-José Santos, Salette Tavares, José Oliveira, Alexandre O’Neil, Fernando Aguiar, César Figueiredo, Manuel Almeida e Sousa, António Dantas, Armando Macatrão, José- Alberto Marques e Silvestre Pestana.
 
“PELA LEONOR VERDURA”, vai continuar ser apresentado na Sociedade Guilherme Cossoul, na Avenida D. Carlos I, Nº 61, em Lisboa, nos dias 7 e 8 de Dezembro, 31 de Janeiro, 1 e 2 de Fevereiro, pelas 21.30 h, após o que seguirá a para outras cidades.
 

sábado, 24 de novembro de 2012

 

THE LAST VISPO
 
“THE LAST VISPO – Anthology: visual poetry 1998-2008” é provavelmente a mais importante antologia de poesia visual publicada internacionalmente na primeira década do milénio.
 
Coordenada por Crag Hill e por Nico Vassilakis, é um trabalho de envergadura que demorou alguns anos a concretizar, e que teve o auxílio organizativo de Reed Altemus, C. Mehrl Bennett, Sheila E. Murphy e Donato Mancini.
 
Esta edição da Fantagraphics Books, de Seattle, nos Estados Unidos (curiosamente, impressa em Singapura), tem um formato 26x21 cm, 338 páginas excelentemente impressas a cor em papel couché, a colaboração de 148 poetas de 23 países (cada autor participa com 2 a 4 poemas visuais), e pretende “fazer a ponte entre a escrita pictográfica do passado e o vasto futuro da escrita visual “.
 
A antologia está dividida em 5 capítulos  - Lettering, Object:Poems, Handwritten, Typography e Collage -, todos precedidos por ensaios teóricos de alguns dos poetas participantes.
 
Portugueses apenas dois: César Figueiredo e Fernando Aguiar. Dos estrangeiros ( a grande maioria de norte-americanos, como não podia deixar de ser) e, referindo apenas o apelido: aND, Andryczuk, Beaulieu, Bennett, Bertola, Blaine, Blonk, Byrum, Calleja, Dencker, DiMichele, Drucker, Evason, Fierens, Gaze, Glass, Grumman, Helmes, Jirgens, Kempton, Keppler, Kostelanetz, Leftwich, Murphy, Nikonova, Olbrich, Padin, Pontes, Rosenberg, Segay, selby, Spence, Stetser, Sutherland, Todorovic, Topel, Vieira, Vitacchio, Young.
 
Apesar de importantes lacunas em relação aos poetas europeus, nomeadamente espanhóis, italianos ou checoslovacos, mas também em relação aos poetas japoneses, por exemplo, THE LAST VISPO não deixa de ser uma das obras mais marcantes da poesia visual das últimas décadas.
 
Em baixo os meus visuais integrados na antologia. Para mais informações: lastvispo@gmail.com ou no site http://www.thelastvispo.com
 
Fernando Aguiar, "Calligraphy", 2006
 

Fernando Aguiar, "H", 2007
 

Fernando Aguiar, "Soneto Ecológico", 2005 (em 2008)
 

 

 


domingo, 18 de novembro de 2012

 
LA FACTORÍA BARROCA

Esta curiosa revista de originais vem num “envelope” de acetato grosso, com o título impresso em papel vegetal e colado, como se pode ver na imagem.

É constituída por trabalhos de 16 autores, em formato postal e com um carácter original. São numerados e assinados, e a tiragem é de apenas 20 exemplares.

Organizada por J. Ricart, esta LA FACTORÍA BARROCA Nº 7, tem a colaboração de Agustín Calvo, Fernando Aguiar, John M. Bennett, Daniel De Culla, Bartolomé Ferrando, Antonio Goméz, Joaquín Goméz, Miguel Jiménez, Beltrán Laguna, Loumond, Antonio Orihuela, César Reglero, J. Ricart, Manuel Sainz, Jörg Seifert e Giovanni Strada.
 
   Fernando Aguiar, 2012

sábado, 10 de novembro de 2012

 
ART & ANARCHIE

O ativista cultural André Robèr da Fédération Anarchiste editou mais um número da revista francesa ART & ANARCHIE pelas Éditions K’A, desta vez um volume com 240 páginas, formato A-5 (em vez do anterior formato A-4, com cerca de 80 páginas), com inúmeros textos, poemas, contos, desenhos, fotografias e poemas visuais.
 
