sábado, 15 de outubro de 2011

O PSIU POÉTICO
N’O NORTE DE MINAS


Terminou há dois dias a 25ª edição do Salão Nacional de Poesia PSIU POÉTICO na cidade mineira de Montes Claros, organizado desde sempre pelo poeta e ativista cultural Aroldo Pereira, Salão no qual já participei presencialmente em duas edições, e em muitas outras na exposição de poesia que lhe está associada.

Acerca desta edição comemorativa de um quarto de século dedicada à poesia nas suas vertentes mais diversas, o poeta e professor da Universidade de Montes Claros, Anelito de Oliveira, num artigo publicado no passado dia 10 no diário  “O Norte de Minas”, refere o seguinte: “Na sua longa e admirável trajetória - a maioria dos projetos culturais morre nas primeiras edições -, o Psiu Poético recebeu e continua recebendo nomes proeminentes da cultura literária e musical brasileiras: Waly Salomão, Arnaldo Antunes, Jorge Mautner, Thiago de Mello, Adélia Prado, Alice Ruiz, entre outros. A participação, ultimamente, do inquieto poeta e performer Fernando Aguiar, que mantém o fervor da invenção em Portugal, acena para uma relevância que o evento tem ganhado para além do país. A tendência é, sem dúvida, essa relevância crescer como exemplo de resistência a um mundo cada vez mais contrário à poesia, mais fútil.”

“Todavia, o que distingue decisivamente o Psiu é o arrastão que consegue promover a cada ano de tantos poetas e curtidores de poesia, gente que emerge das margens de Montes Claros, cujo centro é historicamente sem graça, áspero demais. Gente que se encontra com outras gentes, que se deslocam de vários lugares igualmente marginais do país, e aí se configura o grande MSP - Movimento dos Sem Poesia - nos dias de Psiu, suplicando atenção - psiu! - para sua existência no campo social. Isso é massa, como dizíamos no momento em que o evento surgiu, naqueles ternos anos finais da década de 80.”

E termina, afirmando: “Depois de tantos anos, não há como não reconhecer uma comunidade Psiu, que tem como referência de sociabilidade a poesia. Não se trata de uma Geração Psiu, de um grupo organizado apenas em torno de valores estéticos - e isso é positivo. Psiu é mais um caso de sociedade do que de literatura, ou mesmo de poesia enquanto fazer, enquanto atividade de artífices.“

Parabéns pois, a Aroldo Pereira, pelo seu admirável esforço em manter ininterruptamente um Festival pelo qual já passaram centenas de poetas de diferentes expressões literárias, e que conseguiu instituir o tradicional dia de inauguração do Psiu Poético – 4 de Outubro – como o Dia Municipal da Poesia.





Fernando Aguiar (com Guilherme Rodrigues)
no Psiu Poético de 2007, Montes Claros, Brasil

quinta-feira, 6 de outubro de 2011


Z A ZERO

Z a Zero é a mais recente edição do poeta brasileiro Wilmar Silva, autor de uma trintena de livros de poesia, e com um incrível ritmo de publicações, se considerarmos que nestes últimos 4 anos o Wilmar deu à estampa 12 livros, entre originais e reedições, no Brasil, República Dominicana, Bolívia, Argentina e em Portugal. E nessas edições o tipo de letra, o design e o próprio papel onde são impressos são alvo de uma cuidada atenção.

Tive a oportunidade de assistir ao nascimento deste livro e do respectivo título e, desde logo, fiquei fascinado pela inventividade deste criador que, nos últimos anos, tem descoberto a experimentalidade poética e a sonoridade da poesia em palco.

Os dois posfácios do livro foram escritos por Mário Alex Rosa e por mim, e vou citar excertos desses textos, que dizem o essencial acerca do livro, polémico pela sua forma e conteúdo, já que se pode considerar um livro de sonetos. E inteiramente impresso a vermelho.

