sexta-feira, 4 de julho de 2008

ASEMIC 5
O quinto número da revista australiana ASEMIC com o subtítulo “For asemic Writing, Abstract Art & Related Forms”, foi recentemente lançado na cidade de Kent Town sob a direcção de Tim Gaze, um entusiasta por este tipo de poesia.

A escrita assémica caracteriza-se por não ter um sentido verbal, não conseguindo comunicar um conteúdo através dos signos que utiliza. Sendo ilegível quanto ao conteúdo permite, no entanto, variadíssimas interpretações no que respeita à sua forma, ou desfrutar apenas visualmente aquilo que está escrito.

É uma poesia essencialmente caligráfica, apesar de poderem ser também utilizados letras ou caracteres tipográficos ou ainda “letterpress”, como é o caso dos meus 4 poemas incluídos na revista, e que não sabia que podiam ser igualmente considerados “assémicos”. Para mim são apenas poemas minimais, e foram criados com base nesse conceito, onde o objectivo (dificilmente atingível) era que a letra fosse o poema.
Voltando à revista, tem um formato A-5, 100 páginas com poemas totalmente assémicos, isto é, que permitem apenas uma leitura visual, apesar de ter bastantes trabalhos curiosos, e constituiu para mim uma agradável experiência, sobretudo por não publicar poemas em revistas australianas desde 2000, depois de participações em revistas como “Axle”, “Ligne”, “Polartis”, “Rrat Magazine” e “Vast”.
Assemic 5 inclui obras de 43 autores, entre os quais alguns poetas históricos do letrismo, como Alain Satié e Isidore Isou, ou da poesia concreta e visual (Bob Cobbing, Clemente Padin ou Wlademir Dias-Pino), passando por outros menos históricos (Regina Pouchain, Rea Nikonova, Serge Segay, Jim Leftwich e eu próprio) até uma curiosa participação do pintor Max Ernst.

Fernando Aguiar, "Poema Minimal", 1991

3 comentários:

zanzara disse...

oi fernando! obrigado pelos contatos, mas decidimos adiar nossa viagem, pois recebemos um convite para ir à argentina. nesse caso vamos ficar por aqui mesmo...

até a próxima!

abraço,
francesco.

bruno neiva disse...

Olá Fernando.
Em relação à escrita assémica, tem havido muita discussão (ou falta dela...).
Ete link serve de, digamos, preâmbulo: http://asemic-net.blogspot.com/2011/06/response-to-marco-giovenales-on-asemic.html

Em relação ao termo "assémico"... é muito impreciso, pois a ausência de significado verbal não implica ausência de significado semântico. Ou não existisse também uma poética da imagem... talvez "averbal" fosse mais adequado.

Um abraço.

PS: para além do Tim Gaze, os trabalhos da Rosaire Appel são, na minha opinião, os mais desafiantes.

Anónimo disse...

Prezado Fernando,

bom dia.

Gostaria de saber como obter um exemplar da revista Asemic 5. Você teria este contato? Gosto muito de poemas visuais e suas variantes, tendo inclusive desenvolvido alguns projetos.

Um abraço e parabéns pelo blog!

Roberto Marques