Em destaque os artigos sobre Le Peintre NATO, Léo Ferré, Louis Moreau, Helios Gomez, Jean Dassonval e John Cage. E, já agora, um extenso poema sonoro de Bartolomé Ferrando.
 
Outros colaboradores: Alain Helissen, Hugues Lenoir, Rémy Penard, Serse Luigetti, Miguel Jiménez, Fernando Aguiar, Olivier Desmarais, Etienne Brunet…
 
ART& ANARCHIE está à venda por 20 € e as solicitações, informações, conclusões e exclusões podem ser feitas através de http://arteanarchie.com
 
 
 
Fernando Aguiar, "Alfabeto", 2007

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

 
A GLOBAL VISUAGE
 
Numa edição de grande qualidade, Jörg Piringer e Günter Vallaster reuniram 85 poetas visuais de diversos países, mas sobretudo de origem germânica, e deram à luz a antologia A GLOBAL VISUAGE, publicada pelas Edition ch, de Viena, na Áustria.
 
É a primeira vez que tenho um trabalho meu (o que está reproduzido em baixo), num livro austríaco, depois de ter colaborado em 73 antologias e livros colectivos em 16 países. Quanto a Jörg Piringer é um importante poeta digital e sonoro que tive o prazer de conhecer em Paris, quando ambos participámos em 2007 na 9éme Biennale Internationale des Poètes en Val-de-Marne.
 
Nesta antologia de 100 páginas impressas a cores sobre papel couché participam, por exemplo, e a começar por mim (é a vantagem de ter o apelido Aguiar, o que nos livros e catálogos internacionais me coloca quase sempre em primeiro lugar na relação de participantes), Reed Altemus, Derek Beaulieu, Simon Biggs, Mila Blont, John Cayley, Bartolomé Ferrando, Luc Fierens, Geof Huth, Eduardo Kac, Angelika Kaufmann, Valeri Scherstjanoi, Eugenio Tisselli, assim como os organizadores.
 
Fernando Aguiar, S/ Título, 1995
 

 

sábado, 27 de outubro de 2012

 
 
EL PARAÍSO

Editado este mês, o Nº 98 de EL PARAÍSO – Carpetas de Poesía Experimental y Mail-Art é o primeiro dedicado a Aurora Sánchez, falecida recentemente e co-editora destas Carpetas, juntamente com o seu companheiro e poeta José Luis Campal, sendo publicadas há mais de 20 anos.

Constituídas por uma vintena de obras com um carácter original (numeradas e assinadas), com uma edição de apenas 25 exemplares e sem preço de venda ao público (pelo que deduzo que se destinam apenas aos participantes, ficando os poucos exemplares que restam para ofertas), estas edições caracterizam-se pela qualidade das obras que as constituem.

No presente número colaboram autores como José Oliveira, Fausto Grossi, Fernando Aguiar, Antoni Miró, J. Ricart, César Reglero, Antonio Goméz, Joaquim Goméz, Miguel Jiménez, Julián Alonso, Raül Galvez, Ibirico, Rafael Marín ou Pere Sousa.

Fernando Aguiar, S/ Título 2012
 

sábado, 20 de outubro de 2012

 

BUCHEON FESTIVAL
 
O performer Hong, O-Bong organizou mais uma edição do BIPAF – Bucheon International Performance Art Festival, em Bucheon, na Coreia do Sul, com a participação de duas dezenas de artistas, como Beak-Ki Kim, Shohei Tanaka, Izumi Murata, Miyoko Furukawa, James Topple, Bartolomé Ferrando, Belinda Azhaar ou Navah Team.
 
A minha participação no catálogo limitou-se a um pequeno texto (acompanhado pela foto que reproduzo em baixo) reconhecendo a importância deste Festival, sobretudo na Ásia que, depois do NIPAF, organizado pelo Seiji Shimoda, no Japão, considero ser realmente o mais significativo.
 
O catálogo de 96 páginas, excelentemente impresso, dedica várias páginas ao meu amigo, poeta e professor Bartolomé Ferrando, um dos mais consistentes e criativos poetas experimentais internacionais, para além de fotografias dos artistas participantes e de outros Festivais nos quais Hong, O-Bong participou recentemente.
 