Mário Alex Rosa refere o seguinte: “Quando se lê seus poemas – muitos são um jorro, como se nos solicitasse uma leitura num fôlego só -, a sensação que se tem é que foram escritos intuitivamente, por outro lado, nota-se um rigor na composição dos versos, na construção equilibrada, como se fosse um poeta de linhagem mais construtivista. Como se vê, são duas vertentes bem distintas, mas que parecem amalgamar-se em Wilmar Silva de forma natural…”

Quanto a Fernando Aguiar, “moi-même”, escreveu que “Com uma temática conceptual que não retira nada à sua essência, estes poemas são trabalhados de uma forma rigorosa nos conceitos que referi: têm uma estrutura poderosíssima, um som muito próprio, no aspeto técnico são poemas concebidos pela repetição de cada letra por cada uma das vinte e seis que constituem o alfabeto,…”

“Z a Zero” é igualmente uma obra inventiva no seu minimalismo estético, conseguindo criar uma sequência de poemas com um conjunto reduzido de elementos gráficos. Porque, curiosamente, “Z a Zero” é um livro constituído por vinte e seis poemas que não contêm uma única palavra que possa ser encontrada no dicionário. E no entanto diz tudo.”

Para além de poeta, Wilmar Silva tem tido uma atividade imparável como editor (Anome Edições), com duas dúzias de edições anuais, coordena as “Terças Poéticas”, um evento semanal de poesia apresentado no Palácio da Artes, o mais importante espaço cultural de Belo Horizonte, por onde têm passado significativos poetas brasileiros e alguns estrangeiros, e é o coordenador de “Portuguesia – Festa da Poesia Lusófona”, realizado em Portugal e no Brasil, nos quais reuniu dezenas de poetas de língua portuguesa ao longo das suas 5 edições. Em Portugal “Portuguesia” têm sido apresentada na Casa Camilo Castelo Branco em S. Miguel de Seide, em co-coordenação com o poeta Luís Serguilha.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011


BIPAF

Realizou-se no final de Julho a 10ª edição do 2011 Bucheon International Performance Art Festival, na Coreia do Sul, organizado desde sempre pelo performer Hong, O-Bong.

Conheci o Hong, O-Bong em Tóquio, durante o NIPAF – Nippon International Performance Art Festival, em 1997 e, mais tarde, já em 2009, participei num Festival de Performance, integrado na Bienal de Cerâmica de Icheon, também na Coreia, por indicação de O-Bong ao organizador do Encontro.

Nestas 10 edições, participaram cerca de 180 performers de diversos países, e o BIPAF, tornou-se num dos Festivais de Performance Art asiáticos de referência.

Para comemorar o 10º Aniversário foi editado um catálogo com 96 páginas a cores, excelentemente impresso, e que faz uma retrospectiva destes anos de actividade.
 
Para além da reprodução dos cartazes e de fotografias das performances realizadas nas 10 edições do BIPAF, Hong, O-Bong solicitou depoimentos sobre o seu Festival a autoridades culturais da Coreia e a alguns performers internacionais como Mideo M. Cruz, Adina Bar-On, Francis O’Shaughnessy, Chumpon Apisuk, Fernando Aguiar, Valentin Torrens, Boris Nieslony, Alexander Del Re, Giovanni Fontana, Bartolomé Ferrando, Wladyslaw Kazmierczak e Richard Martel, entre outros.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011


LINK

Inaugura hoje a exposição LINK, na Robotarium /LX Factory, em Lisboa, constituída por obras de Ana Hatherly, ISU (Leonel Moura) e de Fernando Aguiar.

LINK (“uma exposição diferente”), surgiu na sequência do convite de Leonel Moura para apresentar no seu atelier /espaço de exposições “Robotarium”, obras de poesia experimental do meu Arquivo, como a realizada em Abril do ano passado, na Galeria Municipal de Arte e na Biblioteca Municipal António Botto, em Abrantes.

Devido às características do espaço, o Leonel propôs que, em vez de se apresentar uma obra de duas dezenas de autores, se expusesse apenas 3 autores cujas obras têm uma afinidade estética e expressiva, e que utilizam a escrita predominantemente monocromática nos seus trabalhos.

Achámos que seria interessante apresentar trabalhos de maiores dimensões e de décadas diferentes. Assim, os meus visuais são de 82/84, as obras da Ana Hatherly dos anos 80 e 90, e as duas telas do Leonel Moura, criadas pelo robô ISU, de 2009.

O “link” à ideia inicial da exposição de obras do Arquivo é feito pelos dois quadros de Ana Hatherly dos anos 80, e por dois trabalhos meus que estiveram expostos em Abrantes. Os restantes pertencem aos respectivos autores.

Segundo a nota de divulgação da exposição, “LINK reúne a obra de 3 artistas que praticam uma forma de abstração baseada em símbolos,letras ou expressão escrita.