Fernando Aguiar, “7è Festival de Polipoesia de Barcelona", Espanha, 1999

sábado, 13 de outubro de 2012

 
VISUAL FLUX
 
No final de Setembro Francis Van Maele, o editor da Redfoxpress, sediada na Irlanda, publicou o Portfolio Nr 3 de “VISUAL FLUX”, constituído por 6 serigrafias de poesia visual, numa edição de 45 exemplares numerados e assinados, sobre papel Arches Vellum de 250 gramas, e com um formato de 23x33 cm.
 
Os autores das serigrafias são Fernando Aguiar (Portugal), Reed Altemus (U.S.A.), J. M. Calleja (Espanha), David Dellafiora (Austrália) e Luc Fierens (Bélgica).
 
Francis Van Maele tem vindo, desde há duas dezenas de anos, a editar livros de forma artesanal, sobretudo de poesia visual, Fluxus, colagem e fotografia, com tiragens reduzidas, e sempre com uma assinalável qualidade, participando regularmente em Feiras de Arte e de Livros de artista com as suas edições.
 
Para além de ter colaborado nalguns números da “Franticham’s Assembling Box” (caixa contendo pequenos originais de duas dezenas de participantes, que já vai no 20º número), foram ainda publicados nesta editora os meus livros “Calligraphies”, em 2007 e “Visual Essays”, já este ano.
 
Resta dizer que o “VISUAL FLUX – Portfolio Nr 3” custa 195 € ( info@redfoxpress.com ), e para saber mais sobre a editora é favor clicar http://www.redfoxpress.com/
 
 
Fernando Aguiar, 2012 (sobre um original de 1991)

domingo, 7 de outubro de 2012

 
 
DRACHEN
 
O Deutsche Drachenmuseum de Lindenfels, na Alemanha, organizou uma exposição de mail-art dedicada aos dragões, já que é esse o objetivo e a temática do Museu.
 
A Mostra que inaugurou no dia 1 de Setembro vai estar patente ao público até 3 de Fevereiro, conforme refere o catálogo que reproduz a cores algumas dezenas das cerca de 450 obras participantes.
 
Dos 270 artistas de 39 países que responderam ao convite do Drachemuseum encontram-se (pela ordem que vem no catálogo) Fernando Aguiar, Vittore Baroni, Keith Bates, Jonh M. Bennett, Pedro Bericat, Damiel Daligand, Marcello Diotallevi, Birger Jesch, Miguel Jiménez, Ko de Jonge, Pascal Lenoir, Oronzo Liuzzi, Serse Luigetti, Dobrica Kamperelíc, Ruggero Maggi, Antoni Miró, Emilio Morandi, Peter Netmail, Jürgen O. Olbrich, Clemente Padin, Hugo Pontes, Cesar Reglero, Carol Stetser, Shmuel, Rod Summers e Ed Varney.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

 
LITERATAS
 
Os escritores moçambicanos Eduardo Quive e Amosse Mucavele dirigem a revista digital “LITERATAS”, agora com uma periodicidade quinzenal, que se tem revelado um importante instrumento de divulgação da literatura moçambicana e também da lusófona, já que regularmente inclui textos, poemas e entrevistas com escritores e poetas de outros países de língua portuguesa.
 
O trabalho que estes dois jovens escritores estão a desenvolver com a “LITERATAS” é a todos os níveis meritório, porque tem permitido o conhecimento nos diversos países de autores menos divulgados e de literaturas com características tão diversificadas como as que vamos encontrando periodicamente nesta publicação, o que tem contribuído para um conhecimento e uma compreensão mais profunda da enorme riqueza que são as culturas africanas, brasileira e portuguesa.
 
No último número em que colaborei, apresenta uma entrevista com o professor Manuel Gusmão, o destaque para a “personagem” Celestina Fernandes, e contos, poemas e ensaios de Japone Arijuane, Silas Correia Leite, Miguel Almeida, Mbate Pedro, Jorge Arrimar, Claudio Daniel, Izidine Jaime, Luis Kandjumbo, Juvenal Bucuane, Carlota de Barros, Cesar Barroso e Ana Luisa Silva, entre outros.
 
Apesar de não conhecer todos os números, penso que terá sido a primeira (ou das primeiras) vez(es), que esta publicação editou poesia visual, o que não deixa de ser uma “abertura” interessante a este tipo de abordagem poética, num continente sem tradição nas estéticas da poesia experimental.
 
Aconselho vivamente a visitar o blog da “LITERATAS” em: http://revistaliteratas.blogspot.com
 
Fernando Aguiar, "No Mundo dos Sonhos", 1996
 
 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

 
L’EIFFEL TERRIBLE
 
José Catalá Mansanet é o diretor da pequena revista de poesia visual L’EIFFEL TERRIBLE, cujo primeiro número foi publicado em Julho. Esta publicação é um desdobrável que inclui apenas 7 poemas visuais ou afins, valorizando a qualidade técnica e gráfica da mesma.
 
A edição é do Centro de Poesia Visual, em Peñarroya-Pueblonuevo, fundado e dirigido durante vários anos pelo poeta Francisco Aliseda, diretor também da publicação VENENO da qual saíram uma centena de números, e que a L’EIFFEL TERRIBLE vem, de certo modo, dar continuidade.
 
Os participantes neste Nº 1, organizado por Silvia Carrasco são Bentrán Laguna,Javier Maura, Marco Mújica, José García Obrero Fernando Bravo, Joaquín Gomez e Fernando Aguiar.
 
Fernando Aguiar, "Y", 2007
 



sábado, 15 de setembro de 2012

 
ART-MATIN
 
O número 5 da revista francesa ART-MATIN, dirigida por Éric Blanco e Claudine Lenzi, é dedicada à “Água” e tem como sub-título “Les Eauditives – poétiques et politiques de l’eau”.
 
São 100 páginas profusamente ilustradas, formato A-4, um agradável design, e é constituída pelas mais variadas formas expressivas como textos, poesia, instalação, fotografia, crítica, performance e arquivos sobre o Festival Eauditives realizado entre 2008 e 2011, em Barjols e em Brignoles, no sul de França.
 
Os colaboradores são cerca de 80 e, entre eles, estão escritores e artistas como Alberto Vitacchio, Carla Bertola, Serge Pey, Chiara Mulas, Philippe Castelin e Jean Torregrosa, Julien Blaine, Fernando Aguiar, Démosthène Agrafiotis, Micheline Simon, Doo Hwa Gianton,  Nathalie Garrigou e Antoine Simon.
 
Na página que me foi dedicada publicaram 5 poemas, e reproduzo aqui 3 dos visuais.
 
Fernando Aguiar, "Por Amor à Poesia", 1997
 

Fernando Aguiar, "Má Sorte ter sido Poetisa", 1996
 

Fernando Aguiar, "No Abismo da Poética", 1997
 

quinta-feira, 6 de setembro de 2012


DELTA

O número 32 da “Revue Internationale pour la poésie expérimentale – DELTA”, editada por Shin Tanabe, em Chiba, no Japão, foi publicado no passado mês de Julho.

Apresenta, como sempre, nas suas 48 páginas bem desenhadas e impressas, a poesia “verbal” japonesa e também, como é habitual, dedica as 16 páginas centrais, impressas em papel couché, à poesia visual internacional.

Nesta secção colaboram Sarah Trouche, Demosthenes Agrafiotis, Ryosuke Cohen, Julien Blaine, Misako Yarita, Guy R. Beining, John M. Bennett, Fernando Aguiar, Scott Helmes, Shin Tanabe, André Robér e Lubomyr Tymkiv.

Fernando Aguiar, "Calligraphy", 2006

quinta-feira, 30 de agosto de 2012



BIENNALE DI MALINDI

O poeta italiano Sarenco, com residência há vários anos no Quénia, para além de ter organizado várias exposições com artistas locais e também estranjeiros em espaços culturais quenianos, e de organizar exposições com artistas africanos em itália, no seu estúdio em Brescia, é também o organizador das Bienais Internacionais de Arte no Malindi.

A BI.MA.3 – Third Malindi International Biennal of Art, para a qual fui convidado, tem como “curador” Achille Bonito Oliva, e realizou-se entre o final de Dezembro de 2010 e Fevereiro de 2011. Recebi, finalmente, o excelente catálogo da Bienal, com um formato de 29x24 cm e 360 páginas profusamente ilustradas, com a excelência editorial da Adriano Parise Editore.

Entre os cerca de 50 participantes na Bienal, estão Fernando Aguiar, Albrecht/d., Julien Blaine,  Eros Bonamini, Jean-François Bory,  Monty Cantsin, Andrea de Carvalho, Luc Fierens, Arrigo Lora-Totino, Lucia Marcucci, Tommy Motsway,  John Nzau, Antonio Ole, Cheri Samba, Luigi Tola e Peter M. Wanjau.