Ana Hatherly (1929) é uma artista, poeta e ensaísta, pioneira na combinação do desenho com a escrita, cuja obra é reconhecida internacionalmente.
Fernando Aguiar, (1956) trabalha com poesia experimental e visual desde 1972 associada à pintura, instalações e performances.
ISU é um robô criado por Leonel Moura em 2006 que gera pinturas com letras e palavras.


A exposição estabelece uma relação entre a obra de artistas, poetas visuais e letristas, com a produção de máquinas capazes de gerar uma expressão pictórica com base na inteligência artificial.” 



Ana Hatherly, "O Pavão Negro", 66,5x68,5 cm, 1999


ISU (Leonel Moura), S/ Título, 185x130 cm, 2009


Fernando Aguiar, "Ensaio para uma Nova Expressão da Escrita Nº 451", 100x70 cm, 1984 






domingo, 18 de setembro de 2011


CORSÁRIO

O primeiro número da revista CORSÁRIO foi publicado em Julho na cidade brasileira de Fortaleza, sob a direção dos poetas Mardônio França e Katiusha de Moraes.

E o editorial começa assim: “É com grande alegria que apresentamos a REVISTA CORSÁRIO Nº01, editada, pela primeira vez, nesse suporte revolucionário: o papel.
A REVISTA CORSÁRIO surgiu em 2005 e, ao contrário de outras revistas de literatura, já nasceu no meio cibernético.”

“Neste primeiro número, vamos conversar sobre a multiplicidade das linguagens, suportes e a mistura de signos (dança semiótica): vídeos, artes plásticas, fotografia, performance, cidade, corpo, dança, teatro… Uma nova conjunção de fazer/ler o texto literário.”

“Nesta edição, temos a entrevista com o nosso São João Batista da literatura cibernética: Augusto de Campos; performance e poesia no Além-Mar por Fernando Aguiar; uma conversa sobre o papel digital e o papel tradicional por Katiusha de Moraes; o projeto Cidade Poema, descrito pela idealizadora Laís Chaffe; as infiltrações de Edson Cruz; os quanta da Márcio-André; uma introdução à videopoesia, por Henrique Dídimo…”

E a CORSÁRIO está praticamente apresentada. Resta dizer que tem um formato A-4, 74 páginas, inúmeras ilustrações a cores, e ainda vários colaboradores, como Nuno Gonçalves, André Dias, Ayla Andrade, Constance Brito, Demetrios Galvão, Dirceu Matos, Fabrice Ziegler, Pipol, Poeta de Meia-tijela e Stella Marina, entre outros, num excelente resultado pelo qual temos que parabenizar (utilizando a expressão brasileira) Mardônio França, o pirata-mor.

Para além das fotografias de performances de Julien Blaine, Giovanni Fontana e de Bartolomé Ferrando (e de um poema visual meu já aqui editado) que “ilustram” o meu texto, o Mardônio incluiu um poema que escrevi no início dos anos 80, e que vai ser publicado no livro “ESTRATÉGIAS DO GOSTO”, a sair ainda este mês pela Escrituras Editora de São Paulo, que é o Nº 1.a do capítulo “Tanto tão pouco”.


ao centro também me sento

no canto também se calha

a colheita também se colhe

se encolho também encalho

se malho também enxuto

de fora também desfruto

a disputa também existe

e o exacto também se acha

o enlace também se cose

a coisa também se loiça

o laço também desfaço

se corro também escarro

e o escasso também entoo

à toa também não maço

se faço também é facto

no acto também actuo

o arco também arqueia

a seara também semeia

a meias e a pronto também

também a ponte se aponta.



sábado, 10 de setembro de 2011


A TERCEIRA ROMARIA


José Inácio Vieira de Melo é o autor do livro “A TERCEIRA ROMARIA”, editado pela Anome Livros, de Belo Horizonte, e que reproduz (parcialmente) na capa o meu poema visual “O Poeta”, de 1997.

Este livro é uma 2ª edição (a primeira saiu em 2005) e, sobre a obra poética do autor referiram-se os seguintes escritores: Astrid Cabral “Seu destino é o daquela cabra que ninguém segura e sobe a montanha em busca de Glória”; Lêdo Ivo “Muito apreciei o seu lirismo cortante como o fio de uma navalha, uma poesia que, embora seca, esconde e guarda uma chuva secreta. Uma descoberta que tanto me alegra”, ou de Salgado Maranhão, na contracapa do livro: “…reafirma a força de um bardo que é, sem favor, uma das vozes mais autênticas da poesia atual.”