O catálogo tem ainda uma secção dedicada aos “The Super Schamans” Joseph Beuys, Alighero Boetti, John Cage, Gino de Dominicis, Robert Filliou, Lucio Fontana, Yves Klein, Mario Merz, Nam June Paik e Julian Schnabel.

Nas anteriores edições da Bienal participaram nomes como Bernard Aubertin, Francesco Baronti, Hans Clavin, Giovanni Fontana, Fabrizio Garghetti, Pierre Garnier, Innocente, Abdallah Salim, Sarenco, Shozo Shimamoto ou Graeme Williams.

Fernando Aguiar, acrilyc on canvas, 2010


Fernando Aguiar,  acrilyc on canvas, 2010


sexta-feira, 24 de agosto de 2012


OFFERTA SPECIALE

O número 49 da revista italiana “OFFERTA SPECIALE: Che Bontá !”, dirigida pelos poetas Carla Bertola e Alberto Vitacchio, foi publicada em Maio em Torino e, nas suas 56 páginas apresenta sobretudo  poemas verbais, verbo-experimentais e visuais.

Os autores são mais de 30 e entre eles estão Michele Perfetti, Dobrica kamperelic, Pete Spence, Daniel Daligand, Vittore Baroni, Jürgen O. Olbricht, Andrew Topel, Fernando Aguiar, Giovanni Strada, Serge Segay e Rea Nikonova.

De salientar que este é o 25º ano de publicação desta revista, das mais antigas e carismáticas entre as que se dedicam à poesia experimental e visual.

Fernando Aguiar, "Calligraphy", 2006



quinta-feira, 16 de agosto de 2012


DOC(K)S

Em 1986 Julien Blaine convidou-me para organizar o número da revista DOC(K)S dedicada a Portugal, convite que muito me satisfez porque na altura a DOC(K)S era  a mais importante revista de “vanguarda” (poesia experimental e visual, performance, fotografia, desenho, electrografia…) que se publicava na europa, e ainda hoje (dirigida por Philippe Castelin e Jean Torregrosa), é a mais importante publicação internacional que se dedica essencialmente à poesia visual.

Com números a rondar as 400 páginas, esta sempre foi uma revista de “peso” em todos os sentidos, e receber aos 29 anos o convite para organizar um número desta prestigiada revista, foi um verdadeiro desafio. (Entretanto, e ao longo destes anos, já participei numa dúzia de edições. Faço parte, aliás, do comité de redação internacional da DOC(K)S).

Como me foi dada “carta branca” para organizar essa edição, resolvi dividir a colaboração em duas secções que para mim eram as mais significativas na altura e que estavam mais de acordo com o espírito da revista, considerando que Julien Blaine queria dar uma visão daquilo que se estava a fazer de mais inovador no campo das artes e da literatura em Portugal.

Na primeira, com um prefácio que intitulei “Quelques notes sur la poésie visuelle portugaise”, incluí obras de António Dantas, E. M. de Melo e Castro, Ana Hatherly, Alexandre O’Neil, António Barros, António Campos Rosado, Antero de Alda, António Aragão, Alberto Pimenta, Silvestre Pestana, Abílio-José Santos, José-Alberto Marques, António Nelos e Fernando Aguiar.

Na segunda parte, que se inicia com o texto “La Performance au Portugal “ foram apresentadas fotos de intervenções de António Barros, Vítor Pi e Joaquim Lourenço, Carlos Gordilho, Fernando Aguiar, Miguel Yeco, Rui Órfão, Ção Pestana, Delphim Miranda, Albuquerque Mendes, Elisabete Mileu, Grupo Neon (Carlos Barroco, José Fabião e Nadia Bagiolli), Francisco Ginjeira, Artitude:01 (António Barros, Isabel Carlos, Isabel Pinto, João Torres, José Louro e Rui Órfão), António Olaio, Ana Hatherly, João Vieira, e Alberto Carneiro, terminando a secção dedicada a Portugal com uma bibliografia sobre a Poesia Visual Portuguesa.

A capa da DOC(K)S Nº 80, publicada faz agora 25 anos, foi feita com a fotografia de uma performance de Ção Pestana intitulada “Vénus-Ção”, de 1984.

Fernando Aguiar, "Ensaio deste Tamanho", 1983


António Olaio, 1985


Elisabete Mileu, 1985


Miguel Yeco, 1985


Carlos Gordilho, 1985


Fernando Aguiar, 1985