José Inácio Vieira de Melo tem um outro livro que acabou de ser publicado, desta vez uma antologia com novos autores, mas cujo exemplar ainda não me chegou às mãos, e que tem igualmente um poema visual meu na capa, da mesma série de “O Poeta”.

A antologia é editada pela Escrituras Editora, de São Paulo, editora que onde também vou publicar, este mês, o meu segundo livro de poemas editado no Brasil - “ESTRATÉGIAS DO GOSTO”. O primeiro que publiquei, em 2009, igualmente pela Escrituras Editora, tem por título “TUDO POR TUDO”. E, já agora, relembro aqui a respectiva capa.



domingo, 4 de setembro de 2011



LONARTE 2011

Segundo Luís Guilherme, o organizador do evento, “ LONARTE é um projecto de arte pública, lançado pela Câmara Municipal da Calheta em parceria com a Galeria dos Prazeres e que visa dinamizar durante o período de verão a zona balnear deste município, o mais a oeste da Ilha da Madeira.”

“Pretende-se com este projecto, onde participam cerca de 40 artistas oriundos dos quatro cantos do mundo, demonstrar e divulgar a expressão artística como um instrumento privilegiado de intervenção social. Descentralizar a criação artística contemporânea através de um suporte e de um formato pouco habitual por forma a dinamizar com esta iniciativa cultural a promenade da Calheta.

A autarquia, ao desenvolver o projecto Lonarte, pretende que este se torne num instrumento preponderante na revitalização e humanização da Praia da Calheta…”

Durante os meses de Junho, Julho e Agosto, os visitantes desta praia tiveram a possibilidade de contactar com a obra de quatro dezenas de artistas internacionais, divididos em 3 séries de obras em tela plástica, cada uma com 480x100 cm, reproduzidas a partir de maquetas com dimensões dez vezes menores.

Os originais foram apresentados na Galeria dos Prazeres em simultâneo com a exposição das telas (Galeria na qual realizei uma exposição individual em Abril), que são uma oferta dos artistas à autarquia, destinando-se, em caso de venda, a instituições de solidariedade na região da Calheta.

Resta referir alguns dos participantes: António Júlio Duarte, Catarina Machado, Celso Caires, Pedro Calapez, Urbano, Cristina Ataíde, Fernando Aguiar, John Fadeff, Maria João Franco, Marcos Milewski, Ana Vidigal, António Barros, António Nelos, Kevin Brandy, Luís Amin, Silvestre Pestana e Wang Ping.

Junto às telas foram colocados desdobráveis referentes às mesmas, com a foto da obra, curriculum e um texto sobre o respectivo autor.
Para mais informações consultar o blog do evento: http://lonarte11.blogspot.com/









Fernando Aguiar, S/Titulo, 2011


segunda-feira, 29 de agosto de 2011


ANTHOLOGIE 2011
VOIX DE LA MÉDITERRANÉE
Ainda a propósito do Festival de Lodève - Voix de la Méditerranée, que teve em Julho a sua 14ª Edição, foi publicada uma antologia na qual estão representados todos os poetas participantes, a quase totalidade com poemas verbais e as respectivas traduções para o francês, mas também poemas visuais, a visualidade dos poemas escritos em árabe e apresentados na língua original, e algumas fotografias da edição anterior da autoria de Paula Rocha, a fotógrafa do Festival.

Os nomes são os já referidos nas informações anteriores sobre esta edição de Voix de la Méditerranée, mas incluo mais alguns: Olimbi Velaj, Ivan Hristov, Ghada Khalifeh, Catherine James, Ismail Fakih, Shirine K., Yvan Étienne, Jacques Demarcq…

Os prefácios são de Marc Delouze e de Julien Blaine, conselheiros literários do Festival, e os primeiros poemas são de Adonis, um poeta sírio e do espanhol Fernando Arrabal, os convidados de honra deste ano. Em baixo a versão francesa do meu poema “Pensamento”, incluído na antologia.


PENSÉE

                                                                                                                                                
« La pensée vient de l’extérieur
et elle pense qu’elle vient de l’intérieur »
Arnaldo Antunes


                                                                           
 pensée ou je pense-mens,
je pense au rien que je ressens.
 je pense tant, je pense peu
 je pense jusqu’à m’enrouer.
 je pense beaucoup, je pense à peine
 je pense à des colères sereines.
 je pense que oui, et après je pense que non,
 je pressens ce que pense le coeur.
 je songe maintenant, ensuite je pense
 Je vois l’amour et nous sommes deux.
alors je pense, je pense c’est ça
 et je soutiens que c’est comme ça;
 je pense que je reste, je pense que je pars
et je fuis cloîtré dans la chambre.
je pense que je prends, je pense que je laisse
 je repense à tout ce que je gâche.
je repars aussitôt, je me reprends
si je pense que je n’y arrive plus;
je regarde par en dessous, je pense par dessus   
 et je résous la raison d’une rime.
je pense comme ci, je pense comme ça
 une pensée qui vient de biais.
 je pense de loin, je me pose juste à côté
et je réfrène une pensée incertaine.
 je pense que je fais, je pense que j’ai fait
 pensée qui se contredit.
 je pense que j’ai été, aussitôt la nuit tombe
 pensée qui se mérite.
je pense l’envers, me voilà désert;
 et je me trompe à penser toujours juste.
je pense à froid, je pense à chaud
 je ne pense pas très rarement...
 je pense, bon sang! Je pense que je ris,
je me repose dans le son du vide.
je pense que je tombe, quelle poisse;
 et je pense que penser ne suffit pas.
 je pense que dans ce cas, je pense que j’essaie
une pensée à cent pour cent.  
 je pense, las, je pense que finalement ;
 je repense à ce qui pense en moi.

terça-feira, 23 de agosto de 2011


SOBREVIVER

Faz também agora 25 anos que foi publicado o Nº 2 da II série da “SOBREVIVER – revista mensal do livro e da cultura”, dirigida por José Antunes Ribeiro, numa edição da Ulmeiro.

Nesse número, cuja capa trazia uma fotografia de E. M. de Melo e Castro e de Alberto Pimenta durante o lançamento da antologia “POEMOGRAFIAS – Perspectivas da Poesia Visual Portuguesa”, na Sociedade Nacional de Belas-Artes e já aqui referida, dedicou precisamente 3 páginas a esse lançamento e à exposição e ele associada.

Havia igualmente uma página sobre a participação dos poetas visuais portugueses, ( incluindo os poetas representados em “POEMOGRAFIAS”), que inauguraram a I Bienal Internacional de Poesia Visual y Experimental en México. O terramoto que assolou a Cidade do México em Outubro de 1985, impediu a realização da Bienal nesse ano, mas inaugurou simbolicamente, no final de 85, com a representação portuguesa, que tive o prazer de organizar.

Mais tarde organizaria a representação portuguesa na III Edição da Bienal, em 1990, na qual eu e o António Aragão estivemos presentes, e onde apresentámos palestras e eu realizei três performances poéticas.

Voltando à “SOBREVIVER” e ao texto que escrevi para esse número, a certa altura refiro que “… o desenvolvimento tecnológico e científico levou alguns poetas a um trabalho de pesquisa e de investigação poética, trabalho esse que se tem multiplicado por diferentes vias, explorando outras formas do “dizer” através de novos suportes como a fotografia, a fotocopiadora, o gravador, o vídeo, o computador e o próprio corpo do operador poético.” 

…“Isto dá uma ideia das possibilidades que neste momento estão a ser exploradas e, simultaneamente, realça o facto de que a poesia para se manter actual e com capacidade de intervenção precisa de se ir renovando a par do avanço técnico e tecnológico, assim como necessita de se libertar da rigidez dos vocábulos, das estreitezas ortográficas e dos condicionalismos gramaticais, sempre limitativos.”


Fernando Aguiar, "Ser o no Ser", Universidad Nacional Autonoma de Mexico, 1990

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

OUSTE Nº 19
CRÉATION ET EXAGÉRATION


Enquanto estava em Lodève a participar no Voix de la Méditerranée foi apresentado, durante o Le Marché de la Poésie o número mais recente da revista OUSTE – Création et Exagération, dirigida pelo poeta  Hervé Brunaux, e editada em Périgueux pelas associações Féroce Marquise e Dernier Télégramme.

Com poemas, fotografias, contos, desenhos e poemas visuais, este número 19 tem 116 páginas, num formato um pouco mais pequeno que o A-5, e conta com cinco dezenas de colaboradores, entre os quais Clemente Padin, Démosthène Agrafiotis, Julien Blaine, Arnaud Labelle-Rojoux, Lucien Suel, Fernando Aguiar, Édith Azam, Didier Bourda, Nicolas Richard, Liliane Boudin, Nadine Agostini, Luc Fierens e Serge Luigetti.

De minha autoria, o Hervé Brunaux incluiu este fotopoema criado em Diamantina, no Brasil, durante o Festival de Inverno da Universidade Federal de Minas Gerais, e que foi incluído no livro “CALLIGRAPHIES”, numa edição da Redfoxpress, em County Mayo, na Irlanda.



quinta-feira, 11 de agosto de 2011

VOIX DE LA MÉDITERRANÉE
(III)

Para terminar este relato alargado sobre o Fetival de Poesia Voix de la Méditerranée, é preciso referir algumas das suas particularidades, como o facto de juntar poetas europeus e árabes da bacia do Mediterrâneo, de muitas das leituras serem com poetas de ambas as áreas geográficas, dos poetas lerem nas suas línguas originais, havendo depois actores que lêem as traduções dos respectivos poemas em francês, e de todas as leituras se realizarem ao ar livre, algumas dentro do próprio ribeiro que banha Lodève.

Das sessões temáticas destaco as realizadas no Claustro da Catedral, as do “O Marches du Palais”, seguidas de degustação de vinhos, as de poesia sonora e visual no Halle Dardé, as “Voix d’eau” onde muitas pessoas assistiam às leituras sentadas em cadeiras dentro de água, a “Poésie Multimédia”, “Tapas y poesia” e a das sestas poéticas e musicais a seguir ao almoço (das minhas preferidas), onde se podia ouvir poesia acompanhada por instrumentistas, deitado numa cama de rede sob a sombra das árvores…

O Festival foi acompanhado por uma Feira do Livro de pequenas editoras, de editoras especializadas em poesia e outras que se dedicam a produzir livros de artista em pequenas edições numeradas e assinadas, algumas verdadeiras obras de arte, como uma colecção de poesia cujas capas são em cerâmica, todas diferentes umas das outras.

Resta referir que para além do que já foi dito havia animações permanentes nas ruas por músicos, uma escola de circo local e leituras espontâneas, apresentadas por pessoas que não participando no Festival, aproveitavam os espaços entre as assinaturas de livros para subir a um pequeno palco e ler os seus poemas.

 "Marché de la Poèsie"

 "Voix d'eau"

 "Sieste Poètique et Musicale"

"À Claires Voix"

Os jantares, também à beira do riacho


O jantar antes do concerto de encerramento

sexta-feira, 5 de agosto de 2011


VOIX DE LA MÉDITERRANÉE
(II)

Dos vários participantes no Voix de la Méditerranée – Festival de Poésie, saliento Bartolomé Ferrando, Josep Sou, Ângela Garcia, Lúcia Peiró Lloret, Julien Blaine e Gökçenur Çelebioglu, dos quais já foram colocadas fotografias das respectivas intervenções na postagem anterior, e ainda Alain Arias-Misson, Charles Dreyfus-Pechkoff, Catherine James, Ghada Khalifeh, Charles Pennequin, Cécile Richard, Yànnis Stíggas, Antonio Bertoli, Lello Voce e Ismail Fakih.

Aproveito para referir o trabalho dos poetas-moderadores que apresentaram as minhas leituras, Jean Yves Bériou, Linda Maria Baros, Teo Libardo e o actor Jean-Marc Bourg que fez uma excelente interpretação dos meus poemas em francês, para além do espectáculo que apresentou numa das soirées.

E já que estamos na relação de nomes, menciono também alguns dos 15 membros do Comité Internacional do Festival, como Henri Deluy e Bernard Noël (França), Demosthène Agrafiotis (Grécia), Nanni Balestrini e Giovanni Fontana (Itália), Maria Petreu (Roménia), Enis Batur (Turquia), assim como Bartolomé Ferrando (Espanha) e Fernando Aguiar (Portugal), que estiveram presentes na edição deste ano, tendo a última intervenção poética do Festival sido realizada por mim e pelo poeta turco Gökçenur Çelebioglu.

Ao longo das 14 edições do Voix de la Méditerranée têm participado vários poetas portugueses como Egito Gonçalves, Rosa Alice Branco, Jaime Rocha, Casimiro de Brito ou Américo Rodrigues.



Alain Arias-Misson

 Cécile Richard

 Charles Dreyfus-Pechkoff

 Fernando Aguiar

 Charles Pennequin